Câmbio chinês
Antonio Delfim Netto
Valor Econômico, 23.03.2010
A paciência do mundo com relação ao desarranjo produzido pela política cambial chinesa começa a dar sérios sinais de fadiga. É muito difícil saber qual é a taxa de câmbio de equilíbrio, a começar pela definição de equilíbrio do quê? Do balanço comercial de bens e serviços? Do balanço de bens e serviços mais o movimento de entrada de capitais para investimento físico e saída de sua remuneração? Do balanço em contas correntes, quando existe amplo movimento de capitais, não apenas de investimento físico, mas também de aplicações em papéis do governo e do setor privado e de movimentos de arbitragem dos portfólios dos investidores internacionais?
A relação de conversão da unidade de moeda nacional (o real, por exemplo) com relação à moeda de referência de poder liberatório internacional (o dólar) conserva o mesmo nome (taxa de câmbio), mas seu papel como preço relativo, que iguala o fluxo da oferta de divisas (exportação mais investimento direto) com o fluxo de demanda (importação mais remessa de lucro) e organiza a corrente de comércio, explorando as vantagens comparativas, foi se metamorfoseando.
À medida que se ampliou o movimento de capitais, ela transformou-se num outro animal: o preço de um ativo que tem muito mais a ver com as oportunidades de arbitragem financeira internacional do que com o nível de atividade da economia. Passou a servir às conveniências financeiras, muito mais do que às necessidades da economia real e do emprego.
A assimilação da liberdade do movimento de capitais às vantagens comparativas do movimento de bens e serviços nunca passou de puro contrabando ideológico, apoiado na afirmação apriorística que o capital, com sua extrema racionalidade, sempre procuraria aplicações físicas nos países com maiores taxas de retorno a longo prazo. O contrabando foi facilitado pelo truque semântico de chamar de capital duas coisas com efeitos econômicos potencialmente muito diferentes.
Qual, por exemplo, o aperfeiçoamento da alocação dos fatores internos (isto é, para o desenvolvimento econômico) obtido com a atividade de pura arbitragem dos operadores internacionais, que têm em seus portfólios o real e que podem valorizá-lo ou desvalorizá-lo com movimentos especulativos capazes de alterar as estruturas produtivas? Qual a vantagem de aceitar o financiamento externo para a dívida do governo, quando ela é dissipada em consumo e não em investimentos de infraestrutura?
Talvez houvesse alguma vantagem se essa arbitragem levasse, efetivamente, a taxa de juro real da economia a igualar-se à taxa de juro real do mundo. Nessa circunstância, a taxa de câmbio recuperaria seu papel alocativo e ajudaria as políticas monetária e fiscal que levam ao desenvolvimento. Mas alguém pode acreditar nisso com a política econômica que praticamos nas últimas duas décadas?
O problema da China é que ela também não acredita! Abriu pequenas frestas para o capital financeiro, mas radicalizou no controle da sua taxa de câmbio (como se vê no gráfico ao lado), que agora incomoda o mundo.
É difícil precisar os números, mas toda a evidência disponível sugere que o yuan deve estar desvalorizado entre 25% e 40% com relação ao dólar (o nosso real, ao contrário, está valorizado entre 15% e 20%!). Isso dá à China uma formidável vantagem competitiva, sem contar os múltiplos e disfarçados suportes adicionais do Estado chinês à exportação.
O incômodo ficou mais forte em fevereiro, quando as exportações chinesas revelaram um crescimento anual de 46% (com todo o mundo ainda encolhendo). Em janeiro, os Estados Unidos registraram um déficit comercial de US$ 37 bilhões: US$ 18 bilhões com a China, US$ 7 bilhões com petróleo e US$ 12 bilhões com o resto!
O presidente Obama começa a sofrer pressão dos sindicatos. E não pode ignorá-la com uma eleição em novembro. O Congresso, pela mesma razão, está exigindo que o próximo relatório do secretário do Tesouro afirme, com clareza, que a China manipula a sua moeda, o que abriria automaticamente um processo legislativo e obrigaria o presidente a agir. Com o nível de tensão emocional vigente, isso poderá degenerar em grave ameaça de irracional protecionismo. A sugestão que hoje encontra apoio no Congresso é uma tarifa geral de 25% sobre todos os produtos chineses.
A situação não é fácil nem para os EUA nem para a China. O gráfico anterior mostra que o último movimento chinês foi no primeiro semestre de 2005 e terminou no primeiro semestre de 2008. A política de lenta apreciação controlada provocou, naquela ocasião, uma especulação financeira que aumentou as reservas chinesas em quase US$ 500 bilhões e ajudou a acelerar a taxa de inflação de 1% para 8% ao ano no mesmo período. A China tem feito ouvidos moucos à reclamação do mundo. Agora, com a luz vermelha acesa, despachou às pressas seus negociadores para os EUA. Gato escaldado tem medo de água fria...
Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras
E-mail: contatodelfimnetto@terra.com.br
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Tuesday, March 23, 2010
Monday, March 22, 2010
358) Cambio chines e o Brasil, segundo Henrique Meirelles
Câmbio chinês não afeta o Brasil, diz Meirelles
Ricardo Gozzi
O Estado de S. Paulo, 22.03.2010
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que o Brasil está menos preocupado com a fraqueza da moeda chinesa do que outras grandes economias que reclamam do yuan. Segundo Meirelles, a economia brasileira está sendo puxada pela forte demanda interna, e o impacto das importações da China tem importância menor no Brasil do que em países como os Estados Unidos.
Meirelles também disse que ainda não decidiu se permanecerá no cargo até o fim do governo Lula ou se vai se desincompatibilizar da função a tempo de, eventualmente, concorrer a algum cargo eletivo. Ele comentou o assunto ao ser questionado por jornalistas ao término de uma palestra para banqueiros ocorrida, ontem, em Cancún, no México, durante a reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O presidente do BC afirmou que tem tempo para se decidir. O prazo para desincompatibilização do cargo expira em 3 de abril.
A decisão que irei é tomar será, número um: se eu fico no Banco Central ou se eu saio do Banco Central. Se eu ficar, não poderei concorrer a nenhum cargo público e permanecerei no Banco Central até o fim do ano. Se eu decidir sair do Banco Central, então analisarei quais serão as opções disponíveis no momento, declarou Meirelles.
Ele se recusou a comentar rumores sobre a possibilidade de, no futuro próximo, ser chamado para vice numa possível chapa da pré-candidata do PT à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Questionado por um jornalista estrangeiro sobre projetos para que o Banco Central do Brasil se torne uma instituição independente nos próximos anos, Meirelles disse: Não faz parte das atribuições de um presidente do Banco Central mudar as leis do País. Isso cabe ao Congresso Nacional. O que podemos fazer é emitir opiniões. Particularmente, minha experiência como membro do comitê de governadores do BIS (Banco de Compensações Internacionais) e todos os estudos e sondagens lá feitos mostram que, no longo prazo, um banco central legalmente independente provou ser um caminho eficiente e exitoso a ser seguido. Mais uma vez, porém, afirmo que a forma como funciona no Brasil tem dado muito certo.
Eleições. O deputado federal Antonio Palocci (PT-SP), ex-ministro da Fazendo, procurou afastar o risco político na economia brasileira, na noite de sábado, durante evento do BID em Cancún.
Acredito que esta será a primeira eleição (para presidente) na qual as pessoas irão às urnas sem medo de votar e sem que os partidos façam uso do medo para incentivar determinados comportamentos por parte do eleitor, opinou o deputado.
COM REUTERS
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Brasil não está preocupado com iuan, diz Meirelles
Da Redação
Jornal do Brasil, 22.03.2010
O Brasil está menos preocupado com a fraqueza da moeda chinesa do que outros países que reclamam da cotação do iuan, destacou ontem o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles durante o encontro anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Cancun, no México.
Meirelles afirmou que a economia nacional está sendo puxada pela robusta demanda interna.
Segundo ele, o impacto de importações da China é menos preocupante para o Brasil do que para outros países.
As nações exportadoras querem que Pequim abandone sua taxa de 6,83 iuans por dólar imposta em 2008 para ajudar exportadores chineses a lidar com a crise mundial.
As bolhas de capital especulativo não representam risco para a economia real do Brasil, garantiu Meirelles. O risco de bolhas de capital especulativo existe, mas o problema é quando afeta a economia real, e o Brasil tem evitado as bolhas de crédito, diz Meirelles.
O presidente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), José Angel Gurría, alertou em fevereiro passado para o risco de bolhas de crédito em países como Brasil e Índia.
Com agências
Ricardo Gozzi
O Estado de S. Paulo, 22.03.2010
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que o Brasil está menos preocupado com a fraqueza da moeda chinesa do que outras grandes economias que reclamam do yuan. Segundo Meirelles, a economia brasileira está sendo puxada pela forte demanda interna, e o impacto das importações da China tem importância menor no Brasil do que em países como os Estados Unidos.
Meirelles também disse que ainda não decidiu se permanecerá no cargo até o fim do governo Lula ou se vai se desincompatibilizar da função a tempo de, eventualmente, concorrer a algum cargo eletivo. Ele comentou o assunto ao ser questionado por jornalistas ao término de uma palestra para banqueiros ocorrida, ontem, em Cancún, no México, durante a reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O presidente do BC afirmou que tem tempo para se decidir. O prazo para desincompatibilização do cargo expira em 3 de abril.
A decisão que irei é tomar será, número um: se eu fico no Banco Central ou se eu saio do Banco Central. Se eu ficar, não poderei concorrer a nenhum cargo público e permanecerei no Banco Central até o fim do ano. Se eu decidir sair do Banco Central, então analisarei quais serão as opções disponíveis no momento, declarou Meirelles.
Ele se recusou a comentar rumores sobre a possibilidade de, no futuro próximo, ser chamado para vice numa possível chapa da pré-candidata do PT à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Questionado por um jornalista estrangeiro sobre projetos para que o Banco Central do Brasil se torne uma instituição independente nos próximos anos, Meirelles disse: Não faz parte das atribuições de um presidente do Banco Central mudar as leis do País. Isso cabe ao Congresso Nacional. O que podemos fazer é emitir opiniões. Particularmente, minha experiência como membro do comitê de governadores do BIS (Banco de Compensações Internacionais) e todos os estudos e sondagens lá feitos mostram que, no longo prazo, um banco central legalmente independente provou ser um caminho eficiente e exitoso a ser seguido. Mais uma vez, porém, afirmo que a forma como funciona no Brasil tem dado muito certo.
Eleições. O deputado federal Antonio Palocci (PT-SP), ex-ministro da Fazendo, procurou afastar o risco político na economia brasileira, na noite de sábado, durante evento do BID em Cancún.
Acredito que esta será a primeira eleição (para presidente) na qual as pessoas irão às urnas sem medo de votar e sem que os partidos façam uso do medo para incentivar determinados comportamentos por parte do eleitor, opinou o deputado.
COM REUTERS
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Brasil não está preocupado com iuan, diz Meirelles
Da Redação
Jornal do Brasil, 22.03.2010
O Brasil está menos preocupado com a fraqueza da moeda chinesa do que outros países que reclamam da cotação do iuan, destacou ontem o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles durante o encontro anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Cancun, no México.
Meirelles afirmou que a economia nacional está sendo puxada pela robusta demanda interna.
Segundo ele, o impacto de importações da China é menos preocupante para o Brasil do que para outros países.
As nações exportadoras querem que Pequim abandone sua taxa de 6,83 iuans por dólar imposta em 2008 para ajudar exportadores chineses a lidar com a crise mundial.
As bolhas de capital especulativo não representam risco para a economia real do Brasil, garantiu Meirelles. O risco de bolhas de capital especulativo existe, mas o problema é quando afeta a economia real, e o Brasil tem evitado as bolhas de crédito, diz Meirelles.
O presidente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), José Angel Gurría, alertou em fevereiro passado para o risco de bolhas de crédito em países como Brasil e Índia.
Com agências
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Tuesday, March 16, 2010
345) China: crescimento, inflacao e cambio
Com retorno da inflação, Pequim deve subir juros e valorizar um pouco o iuan
Financial Times
Valor Econômico, 16.03.2010
A China está de volta à situação anterior ao colapso do Lehman Brothers. Como no início de 2008, antes que a falência do banco americano desencadeasse a crise financeira mundial, há agora o temor de que a economia chinesa esteja crescendo rápido demais. O crédito está expandindo rapidamente, há sinais de bolhas de ativos por toda parte e uma inflação dos preços ao consumidor está ameaçando afetar as pessoas comuns.
Números recentes mostram que em fevereiro os preços ao consumidor subiram 2,7% em relação ao ano anterior, perto da meta oficial de 3%. Dado o enorme aumento da oferta monetária no ano passado, há riscos de que a inflação escape de controle. Pensar de outra forma equivaleria a argumentar que os fundamentos da economia chinesa continuam fragilizados. É verdade que há dúvidas sobre como a economia andaria sem o estímulo do governo. Mas a produção industrial parece robusta - com alta de 20% tanto em janeiro como em fevereiro. Além disso, há poucos sinais de oferta excessiva da indústria. Longe disso: em fevereiro, os preços das fábricas subiram 5,4%. O premiê chinês, Wen Jiabao, admitiu no domingo que a inflação é uma ameaça à estabilidade social.
É justo reconhecer que as autoridades chinesas têm frequentemente sido mais hábeis do que as ocidentais em seu esforço para equilibrar o crescimento com controle de preços. Neste ano, as autoridades já elevaram por duas vezes o compulsório dos bancos e aumentaram o valor da entrada exigida nas compras de terrenos, para frear a construção. Mas esse tipo de ajuste improvisado, embora às vezes eficaz, pode já não ser suficientes. Uma das razões é que o dinheiro do plano de estímulo está vazando para a economia. Há muita liquidez em busca de poucos ativos. De uma perspectiva mais estrutural, parece que a aparentemente interminável oferta de mão de obra jovem e barata na China está chegando ao fim. A população chinesa começará a envelhecer a partir de 2015. Fábricas em lugares como Guangdong estão brigando para atrair trabalhadores. O resultado é inflação de salários.
O que Pequim pode fazer? Uma opção é aumentar as taxas de juro. Uma aposta cada vez mais segura é de que o banco central elevará um pouco as taxas antes do fim do segundo trimestre. A outra opção é deixar o iuan voltar a valorizar, após uma pausa de 20 meses. Wen disse no domingo que as cobranças de outros países para que a China valorize sua moeda têm intenções protecionistas. Mas a China não precisa elevar seu câmbio para agradar Washington. Deveria fazê-lo para avançar rumo a seus próprios objetivos declarados: estimular seu consumo e sua economia doméstica. Uma valorização, embora não seja uma panaceia, também ajudaria a combater a inflação, ao baratear as importações. É de interesse da própria China iniciar uma valorização modesta. O despertar inflacionário constitui a desculpa perfeita.
Financial Times
Valor Econômico, 16.03.2010
A China está de volta à situação anterior ao colapso do Lehman Brothers. Como no início de 2008, antes que a falência do banco americano desencadeasse a crise financeira mundial, há agora o temor de que a economia chinesa esteja crescendo rápido demais. O crédito está expandindo rapidamente, há sinais de bolhas de ativos por toda parte e uma inflação dos preços ao consumidor está ameaçando afetar as pessoas comuns.
Números recentes mostram que em fevereiro os preços ao consumidor subiram 2,7% em relação ao ano anterior, perto da meta oficial de 3%. Dado o enorme aumento da oferta monetária no ano passado, há riscos de que a inflação escape de controle. Pensar de outra forma equivaleria a argumentar que os fundamentos da economia chinesa continuam fragilizados. É verdade que há dúvidas sobre como a economia andaria sem o estímulo do governo. Mas a produção industrial parece robusta - com alta de 20% tanto em janeiro como em fevereiro. Além disso, há poucos sinais de oferta excessiva da indústria. Longe disso: em fevereiro, os preços das fábricas subiram 5,4%. O premiê chinês, Wen Jiabao, admitiu no domingo que a inflação é uma ameaça à estabilidade social.
É justo reconhecer que as autoridades chinesas têm frequentemente sido mais hábeis do que as ocidentais em seu esforço para equilibrar o crescimento com controle de preços. Neste ano, as autoridades já elevaram por duas vezes o compulsório dos bancos e aumentaram o valor da entrada exigida nas compras de terrenos, para frear a construção. Mas esse tipo de ajuste improvisado, embora às vezes eficaz, pode já não ser suficientes. Uma das razões é que o dinheiro do plano de estímulo está vazando para a economia. Há muita liquidez em busca de poucos ativos. De uma perspectiva mais estrutural, parece que a aparentemente interminável oferta de mão de obra jovem e barata na China está chegando ao fim. A população chinesa começará a envelhecer a partir de 2015. Fábricas em lugares como Guangdong estão brigando para atrair trabalhadores. O resultado é inflação de salários.
O que Pequim pode fazer? Uma opção é aumentar as taxas de juro. Uma aposta cada vez mais segura é de que o banco central elevará um pouco as taxas antes do fim do segundo trimestre. A outra opção é deixar o iuan voltar a valorizar, após uma pausa de 20 meses. Wen disse no domingo que as cobranças de outros países para que a China valorize sua moeda têm intenções protecionistas. Mas a China não precisa elevar seu câmbio para agradar Washington. Deveria fazê-lo para avançar rumo a seus próprios objetivos declarados: estimular seu consumo e sua economia doméstica. Uma valorização, embora não seja uma panaceia, também ajudaria a combater a inflação, ao baratear as importações. É de interesse da própria China iniciar uma valorização modesta. O despertar inflacionário constitui a desculpa perfeita.
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