Saturday, March 20, 2010

356) Google vs China - The Economist


Google and China
Failed search - Google ponders leaving China
The Economist, Mar 18th 2010

HONG KONG - BARRING an unlikely reconciliation, it is all but certain that by the end of March Google will withdraw from China, a place where it has succeeded commercially but failed to convince the authorities that information wants to be free. The expected departure comes after several attempts to hack its e-mail system, ever stronger censorship of its searches, legal complaints tied to its digitisation of books, and—always a worrying sign in China—growing vitriol in the state-controlled press.

If Google, which first raised the prospect of withdrawal in January, seems to have hesitated on the way to the door, there are 400m reasons why. That is the number of people in China, the government reckons, who use the internet. Increasingly, they are choosing it over other media, notably television, as a source of entertainment, information and opinion, say Max Magni and Yuval Atsmon of McKinsey, a consultancy. Over the past decade revenues from digital advertising have grown exponentially, admittedly from a tiny base, and the trend, predicts Mr Atsmon, will continue for some time.

Foreign companies operating in China have been quick to see this potential but largely unable to grasp it. Facebook, Twitter and YouTube are all explicitly blocked. EBay faltered because of its own managerial errors, but also because of delayed approval for PayPal, its online payment system, which this week announced a partnership with a Chinese rival. Yahoo! caused a stir by allowing the Chinese authorities to probe its users’ e-mails in a hunt for political dissidents—something it has since pledged not to do.

There are now domestic Chinese equivalents of all these sites—Baidu for Google, Taobao for eBay, Renren for Facebook, QQ for instant messaging, games and social networking—and they are doing well (see chart). The vast traffic they attract brings huge potential revenues and lots of useful data that could help them shape the internet in future, rather than merely following Western models, says Duncan Clark, chairman of BDA China, a consultancy.

To the extent that Western firms have seized on the growth of the internet in China, it has often been as a marketing tool. McKinsey cites two examples: Nestlé has promoted coffee in a tea-drinking country with clever online ads about the joy of a coffee break, and Nokia has run music promotions and competitions, accessed via its handsets, in conjunction with video sites.

Outright revenues from the internet may become even harder to capture in years to come as China takes further steps to control access. Content providers like Google have always needed to obtain local licences, and have thus been required to have a Chinese subsidiary or partner. As awkward as this has been, new rules expand these impediments, requiring the licensing of domain names and, potentially, foreign sites as well.

Google’s mooted departure sends a chilling message to companies that remain. Advertisers and workers can both see that they will be better off with entities the Chinese government favours, which means domestic firms. A withdrawal would also cast a new light on Google itself. It is often perceived to be successful because of advanced technology, but, as China shows, it thrives only to the extent that local laws permit it to link to content and distribute it without interference. Alter the legal environment and the commercial results are quite different.

355) Manobra contabil diminui deficit chines

Manobra contábil reduz o déficit chinês de 2010
Andrew Batson, de Pequim
The Wall Street Journal, 16/03/2010

O Ministério da Fazenda da China mudou a contabilidade de alguns gastos governamentais de um jeito que permitiu a Pequim anunciar um déficit abaixo do nível simbólico de 3% do PIB para 2010, revela um exame da documentação orçamentária.

A mudança nas práticas contábeis, revelada brevemente num relatório do ministério, ressalta a vontade do governo chinês de exibir finanças públicas saudáveis num momento em que os mercados mundiais estão cada vez mais desconfiados de déficits e endividamentos, em meio a uma crise na Europa precipitada pela incapacidade da Grécia de cumprir o limite de 3% para déficit na zona do euro.

A manobra contábil suscita questões sobre transparência num momento em que o governo chinês, fortalecido pelo bom desempenho econômico do país no auge da recessão mundial, tem se mostrado mais crítico sobre como outros países administram suas economias.

Numa entrevista coletiva anteontem, o premiê Wen Jiabao disse que queria garantias dos EUA de que iriam honrar suas obrigações para com compradores de títulos de dívida americanos. Wen também acusou os EUA de depreciar sua moeda para pressionar a China a permitir que a moeda chinesa se aprecie, isso tudo para melhorar as exportações americanas.

Ontem, um grupo suprapartidário de 130 membros da Câmara dos Deputados dos EUA, numa carta ao presidente Barack Obama, reivindicou um amplo esforço para levar Pequim a mudar sua política cambial, incluindo tarifas sobre importações chinesas em caso de resistência (leia texto abaixo).

As finanças da China, segundo as medidas oficiais, continuam mais saudáveis do que as dos EUA e de vários países europeus, embora autoridades chinesas estejam cada vez mais preocupadas com as dívidas ainda não descobertas de governos locais.

A mudança contábil simplesmente transfere os gastos de um ano para o outro e não indica que a situação geral das finanças governamentais chinesas esteja pior do que divulgado. O Ministério da Fazenda chinês prometeu manter o déficit fiscal abaixo de 3%, mesmo limite da zona do euro.

Num relatório ao Legislativo chinês, o ministério calculou que o déficit total de 2010 será de 2,8% do PIB, "basicamente o mesmo do ano passado". Mas uma contabilidade de caixa rígida dos gastos governamentais aumentaria o déficit de 2010 para 3,5% do PIB previsto e encolheria o déficit de 2009 para 2,2% do PIB, segundo cálculos do Wall Street Journal checados por três economistas.

A Grécia e outros países europeus usaram no decorrer dos anos manobras contábeis para poder atingir suas próprias metas de 3%.

Não está claro por que o governo chinês é tão apegado à meta de 3%. A China não é obrigada a manter o déficit abaixo desse patamar e vários economistas estrangeiros dizem que o governo pode operar mais no vermelho. O país não enfrenta pressão de mercados financeiros mundiais para enxugar as finanças públicas, já que seu enorme montante de poupança faz com que tenha pouca necessidade de tomar emprestado no exterior.

Mas o governo é questionado frequentemente por investidores e pelos próprios chineses sobre se os dados oficiais realmente representam o estado real da economia importante de mais rápido crescimento no mundo.

Num relatório de 2008 sobre transparência das finanças governamentais preparado pela ONG International Budget Partnership, a China recebeu nota 14 de um total de 100, a Índia recebeu 60 e os EUA, 82.

A diferença na contabilidade do déficit de 2010 tem a ver com o tratamento de 260,82 bilhões de iuans (US$ 38,16 bilhões) em gastos dos governos locais, que foram "transferidos" de 2009. Segundo o relatório do ministério, o dinheiro foi alocado para projetos em 2009 mas não foi gasto. Embora o dinheiro vá ser gasto em 2010, ainda é contabilizado como parte do orçamento de 2009.

Em respostas por escrito a perguntas do WSJ, o ministério confirmou que o dinheiro "transferido" não está incluído no orçamento de gastos para 2010.

Não é raro contabilizar as despesas no período em que o compromisso de pagá-las é feito e essa prática, o regime de competência, é empregada na contabilidade usada por várias empresas.

Mas a maioria dos governos, como a China, historicamente tem preferido o regime de caixa, que conta a receita e os gastos só quando o dinheiro é pago ou recebido.

De acordo com esses princípios, a contabilização de todo o dinheiro que o governo realmente vai gastar em 2010 necessita que os fundos sejam "carregados" para os 8,453 trilhões de iuans de despesas orçadas. Isso aumentaria em 260,82 bilhões de iuans o total de 1,05 trilhão orçado para 2010, aumentando o déficit previsto para 3,5% do PIB, em vez de 2,8%.

O verdadeiro déficit orçamentário da China em 2010 pode terminar menor que previsto, já que se baseia numa previsão da fazenda de crescimento de 8% na receita, considerada conservadora demais. O ministério também orçou para um crescimento de 8% na receita do ano passado, quando a expansão na verdade foi de 11,7%.

354) Google vs China: free speech at the forefront...

In China, Google users worry they may lose an engine of progress
By John Pomfret
Washington Post, Saturday, March 20, 2010; A01

BEIJING -- When Google announced that it would pull out of China if it had to continue censoring content, Zhao Hun went to the Internet giant's Beijing headquarters with a bouquet of flowers.

Google's China headquarters in Beijing, March 15, 2010. (Vincent Thian - AP)

For the popular blogger and human rights activist, the flowers signified his support for Google's battle for freedom of expression -- but they also underscored a loss. Chinese send flowers to funerals. To Zhao and many others here, the Jan. 12 announcement foreshadowed Google's demise in China -- and the end of something else: the notion that China would continue to slowly evolve as a more tolerant nation.

"I used to believe that over time there would be more freedom and openness," Zhao said. "But I haven't seen it so far. I feel lost."

Since coming to China in 2005, Google has, as in much of the rest of the world, become embedded in the lives of its users. Its search engine Google.cn has almost one-third of the market share in a country with 350 million Internet users. Hundreds of government officials have Gmail accounts, according to estimates by one senior Chinese official involved in monitoring the Internet. Chinese exporters can't work without Google Translate. An estimated 12 million Chinese use Google Maps every day. Scientists and researchers rely on the Google Reader and Google Scholar for the latest in academic work.

"When I meet something unfamiliar, my first reaction is to Google it," said Chen Xiaoqiang, a 30-year-old instructor at a business school, sounding like the average Web-savvy American. "Even when I can't find my glasses, I have the impulse to search for them on Google."

"Without Google, our academic research will be seriously affected," said Ma Yuanye, a 55-year-old biologist based in Kunming in southwest China. "If Google is blocked, we will see nothing but darkness."

But Google's exit would mean something else to Chen, Ma and others like them -- a kind of abandonment, they say. Although many who were interviewed said they supported Google's decision to confront the Chinese government, they also said its departure would make them feel even more marginalized in Chinese society, stuck between a state committed to controlling information and a freer outside world.

Even though it didn't dominate the Chinese market, Google's presence put pressure on its main Chinese search engine competitor, Baidu, to limit questionable practices such as mixing ads with search results.

There are ways to work around the government barriers. Some Internet users join a virtual private network that allows them to jump what is known as China's Great Firewall and access the uncensored Web. But only an estimated 400,000 Chinese have accounts with commercial VPN services, for $25 to $40 a year. And the Chinese government blocks free VPN sites.

In the end, as is true in most places, Google matters here.

It has been targeted by the government for months. On June 18, China's state-run television accused Google of providing links to pornographic content. A reporter on air with a computer screen next to him entered the search term for "son." The result, he claimed, was "mother-son incest."

Later that night, the popular "Focus Interview" program featured an interview with a university student named Gao Ye. Gao recounted how one of his classmates became fixated with pornography after searching for it on Google.

But then online researchers discovered that Gao was not just a student but an intern at the TV station, casting doubts on his on-air claims. Online researchers also turned up evidence of large-scale searches for "mother son incest" from Internet service provider addresses located near the TV station, leading some to conclude that the Google search had been fixed from the outset.

It is unclear how the attacks on Google might have played into the U.S.-based company's decision to vow to stop censoring its search engine results. Google spokespeople have declined to comment.

What does appear certain is that Google is following through with its threat to close at least its Google.cn search engine. The Chinese Business News newspaper on Friday quoted an unidentified business agent close to Google as saying the firm would cease some operations in April. A Google spokesman declined to comment. Earlier Chinese news reports cited official sources saying discussions between the company and the government are at an impasse.

Tencent, China's biggest online chat service, already has a search engine and may have plans to improve it. Even the state-run New China News Agency might get into the game. Baidu's stock has jumped almost 50 percent since Google's January announcement.

For its part, the Chinese government has looked at Google's threats with alarm, although publicly it has sought to appear unconcerned. Google's departure would mark the first time that a major corporation has left China since Levi Strauss pulled out in 1993 after alleging "pervasive" violations of human rights in the country. (It returned to China in 2008.)

Chinese officials have expressed concern in internal meetings, several participants said, that a Google pullout could result in an anti-government backlash, comparable to the anti-government sentiment that led to massive student protests in 1989. In part to head off such an outpouring, the government has sought to frame the Google fight as a battle against American imperialism.

"The United States has been weakened by the international financial crisis and its wars against terrorism so the U.S. has shifted its strategic center from the military to the Internet," said the People's Daily, the mouthpiece of the ruling Communist Party. "Google has become a tool of the U.S. to implement its Internet hegemony."

That thinking has begun to influence some Google users in China.

"Google knew that China had Internet censorship when they entered the market several years ago, so why didn't they say anything then?" asked Liao Guanhui, a 29-year-old real estate investor in the southern province of Guangdong. "I'm sure there is pressure from the U.S. government. The U.S. is trying to push the Chinese government. But this is irritating. And the Chinese government won't agree."

Staff researchers Zhang Jie and Wang Juan contributed to this report.

Friday, March 19, 2010

353) Exchange battle: yuan to the forefront

Hands Off the Yuan
BY DAN NEWMAN, FRANK NEWMAN
Foreign Policy, March 16, 2010

The escalating calls for China to rebalance its currency are based on deeply flawed assumptions and will only make Americans pay more for their favorite products -- like iPhones.

Pick something up from your desk or countertop, anything at all. Chances are that it was made in China. We just tried that experiment -- and our clock and stapler came from Chinese factories, along with $296 billion of other goods imported into the United States last year.
Those imports are the driving force behind calls for a stronger Chinese yuan and the renewed threat of a congressional bill to add a 27.5 percent tax on Chinese products -- calls that China has pushed back against, with Premier Wen Jiabao reiterating the country's determination to keep the yuan "basically stable." And both are based on the assumption that if the yuan is more expensive relative to the dollar, U.S. domestic production will rise and the U.S. trade imbalance will fall. But neither assumption is correct.
For one, U.S. domestic production is actually rising -- even if employment in manufacturing is not. The percentage of jobs in the sector has dwindled from 20 percent of the total in 1979 to 10 percent today, not due to China so much as U.S. innovation. Over time, manufacturing has become more automated and efficient, and factories now produce more goods with fewer workers (many of whom have transitioned into the service industries). The United States today produces nearly a quarter of all global goods, up from about a fifth a decade ago -- even with fewer employees. The problems of the American factory worker are real, but cannot be solved with trade embargoes against Beijing.
China's dramatic manufacturing growth over the same period makes it look like Guangzhou has stolen jobs from Detroit. But the growth of China's manufacturing sector, and its accompanying jobs, came at the expense of other countries in Asia, not across the Pacific. Televisions and audio equipment that once came from Japan, for instance, are now made in China. By 2007, Japan produced 6 percent less of the world's goods than it did in 1995 while China produced 7 percent more, rising to an 11 percent share of the global total. Goods once made in Thailand, Malaysia, and Singapore are increasingly made or assembled in Chinese factories. What is striking about all those items on your desk is not how many are made in China, but how few are made in other Asian countries, even ones with low-cost workers and friendly trade policies.
Making Chinese products more expensive in the United States will do nothing to shift production to U.S. factories. Let's say that a certain kind of cell phone costs $100 if made in China and $200 if made in the United States. Using tariffs to increase the price of the Chinese version to $130 does little to make the domestically produced version more attractive, and nothing to encourage local hiring. Furthermore, increasing the value of the yuan does not increase U.S. exports by making them cheaper abroad. If the yuan rises in value, it does not spur Germans to start driving Fords.
Plus, a strong yuan in many cases means higher costs for U.S. goods, too. A large proportion of goods imported from China are not end-state products, but components ready for assembly. A U.S. auto manufacturer that uses Chinese car seats, for instance, pays more for the seats under a strengthened yuan and then either cuts into its profits or charges higher prices on the finished vehicle. Domestic clothing companies loudly protested a proposed tax on imported cotton fabrics for precisely that reason. If the prices of Chinese components (like fabric) and simple goods (like buttons) rise, the prices of finished products made primarily in the United States rise in turn. All that does is increase costs for American consumers.
A rise in the yuan, though, would nudge production toward other developing countries, giving the United States an artificial indicator of success: the trade deficit specific to China would fall. But the overall trade imbalance would likely actually worsen. To buy the same $100 phone, an American would send $130 to Beijing or perhaps $120 to Singapore. In either case, more dollars would go abroad for the same goods.
In the case of an iPhone, the real cost in the store is closer to $300 -- but very little of that money goes to China, whose workers assemble the device. That final step adds just $4 of value to the phone, whose components come from other countries. Singapore builds the core processor, and the United States provides the touch screen -- and keeps most of the profit. If the proposed 27.5 percent tax applies only to the $4 assembly, the overall cost will rise just one dollar, hardly affecting consumer choices. But if it were applied to the whole phone, pushing the price closer to $400, any drop in demand would cause greater losses to American firms than to Chinese ones.
The trade deficit will not improve even with goods made entirely in China if the tariff (or increased value of the yuan) exceeds the impact on consumer demand. When Chinese goods leap in price 30 percent, Americans cut back their purchases. Imagine that before the price increase, every day 10 Americans bought a shirt for $10. At the increased $13 price, though, two of them (20 percent) decide to skip the purchase. The other eight now pay a total of $104 -- more than all 10 did before. The rising prices make the trade deficit worse because it takes more money to buy fewer items.
Still, it remains the rule that policy recommendations about exports focus nearly exclusively on currencies -- ignoring the economic realities. For instance, about 90 percent of U.S. production is consumed domestically, so any move that increases the cost of production is borne primarily by Americans. Moreover, policy recommendations about exchange rates neglect the fact that foreign exchanges are high volume and highly volatile, hardly providing a solid foundation for Washington initiatives.
There is a better way to improve the U.S. trade deficit and help American workers and consumers. To do so, Washington needs to help provide opportunities for U.S. exporters.
A better economic grounding can be found in the exchange of actual goods and services. Because U.S. manufacturing output has grown but domestic demand has wavered, foreign markets offer a natural opportunity. China often protests that it would like to import more from the United States, but there are excessive U.S. export controls -- such as on security-related goods, like closed-circuit cameras. The White House estimates than more $40 billion in additional goods could be sold annually without any threat to national defense.
There is also truth to Washington's claim that Beijing could do more to open its markets to U.S. goods and that so doing would benefit both Chinese consumers and U.S. producers. For instance, the United States has world-class companies in fields such as express delivery, financial services, consumer safety, and medical products -- services and products in demand in China. But China restricts the activities of foreign firms and has currency controls that make it difficult for mainland companies to buy U.S. services. Removing such impediments would heighten trade as much as $60 billion a year, Oxford Economics estimated in 2006.
Further gains could be made through increased Chinese enforcement of intellectual property protections and patents, improving the demand for genuine American products. Unlike import tariffs, which China has met with retaliatory measures, market access and product protections are areas where China has shown a willingness to negotiate for mutual benefit.
That benefit might prove substantial, if pursued on a wiser course than through currency intervention. The currency market is enormous and volatile, and it is a poor place to pin hopes for stable improvement. The United States and its skilled workers will see more success by focusing on improving ways to get their goods and services to the billions of people who want them.

Dan Newman is a writer and economics researcher in Seattle. Frank Newman is chairman and chief executive officer of Shenzhen Development Bank. He is a former chief executive officer of Bankers Trust, chief financial officer of Wells Fargo and Bank of America, and deputy secretary of the U.S. Treasury.

Thursday, March 18, 2010

352) China e Brasil: viloes comerciais, na visao dos EUA

Para EUA, Brasil e China enterram negociação
Assis Moreira
Valor Econômico, 18.03.2010

Os Estados Unidos estão demonizando o Brasil e a China, acusando os dois grandes emergentes de causarem dificuldades para o presidente Barack Obama na área comercial, revelam fontes com acesso direto aos negociadores com poder de decisão nos EUA. Um amontoado de queixas em relação ao Brasil e China foi o que mais ouviram autoridades que recentemente visitaram Washington. Na ocasião, a maior potência do planeta teria enviado os piores sinais possíveis para a área comercial.

No caso do Brasil, a administração Obama alega que a retaliação de US$ 830 milhões (incluindo patentes, remédios, filmes etc.) complica politicamente sua atuação no Congresso e, ao mesmo tempo, enterraria de vez tentativas da Casa Branca de retomar a negociação global em Genebra.

Na semana que vem, os 153 países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) voltarão a examinar o que fazer com a combalida Rodada Doha de liberalização comercial, já que apenas um país, os EUA, estão bloqueando qualquer avanço. Houve uma tentativa de se marcar uma reunião ministerial, de maior peso, mas Washington a bloqueou. E a reunião de altos funcionários na semana que vem foi encurtada.

A avaliação na cena multilateral é que a retaliação brasileira está servindo de novo pretexto para os EUA desviarem a atenção da incapacidade do governo Obama de negociar, já que não tem condições, atualmente, de assinar nem um acordo comercial com o Panamá. Pelo clima em Washington, o sentimento de observadores é de que dificilmente a administração Obama terá condições de apresentar uma proposta de compensação ao Brasil nos próximos dias para evitar a sanção contra bens americanos.

Em Genebra, os americanos não tocam no assunto do algodão. A impressão é que os EUA querem não apenas que o Brasil não retalie, como peça desculpas por estar incomodando, notam certos observadores. Não apenas o Congresso está entrincheirado no apoio protecionista a seus agricultores, como a equipe de Obama mostraria uma inação, ou até uma incompetência, para tratar com os parlamentares que não querem nem ouvir falar de liberalização ou compromissos.

Uma negociação - na OMC ou bilateralmente - demanda, de todo modo, a reforma da lei agrícola americana. Só que o Congresso não quer mudar os programas para o algodão, os principais beneficiários de subsídios e com lobby fortíssimo entre os parlamentares. Eles não querem alterar nada para viabilizar uma negociação global, e não é a retaliação do Brasil que vai mudar essa situação, diz fonte que conhece bem a posição americana.

Há dois modos de agir quando se perde uma disputa na OMC. A União Europeia foi condenada na briga do açúcar com o Brasil e usou a decisão para facilitar a reforma de seu regime de subsídios, considerado ilegal. Já os EUA têm posição contrária e certos negociadores falam de intimidação bilateral.

Em relação à China, os torpedos também aumentaram. Com déficits público e comercial enormes, os EUA não cessam de acusar Pequim de manipular a taxa de câmbio e manter a moeda desvalorizada em relação ao dólar, o que torna as exportações chinesas particularmente competitivas, ao mesmo tempo que protege o mercado chinês contra produtos americanos.

Esta semana, 130 parlamentares republicanos e democratas enviaram uma carta ao Departamento do Tesouro, exigindo que o governo Obama imponha sobretaxa aos produtos originários da China. Longe de se intimidar, os chineses dizem que não vão alterar sua política cambial. E, por outro lado, cobraram dos EUA que sejam mais cuidadosos na administração econômica, porque estão preocupados com o desempenho da economia americana.

A China e o Japão, os dois maiores credores dos EUA, voltaram a diminuir seus estoques de títulos do Tesouro americano, em janeiro, quando a demanda estrangeira caiu para US$ 19 bilhões, comparada aos US$ 63 bilhões em dezembro. O estoque chinês ficou em US$ 889 bilhões e o do Japão, em US$ 765,4 bilhões.

351) China's obsession with the dollar

La obsesión de China con el dólar
por Swaminathan S. Anklesaria Aiyar y Arvind Subramanian
Cato Institute, 11 de agosto de 2009

Swaminathan S. Anklesaria Aiyar es Académico Titular de Investigaciones del Centro para la Libertad y la Prosperidad Global del Cato Institute.
Arvind Subramanian es Académico Titular del Peterson Institute for International Economics.

El Banco Popular de China recientemente reiteró la necesidad de una moneda global para rivalizar al dólar estadounidense—mediante un rol ampliamente expandido para los Derechos de Giro Especial (DEG) del FMI. El asunto fue resaltado en la reciente cumbre de los países emergentes—el grupo compuesto por Brasil, Rusia, India y China—y volvió a surgir en la reunión del G8.

China tiene razón de pensar que el colapso global se debe en parte al abuso por parte de EE.UU. del estatus del dólar como moneda de reserva de valor. Pero esto ha sido ayudado y estimulado por las políticas mercantilistas de China que han creado un inmenso superávit en la cuenta corriente y una liquidez en exceso. La búsqueda de China de una moneda de reserva internacional alternativa tiene un toque de ironía: el distribuidor de la droga está presionando al adicto para que se reforme.

¿Acaso la propuesta le conviene a China? Esto podría parecer una pregunta extraña, dado que la propuesta es vista como en gran parte algo beneficioso para dos objetivos de la China. El primero es advertir a EE.UU. que evite políticas que derivarían en un colapso del dólar e infligirían inmensas pérdidas de valor sobre el componente en dólares—estimado en $1,2 billones—de las reservas extranjeras de China. Habiendo creado una acumulación en dólares mediante sus políticas mercantilistas, China busca preservar el valor de lo que ha acumulado.

El segundo y más importante propósito es político. Al pedir un rol más grande para los DEGs a expensas del dólar, China busca reducir el poder político y financiero de EE.UU. En gran parte por la misma razón, la propuesta de China ha sido respaldada por Rusia, Brasil, India y otros países en desarrollo que desde hace mucho se han quejado del estándar tácito del dólar. Esto países, lejos de ser admiradores del FMI, consideran que estarían mejor teniendo algo de influencia sobre una moneda respaldada por el FMI que nada de influencia sobre la moneda estadounidense.

China debe saber que la creación de una moneda internacional totalmente nueva y poderosa es un sueño sin asidero. El dólar es fuerte porque EE.UU. ha tenido una economía doméstica gigantesca y la habilidad de cobrarle impuestos a sus ciudadanos para honrar sus obligaciones. El FMI no tiene un PIB ni una capacidad de cobrar impuestos. Pero China siente que un rol expandido del DEG podría ser un punto medio que podría diluir la dominación estadounidense.

La dominación del dólar será reducida solamente cuando otro país emerja con un PIB lo suficientemente grande y una capacidad para cobrar impuestos que compita con EE.UU. en proveer una moneda de reserva. Ese país es obviamente China. En este momento China todavía es un país en vías de desarrollo, pero tal vez en poco más de una década se convertirá en un país de ingreso alto, y su PIB empezará a acercarse aquel de EE.UU. Su PIB total ya excede aquel de Alemania. En términos de manejo fiscal, ya se ha comportado mejor que EE.UU. y Europa. Mientras que China se enriquece, su enfoque económico cambiará de las exportaciones hacia el consumo doméstico. En algún momento le resultará más beneficioso dejar de micro-administrar su tipo de cambio, y en cambio dejar que su moneda flote, como todos los principales poderes económicos.

Históricamente, los países han pasado de tener monedas “suaves” a tener monedas “duras” (intercambiadas a través de las fronteras) luego de haber tenido grandes superávits en la cuenta corriente por un periodo considerable, y por lo tanto han surgido como países acreedores. Inglaterra logró obtener estatus de acreedor en los 1800s y EE.UU. lo hizo a principios de los 1900s y los mercados los recompensaron con el estatus de monedas duras. Ellos retuvieron ese estatus inclusive después, cuando tuvieron déficits.

China ahora ha conseguido el estatus de acreedor. Y conscientemente o de otra manera, sus últimos pasos están presionándola hacia una moneda dura. Busca hacer de Shanghai un centro financiero internacional. Ha acordado arreglos para intercambiar el yuan con varios países, incluyendo a Brasil y Argentina. Busca fortalecer la iniciativa de Chiang Mai para crear un grupo regional de monedas asiáticas de reserva intercambiables. Estas tres medidas unilaterales, bilaterales y regionales constituyen pasos hacia una moneda dura. Si China se admite así misma hacia donde lleva este camino, su actitud hacia los DEGs cambiará. Una vez que se convierta en un país de moneda dura, no verá ventajas—y verá claras desventajas—en reducir el rol de las monedas duras y expandir aquel de los DEGs. Estará donde EE.UU. está hoy.

El interés de China en los DEGs es miope. En tratar de limitar la influencia de EE.UU. hoy, podría estar, torpemente, construyendo una camisa de fuerza para si misma el día de mañana. Por supuesto, China podría luchar ahora mismo por un mayor rol de los DEGs y repudiar aquellos en el futuro cuando el yuan se dirija hacia convertirse en una moneda de reserva. Pero eso sería groseramente conveniente. En cambio, ¿Por qué no prepararse para el día cuando EE.UU. y Europa clamen por dinero fiat internacional para reducir la dominación del yuan chino?

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350) Nacionalismo economico da China preocupa multinacionais

Nacionalismo econômico preocupa múltis na China
Andrew Browne e Jason Dean
Valor Econômico, 18.03.2010

Algumas empresas estrangeiras afirmam que seu relacionamento com a China está começando a azedar, à medida que políticas governamentais mais rígidas e a intensificação da concorrência interna se juntam para deixar um dos mercados mais importantes do mundo menos simpático às multinacionais.

Entrevistas com executivos, advogados e consultores com longa experiência na China apontam para acontecimentos que, segundo eles, estão tornando mais difícil a vida para muitas empresas estrangeiras. Eles dizem que as mudanças sugerem que Pequim está reavaliando a ênfase dada há algum tempo pela China à abertura de sua economia a empresas estrangeiras - cujo maior exemplo são as mudanças que fez para entrar na Organização Mundial do Comércio, em 2001 - e pendendo à promoção de empresas estatais com forte presença.

No mais recente ataque às companhias estrangeiras, as autoridades de uma província rica próxima de Xangai criticaram na terça-feira a qualidade de marcas ocidentais de roupas de luxo, entre elas Hermès, Hugo Boss, Tommy Hilfiger, Versace e Dolce & Gabbana.

Na semana que vem, a Câmara Americana de Comércio da China vai divulgar um novo levantamento com seus membros que, segundo se espera, vai documentar uma queda no otimismo.

Executivos da área de tecnologia dizem que estão altamente preocupados com regras de compras governamentais divulgadas no fim do ano passado, que favorecem fornecedores locais que ofereçam inovação nativa. As regras, se implementadas, podem limitar o acesso estrangeiro a dezenas de bilhões de dólares em contratos para o fornecimento de computadores, equipamentos de telecomunicações, equipamentos de escritório e outros produtos.

Regras de patente impostas desde 1º de fevereiro ameaçam elevar os custos de inovadores estrangeiros na China em setores como o farmacêutico e permitem que autoridades forcem farmacêuticas estrangeiras a licenciar a produção a empresas locais, a preços estabelecidos pelo governo.

Executivos de vários setores dizem que a liberalização promovida pela entrada da China na OMC está estancando. Fabricantes estrangeiras de turbinas eólicas e painéis de energia solar informam que estão sendo excluídos de grandes projetos de energia renovável. Barreiras de regulação limitam na prática a participação no setor de seguros: as empresas estrangeiras só podem ter 4,7% do mercado de seguro de vida na China a partir de junho, e 1% do mercado de seguro comercial, de acordo com a PricewaterhouseCoopers.

Eu sou pró-China e sou a favor de fazer negócios na China, mas tenho sérias preocupações em relação ao que está acontecendo nos últimos 12 meses, disse Fraser Mendel, advogado do escritório americano de advocacia Schwabe, Williamson & Wyatt.

As autoridades chinesas rejeitam as queixas de que o ambiente para as empresas estrangeiras tenha piorado, mas há sinais de que os principais líderes estão reparando nas preocupações.

O ministro chinês do Comércio Exterior, Chen Deming, chamou os principais executivos na China de mais de 20 multinacionais para uma reunião este mês, promovida como uma chance para ouvir questões que sejam motivos de preocupação, disse um participante. Chen prometeu que a China vai continuar resolutamente a abrir seus mercados, mas criticou o protecionismo no Ocidente.

No domingo, o primeiro-ministro, Wen Jiabao, prometeu que a China vai implementar inarredavelmente sua política de abertura. Ele admitiu que seus contatos com investidores estrangeiros não têm sido tão próximos e prometeu aumentar a interação.

Muitos executivos estrangeiros dizem que veem um aumento no nacionalismo econômico, acelerado pelo desempenho superior da China durante a recessão e por um recente desdém pela gestão econômica ocidental.

A crise econômica e a retração deram ânimo àqueles que vinham se opondo aos esforços para liberalizar os mercados, disse Duncan Clark, presidente do conselho da BDA, uma consultoria com sede em Pequim.

Sinais de nacionalismo são evidentes na formação de estatais para dominar seus setores como potências nacionais, geralmente às custas de empresas privadas chinesas, bem como das estrangeiras. De companhias aéreas à mineração, passando por laticínios, as políticas governamentais estão expandindo o papel do Estado em muitos setores.

Um ano atrás, numa ação que críticos estrangeiros chamaram de protecionista, autoridades chinesas vetaram uma oferta da Coca-Cola de comprar a China Huiyuan Juice, afirmando que ela iria sufocar empresas menores e elevar os preços ao consumidor. As duas juntas teriam apenas um quinto do mercado chinês de sucos.

Em julho, quatro executivos da gigante mineradora anglo-australiana Rio Tinto foram detidos, acusados inicialmente de roubar segredos de Estado, em meio a tensas negociações entre mineradoras globais e o setor siderúrgico chinês para determinar o preço do minério de ferro. A Rio Tinto nega que seus homens tenham ferido a lei. Ontem, a empresa e o governo australiano informaram que os executivos irão a julgamento na segunda-feira, respondendo a acusações que foram reduzidas a pagamento de propinas e furto de segredos comerciais.

Os problemas do Google ressaltam o clima de frustração. A empresa de buscas na internet, há muito incomodada com as regras chinesas de censura, ameaçou em janeiro sair da China depois de dizer que um ataque de hackers chineses invadiu sua rede de computadores. Ataques semelhantes atingiram dezenas de multinacionais. O Google deve em breve fechar seu site chinês, Google.cn., deixando que empresas locais dominem um mercado de internet com 400 milhões de usuários.

O problema do Google teve um efeito cristalizador, disse Lester Ross, sócio-gerente em Pequim da firma americana de advocacia Wilmer Cutler Pickering Hale and Dorr. Ele elevou a consciência do governo e dos conselhos de empresas e outras partes interessadas em relação às dificuldades de se fazer negócio na China, diz ele.

Os investidores estrangeiros há muito tempo se queixam do complicado sistema legal e regulatório da China. Mas isso não passava de mera irritação quando a China era um mercado emergente. Atualmente, o enorme mercado chinês é cada vez mais fundamental para a saúde de grandes multinacionais ocidentais. Se perderem lá, dizem executivos ocidentais, essas multinacionais sairão enfraquecidas mundialmente.

Alguns setores não foram significativamente prejudicados. Montadoras, como a Volkswagen e a General Motors, beneficiaram-se enormemente da expansão do mercado chinês no ano passado. Mas a mídia estatal noticiou planos governamentais de aumentar o mercado das marcas nacionais para 50% dos automóveis até 2015, ante 44% no ano passado. (Colaborou Loretta Chao)

349) Indice Big Mac de desvalorizacao do yuan


The Big Mac index
Exchanging blows
Our Big Mac index shows the Chinese yuan is still undervalued

The Economist, March 17th 2010

RECENT renewed American calls for China to revalue its currency have so far fallen on deaf ears. China has rejected accusations that America's huge trade deficit with it is caused largely by an artificially weak yuan, which has been pegged to the dollar since July 2008. Economists point out that a depreciation of the yen did little to help reduce America's trade deficit with Japan in the 1980s. But the yuan is unquestionably undervalued. Our Big Mac index, based on the theory of purchasing-power parity, in which exchange rates should equalise the price of a basket of goods across countries, suggests that the yuan is 49% below its fair-value benchmark with the dollar.

Wednesday, March 17, 2010

348) US raises Europe to exchange complaint

Will China Listen?
Editorial New York Times
March 17, 2010

The drumbeat of complaints in Washington about China’s manipulation of its currency — and the deafening silence pretty much everywhere else — might lead one to think that this is just an American problem. It isn’t.

China’s decision to base its economic growth on exporting deliberately undervalued goods is threatening economies around the world. It is fueling huge trade deficits in the United States and Europe. Even worse, it is crowding out exports from other developing countries, threatening their hopes of recovery.

After treading lightly on the subject of China, President Obama vowed last month to “get much tougher” about China’s cheap currency. On Monday, 130 members of Congress sent a letter to Treasury Secretary Timothy Geithner, demanding that the Obama administration designate China as a currency manipulator in a report due to Congress next month. On Tuesday, a bipartisan group of senators introduced a bill aimed to force the administration’s hand. This would ease the way to imposing retaliatory trade barriers against Chinese goods.

So far, China has been defiant. On Sunday, after the close of the annual National People’s Congress, Prime Minister Wen Jiabao rejected American complaints as “a kind of trade protectionism” and made clear that he had no plan to do anything differently.

Since 2003, China’s central bank has been purchasing huge amounts of dollars to keep the value of its currency, the renminbi, artificially low against the dollar. China backed away somewhat in 2005, allowing its currency to appreciate slowly from 8.25 renminbi to the dollar to about 6.83 renminbi by 2008. As the global recession hit, China slammed on the brakes in order to protect its exports. The renminbi has remained at about 6.83 since then, and the pain has been felt in countries as far apart as Mexico and India.

Beijing’s intervention is a textbook example of the beggar-thy-neighbor competitive devaluation forbidden by the International Monetary Fund’s charter.

The challenge now is how to persuade China to at least moderate its strategy without unleashing something even more destructive. As the decibel level has risen in Washington, Chinese officials have implicitly warned that they could retaliate by dumping Treasury bills from their central bank’s $2.4 trillion cache.

This would be risky for both countries. The move would weaken the dollar and lessen the value of China’s holdings. The United States might weather a sell-off or even benefit from the drop in the dollar’s value, but any precipitous move could further disrupt the skittish financial markets. And Beijing has other potential weapons, like tariffs and quotas. There is no guarantee of rationality in these showdowns. The fallout from a trade war would be felt around the world.

It makes a lot more sense to address the problem in a multilateral setting, where China couldn’t portray itself as a weak, righteous fighter holding out against arbitrary American power. Retaliation, or even the threat, would carry more legitimacy if it were part of a multilateral agreement and done on a world stage.

One way would be to press the I.M.F. to officially pronounce on whether China is breaking the rules and manipulating its exchange rate. That is part of the fund’s job, though it has preferred not to pick the fight. China would find it far harder to reject an I.M.F. determination than any American criticism. It could open the door for other aggrieved trading nations to eventually seek legal redress at the World Trade Organization.

Even before that, it would help if some other countries — certainly those in the European Union, but perhaps aspiring players including India and South Korea — started publicly making the case that the cheap renminbi is hurting them, too.

The world’s battered economy is certainly in no shape to keep absorbing China’s exports, subsidized through a cheap currency policy. The more countries that say this, the more likely Beijing will consider changing course — and the less likely this disagreement will escalate into a fight that no one can win.

Tuesday, March 16, 2010

347) China: ascensao de uma estrela politica?

Ascensão de líder local desafia PC chinês
Geoff Dyer, Financial Times
Valor Econômico, 16/03/2010 – pág. A12

Nova geração: Considerado populista, Bo Xilai ganha destaque que normalmente só é dado à cúpula do partido: apesar de não pertencer à cúpula do Partido Comunista, Bo Xilai foi a estrela da reunião anual do Legislativo chinês, que acabou domingo

No Congresso Nacional do Povo, que ocorreu nos últimos dez dias, um homem vinha dominando as discussões entre a elite reunida. Quando ele chegou 40 minutos atrasados para uma reunião no fim de semana, no Grande Salão do Povo, os espectadores foram atropelados pelo batalhão de jornalistas de TV que acompanhavam essa figura alta e fotogênica. Quem está provocando todo esse rebuliço, normalmente reservado aos astros do cinema, é Bo Xilai, o presidente do Partido Comunista na cidade de Chongqing, na China central.

Nos últimos seis meses, Bo está em uma cruzada que já lhe rendeu incontáveis manchetes de jornais e cutucou um ninho de vespas em Pequim. O governo de Chongqing vem realizando uma campanha geral contra o crime organizado que já levou a mais de 3 mil prisões - incluindo a de um juiz importante - e desencadeou clamores por medidas parecidas em todo o país. Bo também vem encorajando uma onda de nostalgia pela era Mao, que muitos percebem como menos corrupta. Os usuários de telefones móveis da cidade sempre recebem "mensagens de texto vermelhas", com frases famosas do Grande Líder.

A campanha de Bo está rompendo os laços que existem entre os funcionários locais do Partido Comunista e a crescente cultura de gângsters. Mas seu impacto está indo bem além das províncias. Para começar, indica que a batalha pela sucessão na liderança do partido em 2012 - potencialmente um período turbulento, quando 7 dos 9 membros serão substituídos - está ganhando velocidade. Se o governador de um Estado americano lançasse uma agenda que chamasse tanta atenção, a suposição seria de que ele estaria concorrendo à Presidência - e é exatamente isso que Bo Xilai está fazendo.

"Ele está tentando abrir caminho até Pequim", diz Huang Jing, professor da Universidade Nacional de Cingapura, sobre o ex-ministro do Comércio. "É uma aposta arriscada mas bem calculada para entrar na 'liderança da quinta geração' [pós-2012]."

As batalhas públicas de Bo também poderão mudar a maneira como a política é praticada num sistema dominado por acordos de bastidores e decisões consensuais. O presidente Hu Jintao exemplifica um certo tipo de político - competente, sério e habilidoso no trato com a burocracia interna do partido. Ao apelar para o apoio popular e relegar a elite política, o carismático e midiático homem de Chongqing está entrando num território novo - pode chamar isso de populismo com características chinesas.

"Ele é um dos novos políticos populistas chineses, que são mais acessíveis", afirma David Shambaugh, professor da Universidade George Washington, baseado em Pequim.

A popularidade de Bo pode marcar uma mudança no comportamento da próxima geração de líderes chineses, tanto em casa como fora do país, com uma maneira mais aberta e menos rígida, mas também potencialmente mais errática e, segundo temem alguns, nacionalista.

Há tempos Bo, hoje com 60 anos, é uma estrela política em ascensão. Filho do herói revolucionário Bo Yibo, ele cresceu em Pequim e a vida inteira esteve no Partido Comunista ou ocupando cargos no governo. Ele se tornou conhecido na década de 1990 como prefeito da cidade de Dalian, e depois como governador da Província de Liaoning, ambas no nordeste do país, antes de se mudar para Pequim para comandar o Ministério do Comércio em 2004, quando teve várias negociações tensas com Peter Mandelson, então comissário do Comércio da União Europeia. Ao promover agressivamente projetos de modernização urbana no nordeste, ele chamou a atenção daqueles que defendem a reforma econômica, mas suas campanhas contra a corrupção também estão lhe rendendo o apoio de grupos mais conservadores.

Entretanto, no congresso do Partido Comunista de 2007, ele viu dois membros de sua geração serem promovidos para o Comitê Permanente da cúpula do partido, formado por nove membros: Xi Jinping, que deverá assumir o lugar de Hu Jintao em 2012-13; e Li Keqiang, que deverá se tornar primeiro-ministro. Bo foi nomeado secretário do Partido Comunista da municipalidade de Chongqing, que vem crescendo em ritmo acelerado - tecnicamente é uma promoção, mas, aos olhos de alguns, é um passo para o lado.

Ele vem fazendo de tudo para que a cidade não se transforme em uma pasmaceira política. No verão passado, as primeiras prisões foram feitas em uma operação que recebeu o nome de "tornado anti-Tríade". A população acompanhou com atenção os detalhes sobre os gângsters da cidade. Uma das prisões de maior repercussão foi a de Xie Caiping, conhecida como "a madrinha do submundo de Chongqing", por causa de sua rede de cassinos (um deles ficava do outro lado da rua onde fica o prédio da Suprema Corte).

Rapidamente as prisões começaram a expor os tentáculos do crime organizado. Wang Li, um professor de direito da Universidade de Chongqing que escreveu um livro sobre gângsters, diz que o crime organizado começou a se ampliar depois de 2000, quando a economia chinesa começou a explodir. "Eles começaram a entrar em negócios legítimos como o mercado imobiliário, ameaçando outros interessados em leilões de terrenos para que não aumentassem seus lances", diz ele.

Os julgamentos também revelaram até onde vão os laços dos gângsters com o governo local, especialmente com a prisão de Wen Qiang, um ex-delegado de política e presidente do bureau de justiça da cidade, que é cunhado de Xie. O mais graduado dos mais de 50 funcionários do governo presos, ele está sendo acusado de aceitar 16 milhões de yuans (US$ 2,3 milhões) em propinas, além de estuprar uma estudante. Algumas das propinas ele recebeu de membros do governo que tentavam conseguir promoções.

Mais abrangente que outros esforços anticorrupção, esse vem sendo conduzido em público - tendo sempre Bo, formado em jornalismo, como "líder de torcida". As Tríades estão retalhando pessoas como açougueiros retalham animais", disse ele a jornalistas no ano passado.

Além disso, a campanha vem sendo acompanhada por uma revitalização dos símbolos da era Mao. E isso não envolve apenas as citações de Mao. Nas reuniões do partido, diante das câmeras de TV, ele gosta de liderar os membros em execuções de canções revolucionárias. No novo campus universitário da cidade, uma estátua de 20 metrosde altura do Grande Timoneiro se eleva acima das salas de aula e dos alojamentos que a rodeiam.

Bo não é o primeiro político a criar uma personadessas, tão amigável à mídia - o primeiro-ministro, Wen Jiabao, por exemplo, usou aparições na TV para organizar o esforço de socorro depois do terremoto de Sichuan em 2008, e às vezes se chama de Avô Wen, quando está em meio às pessoas comuns. Mas, numa era em que o Partido Comunistabusca uma nova cola ideológica para substituir as velhas realidades marxistas, Bo abraçou o manual do populismo com maior entusiasmo que qualquer outro.

"Ele está mostrando que qualquer que queira ser bem-sucedido precisa aprender como se destacar na mídia - esse é o atalho para a fama e o poder", afirma Bo Zhiyue, um acadêmico da Universidade Nacional de Cingapura. "Mas, no contexto chinês, você precisa conseguir um equilíbrio delicado entre querer fazer as coisas e certificar-se de que não vai alienar muitos amigos em Pequim."

Certamente a campanha anticorrupção de Chongqing embaraçou partes da elite política. He Guoqiang, um membro do Comitê Permanente, é um ex-presidente do Partido Comunista em Chongqing; assim como Wang Yang, hoje encarregado da Província de Guangdong e outro astro em ascensão que tem boa relação com a mídia e ambiciona um cargo mais graduado em 2012. Ambos agora enfrentam perguntas sobre como deixaram o crime organizado prosperar.

Isso também vem criando problemas para o presidente Hu, que está ciente do efeito corrosivo que a corrupção pode ter sobre a legitimidade do partido. Espalham-se pelo país clamores por medidas de combate ao crime organizado e seus políticos aliados, ao estilo de Chongqing. A campanha não só fez os esforços anticorrupção de Pequim parecerem inócuos, como as revelações no julgamento de Wen Qiang de que promoções dentro do partido são compradas e vendidas criaram uma pressão popular ainda maior por medidas moralizadoras. O veredito no caso de Wen ainda não foi anunciado.

Segundo Liang Jing, o pseudônimo usado por um comentarista político, "Bo Xilai transformou uma crise no governo local, que levou anos para se formar, em uma crise de opinião pública e política que é muito desfavorável para Hu".

Mesmo assim, não é apenas a elite política que está em alerta por causa da cruzada de Bo. Ele também vem preocupando defensores da reforma política que veem seu estilo como um passo atrás. Os críticos afirmam que sua tumultuada "campanha de massa" lembra a Revolução Cultural, e apontam para o surgimento de um culto à personalidade. (Um sucesso recente a circular na internet na China é uma música sobre Bo com letras que dizem: "Seus olhos são como um par de espadas cintilando na luz fria. Você permanece firme diante do mal. Os corruptos tremem à simples menção de seu nome".)

Lian Yue, um blogueiro conhecido, comentou: "Ver como é fácil para Chongqing lançar uma revolução cultural em pequena escala é uma tragédia para todo o povo chinês".

Esses temores aumentaram com a prisão de Li Zhuang, um advogado que representava um dos gângsters de Chongqing. Após o acusado ter declarado no tribunal que foi torturado pela polícia, Li foi acusado de encorajar seu cliente a mentir. Li, que inicialmente confessou, mas depois retirou a confissão, foi sentenciado a 18 meses de cadeia.

Embora Li seja uma figura controvertida nos círculos legais chineses, sua condenação deixou advogados apavorados. Segundo Mo Shaoping, o mais destacado advogado chinês especializado em direitos humanos: "Esse caso é um golpe devastador para todos os advogados. É um caso clássico em que a política substitui as leis e as regras".

Alguns observadores temem que o populismo de Bo possa estar mostrando o rumo que os futuros líderes chineses poderão tomar se a economia enfraquecer. "A tentação de se aproveitar do ressentimento e do nacionalismo será grande dessa maneira", afirma Huang Jing. "Seria muito perigoso se isso acontecesse, tanto para a China quanto para o resto do mundo."

Por todas essas razões, o destino político de Bo será observado atentamente. O professor Bo (sem parentesco) acredita que a popularidade de Bo Xilai é hoje tão grande que se a próxima liderança fosse decidida pelo voto dos 3 mil delegados do Congresso Nacional do Povo, ele seria escolhido presidente. "Da mesma maneira que em 2008 todo mundo estava falando de Obama, na China todo mundo está falando de Bo Xilai", diz ele. Essas decisões ainda são tomadas por um pequeno grupo de elite, mas outros analistas políticos acreditam que Bo tem uma boa chance de conseguir uma posição no Comitê Permanente, talvez no Ministério da Segurança.

Mesmo assim, Bo também fez muitos inimigos entre os políticos mais graduados, que não gostam de seu perfil midiático e o acusam de arrogância. Uma nova liderança só será escolhida daqui mais de dois anos, e os rivais ainda poderão atacar vazando histórias comprometedoras sobre ele ou sua família.

Há sinais de que Bo está ciente dos perigos. Artigos de jornais recentes sugerem que a campanha contra os criminosos de Chongqing está perdendo força. Em uma entrevista concedidas a jornalistas recentemente, ele ficou irritado quando lhe perguntaram sobre suas ambições políticas. "Estamos aqui para discutir o relatório sobre o trabalhodo governo entregue pelo primeiro-ministro Wen Jiabao", disse ele. A pergunta foi então apagada da transcrição online do "Diário do Povo". Na China, o populismo tem seus limites.

Corrida por cargos na sucessão de 2012 vai a pleno vapor
Financial Times, 16/03/2010

Ao que parece, a nova liderança da China foi acertada em um congresso do Partido Comunista em 2007. Os membros mais graduados do partido decidiram que em 2012-13, Xi Jinping vai assumir as funções de presidente do partido e a Presidência do país, atualmente ocupada por Hu Jintao; Li Keqiang de ser o próximo premiê.

Embora haja algumas dúvidas sobre o processo desde então - Xi não conseguiu uma esperada promoção no último outono chinês para a comissão que cuida dos militares -, a maior parte dos analistas acredita que a sucessão está nos trilhos.

Mas mesmo assim ainda há muito pelo que jogar. Com pouca transparência ou procedimentos estabelecidos, essas decisões de cúpula não são todas tomadas antes do último minuto. Mais importante é que a sucessão diz muito mais respeito que apenas os dois maiores cargos. Na hierarquia do Partido Comunista Chinês, o primeiro-ministro Wen Jiabao é na verdade o número três.

Desde a morte de Mao Tsé-tung, em 1976, o partido vem tentando evitar ter uma figura dominante; as decisões mais importantes agora são tomadas por uma liderança coletiva. Acredita-se que o presidente Hu goza de certos poderes de veto e convocação e cancelamento de reuniões. Mas analistas afirmam que, por exemplo, a decisão de valorizar a moeda ou lançar um grande pacote de estímulo econômico é tomada pelos nove membros do Comitê Permanente do Partido Comunista. Assim, ser um membro do Comitê Permanente é uma posição muito mais influente do que estar no gabinete ministerial do governo dos EUA.

Na transição de 2012-13, entre 5 e 7 membros do comitê deverão se aposentar, o que significa que um grande número de funções importantes estará disponível. Os analistas acreditam que é justamente para uma dessas funções que Bo Xilai está se posicionando.

Alguns observadores acreditam que a corrida sucessória já está sendo sentida na vida política chinesa. E pode ser por isso que Pequim recentemente vem adotando uma posição diplomática mais afirmativa e, com os políticos temendo serem taxados de frouxos, concedendo sentenças mais duras a dissidentes.

"A sucessão pode ser um dos motivos pelos quais a situação está mais dura nos últimos meses", diz David Shambaugh, professor da Universidade George Washington. "Quando há incertezas, há também uma tendência de aversão aos riscos e um maior conservadorismo."

346) China-EUA: a relacao se deteriora...

Cresce pressão anti-China nos EUA
Daniel Dombey
Valor Econômico, 16.03.2010

Mais de cem membros do Congresso dos EUA pediram ontem que o governo do presidente Barack Obama classifique a China como país que manipula o câmbio. A iniciativa mostra a pressão que existe para que o governo assuma uma posição de maior confrontação em relação a Pequim.

Numa carta a Timothy Geithner, o secretário do Tesouro, e a Gary Locke, o secretário do Comércio, 130 congressistas pedem que o governo designe a China como manipuladora, quando divulgar seu relatório periódico sobre manipulação de câmbio, no mês que vem.

Os congressistas pedem também a imposição de taxas retaliatórias contra os produtos chineses. Eu não havia visto antes esse grau de entusiasmo dos membros do Congresso, disse Tim Ryan, democrata de Ohio que é um dos congressistas que estão organizando a iniciativa bipartidária. Há muita gente aderindo e a hora é essa.

A carta aumenta a pressão sobre o governo Obama, que vem tentando gerenciar com cuidado suas relações com a China, um dos maiores compradores de títulos do governo americano. Há temores de que um confronto assim possa enervar investidores e minar a recuperação econômica.

O governo Obama tem se mostrado relutante em classificar a China como manipuladora do câmbio e figuras importantes como o próprio Geithner vêm tentando trabalhar com Pequim.

Os EUA vêm procurando apoio da China numa série de questões, desde mudanças climáticas a sanções ao Irã. Mas, com o desemprego nos EUA próximo de 10%, o governo também identifica a suposta supervalorização do iuan como uma prioridade. As demandas da base do Partido Democrata por uma linha mais dura na questão se intensificaram.

É uma questão política importante para os democratas, claro, mas muitos republicanos e pequenos empresários poderiam se beneficiar disso, disse Ryan. Ele elogiou o presidente Barack Obama por ter adotado a atitude mais agressiva no sentido de assegurar nossos acordos comerciais do que qualquer outro presidente em 30 anos.

A carta acrescenta que, depois da classificação formal, os EUA deveriam iniciar negociações com a China a respeito de seu regime cambiaç e sinalizar o desejo de entrar com uma reclamação formal na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Isso é muito arriscado. Tanto do lado americano quanto do chinês, os governos querem manter a relação num patamar igualitário, mas, com as pressões domésticas em alta, há o risco de as coisas saírem de controle, disse Eswar Prasad, especialista da Universidade Cornell e do Brookings Institution.

Em uma carta do mês passado, 15 senadores americanos criticaram Locke por ter fracassado na tentativa de investigar adequadamente as acusações de que a China deliberadamente mantém sua moeda subvalorizada, para manter vantagens comerciais. O Departamento do Tesouro não quis comentar.

345) China: crescimento, inflacao e cambio

Com retorno da inflação, Pequim deve subir juros e valorizar um pouco o iuan
Financial Times
Valor Econômico, 16.03.2010

A China está de volta à situação anterior ao colapso do Lehman Brothers. Como no início de 2008, antes que a falência do banco americano desencadeasse a crise financeira mundial, há agora o temor de que a economia chinesa esteja crescendo rápido demais. O crédito está expandindo rapidamente, há sinais de bolhas de ativos por toda parte e uma inflação dos preços ao consumidor está ameaçando afetar as pessoas comuns.

Números recentes mostram que em fevereiro os preços ao consumidor subiram 2,7% em relação ao ano anterior, perto da meta oficial de 3%. Dado o enorme aumento da oferta monetária no ano passado, há riscos de que a inflação escape de controle. Pensar de outra forma equivaleria a argumentar que os fundamentos da economia chinesa continuam fragilizados. É verdade que há dúvidas sobre como a economia andaria sem o estímulo do governo. Mas a produção industrial parece robusta - com alta de 20% tanto em janeiro como em fevereiro. Além disso, há poucos sinais de oferta excessiva da indústria. Longe disso: em fevereiro, os preços das fábricas subiram 5,4%. O premiê chinês, Wen Jiabao, admitiu no domingo que a inflação é uma ameaça à estabilidade social.

É justo reconhecer que as autoridades chinesas têm frequentemente sido mais hábeis do que as ocidentais em seu esforço para equilibrar o crescimento com controle de preços. Neste ano, as autoridades já elevaram por duas vezes o compulsório dos bancos e aumentaram o valor da entrada exigida nas compras de terrenos, para frear a construção. Mas esse tipo de ajuste improvisado, embora às vezes eficaz, pode já não ser suficientes. Uma das razões é que o dinheiro do plano de estímulo está vazando para a economia. Há muita liquidez em busca de poucos ativos. De uma perspectiva mais estrutural, parece que a aparentemente interminável oferta de mão de obra jovem e barata na China está chegando ao fim. A população chinesa começará a envelhecer a partir de 2015. Fábricas em lugares como Guangdong estão brigando para atrair trabalhadores. O resultado é inflação de salários.

O que Pequim pode fazer? Uma opção é aumentar as taxas de juro. Uma aposta cada vez mais segura é de que o banco central elevará um pouco as taxas antes do fim do segundo trimestre. A outra opção é deixar o iuan voltar a valorizar, após uma pausa de 20 meses. Wen disse no domingo que as cobranças de outros países para que a China valorize sua moeda têm intenções protecionistas. Mas a China não precisa elevar seu câmbio para agradar Washington. Deveria fazê-lo para avançar rumo a seus próprios objetivos declarados: estimular seu consumo e sua economia doméstica. Uma valorização, embora não seja uma panaceia, também ajudaria a combater a inflação, ao baratear as importações. É de interesse da própria China iniciar uma valorização modesta. O despertar inflacionário constitui a desculpa perfeita.

Monday, March 15, 2010

344) Ano do Tigre - Wilhelm Hofmeister (OESP)

Ano do tigre
Wilhelm Hofmeister
O Estadao de S.Paulo, 10 de março de 2010

Gong xi fa cai (feliz ano-novo chinês). Em toda parte do Leste e Sudeste da Ásia se comemora nestas semanas o início do novo ano. De acordo com o calendário lunar, no dia 14 fevereiro começou o "ano do tigre". Depois da crise e do mau humor do ano passado, espera-se uma nova dinâmica. Porque o tigre encarna a força, a coragem e a capacidade de superar situações difíceis, ele é reverenciado em muitos países asiáticos como símbolo nacional: na Índia, em Bangladesh e Mianmar, na Indonésia, Malásia e Coreia.

Agora seria o momento para montar o tigre. Esse conselho não é somente dado pelos mestres de Feng Shui, que nestas semanas em muitos lugares são procurados por seus conselhos e previsões. Os executivos de fundos de investimentos também enfatizam que seria o momento justo para investir em valores asiáticos. Assim expressam a confiança em que os fundamentos das economias asiáticas são atualmente melhores do que em outras partes do mundo. Além disso, uma recuperação da economia global só traria mais vantagens para as bolsas de valores e os mercados asiáticos.

Especialmente na China, falaram, por ocasião das comemorações do ano-novo, que neste ano do tigre a economia do país "voltará a rugir". Sem dúvida, o último ano e meio fortaleceu o perfil e a autoconfiança do país. Depois que contribuiu decisivamente para superar a crise internacional de 2009, a China, segundo alguns comentários na imprensa do país, deve em breve se tornar um "tigre real". Mesmo em 2009 o país alcançou uma taxa de crescimento de 8,7%. Embora as exportações tenham diminuído 16%, pela primeira vez ela ultrapassou a Alemanha como o maior país exportador. Cortes fiscais e subsídios ajudaram a que ele tenha se tornado o maior mercado de automóveis do mundo. Agora, a próxima meta é ultrapassar o Japão como a segunda economia mundial. O presidente Hu Jintao, motivado pelo ano-novo, chamou toda a nação a fazer esforços especiais para avançar nos ajustes para que o crescimento sustentável e o desenvolvimento social possam ser permanentemente garantidos.

A nova autoconfiança chinesa é demonstrada não só na área da economia, mas também no palco da política internacional. Isso os líderes de Pequim deixaram claro em várias oportunidades, nas últimas semanas - especialmente em controvérsias com os EUA. O anúncio feito por Washington de vender armas a Taiwan no valor de US$ 6,4 bilhões tem sido criticado por Pequim tão fervorosamente como a recepção do Dalai Lama pelo presidente Barack Obama na Casa Branca. Parece que para ressaltar que a crítica estrangeira à situação política interna não tem efeito algum, no dia 11 fevereiro foi confirmada a condenação do professor de literatura Liu Xiaobo a 11 anos de prisão por "subversão". Liu Xiaobo, um dos mais conhecidos dissidentes de hoje, exige o respeito aos direitos humanos e a democracia em seu país. O presidente Obama havia intercedido pela liberação de Liu durante sua visita a Pequim, em novembro do ano passado. A condenação desse dissidente deve ser entendida como uma demonstração dos dirigentes chineses de que não aceitam "interferência externa" em matéria de direitos humanos. Além disso, atualmente a China não aparece disposta a um entendimento com os EUA e os europeus na questão das sanções contra o Irã por sua política nuclear. Anteriormente, em Copenhague havia negado concessões nas negociações sobre um acordo climático.

Com esse comportamento teimoso, os dirigentes chineses às vezes irritam os seus vizinhos e parceiros que esperam que o país, com o aumento do seu peso econômico, também aceite maior responsabilidade no sistema internacional. Mas Pequim, acima de tudo, está buscando seus próprios interesses em favor de seu desenvolvimento nacional. Não se trata de impor a sua vontade aos outros. A China não é imperialista. Mas é egoísta. Na perseguição de seus interesses, respeita os regimes internacionais somente quando parecem úteis a seus próprios fins. Mas ainda não mostra plena conformidade ou aceitação dos valores e normas fundamentais dos regimes que organizam a ordem e a convivência internacional. Isso é válido tanto no que se refere aos direitos humanos como às regras do comércio ou do sistema financeiro internacional.

Mesmo se a China, no ano do tigre, continuar a ganhar força, sua influência e suas ambições terão limites. Por um lado, estes são marcados pelas consequências do progresso econômico para a própria sociedade e seu sistema político. Os conflitos no interior da China durante o ano passado deram uma amostra das tensões sociais provocadas pelo processo de modernização. O rápido desenvolvimento econômico tem levado a um grau de injustiça que muitas pessoas não querem aceitar. Por isso muitos observadores esperam que nos próximos anos aumente a demanda social em prol de uma reforma política, com a abertura de espaços participativos e a exigência de transparência, previsibilidade e respeito às regras de um Estado de Direito. Por outro lado, o governo chinês, nas suas relações externas, tem de fazer esforços significativos para ganhar a confiança dos seus vizinhos asiáticos. A presença da China na Ásia cresceu consideravelmente. Mas, enquanto a sua contribuição para a segurança e a estabilidade da região não fica evidente, os vizinhos preferem confiar no provedor tradicional de segurança, os EUA.

Apesar do otimismo destas últimas semanas na Ásia, e especialmente na China, os mestres de Feng Shui experientes advertem contra a arrogância. Lembram que no ano do tigre as pessoas tendem a ter reações de sangue quente e provocar conflitos. Talvez isso explique algumas das reações e declarações do governo chinês durante as últimas semanas.

O tigre rugiu. Domesticá-lo não será uma tarefa fácil.

Wilhelm Hofmeister é diretor do Centro de Estudos da Fundação Konrad Adenauer em Cingapura

343) China vs EUA: a guerra monetaria...

Obama sob pressão para declarar que China controla iuan
Alex Ribeiro, de Washington
Valor Econômico, 15/03/2010

O governo Obama sofre pressão política crescente para declarar que a China manipula a cotação de sua moeda, o iuan, para turbinar suas exportações. Dentro de um mês, o Departamento do Tesouro vai enviar ao Congresso a sua lista semestral de países que usam artifícios para enfraquecer sua taxa de câmbio, um primeiro passo para os americanos tomarem medidas mais drásticas contra práticas que consideram desleais. "Não quero transmitir a impressão de que sou um fã do [ex-presidente] Ronald Reagan, mas a administração Obama deveria fazer o mesmo que Reagan fez com o Japão", disse em um seminário na sexta-feira o sindicalista Leo W. Gerard, do poderoso USW, que representa os metalúrgicos americanos.

Reagan conseguiu fazer o Japão valorizar a sua moeda em 1985 nos Acordos do Plaza, assim chamados porque a reunião que selou os entendimentos ocorreu no Hotel Plaza, de Nova York. Na época, os japoneses cederam depois de o Congresso aprovar uma sobretaxa aos produtos do país.

Cálculos de dois economistas do Instituto Peterson, um influente centro de estudos de Washington, mostram que a moeda chinesa está 40% subvalorizada em relação ao dólar. Segundo o mesmo estudo, o real brasileiro se encontra valorizado em 15,4%, tomando como base as cotações de dezembro, quando o dólar oscilava em torno de R$ 1,74, não muito distante da cotação atual de R$ 1,76.

O economista Paul Krugman, Prêmio Nobel, acha que até uns cinco anos atrás ainda havia alguma justificativa para os Estados Unidos não reagirem à moeda chinesa. "Ela significava produtos mais baratos, fluxos de capital e juros menores", disse na sexta-feira, em seminário organizado pelo Instituto de Política Econômica, um centro de estudos de Washington. Hoje, ponderou, a demanda nos Estados Unidos cresce abaixo da oferta, e as importações chinesas fazem a economia rodar ainda mais abaixo da sua capacidade.

Ele calcula que, em virtude do câmbio desvalorizado chinês, a economia americana perca algo como 1,5% de seu crescimento. "Não temos nenhum benefício com o déficit comercial com a China. Não deveríamos ter medo de pressioná-los a suspender a manipulação do câmbio." O mercado, porém, receia que a eventual valorização do iuan leve à queda do financiamento da dúvida pública dos Estados Unidos, o que faria os juros subirem. O déficit comercial americano é bancado com capitais chineses, dirigidos sobretudo à compra de títulos do Tesouro.

Krugman argumentou que, de um ano e meio para cá, a China já deixou de comprar dívida americana de longo prazo, mas não houve efeito significativo na curva de juros do Tesouro. Pela mais recente estatística, a China entregou para o Japão o título de maior detentor de papéis americanos.

Do ponto de vista prático, uma eventual declaração pelo Tesouro de que a China manipula sua moeda obrigaria o governo americano a abrir uma negociação entre os dois países para resolver o problema. O Tesouro seria obrigado a prestar contas de suas negociações com a China ao Congresso.

Há cerca de dez dias, a China deu indicações de que poderia valorizar a moeda. Alguns analistas creem que isso seria conveniente para o país lidar com suas pressões inflacionárias. Ontem, no entanto, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, rechaçou a avaliação de que o iuan está subvalorizado. Segundo ele, a China se opõe a que os "países comecem a se acusar mutuamente ou tomem medidas fortes para forçar outras nações a valorizar as suas moedas". Jiabao criticou os países que depreciam a própria moeda e tentam pressionar os outros a apreciá-las, para aumentar as exportações. "Na minha visão, isso é protecionismo", disse ele, fim da sessão do Congresso Nacional do Povo. Ele acrescentou que a China segue "muito preocupada" com a segurança de seus investimentos em dólar.

O economista Fred Bergsten, do Instituto Peterson, disse que tentativas para persuadir os chineses por meio de diálogo fracassaram, assim como os esforços feitos por organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional. "Os EUA deveriam impor uma tarifa de 25% sobre os países que manipulam suas moedas", disse, no mesmo seminário. Para ele, o governo deveria ser pressionado a agir por uma decisão do Congresso, numa reprodução do modelo dos Acordos do Plaza. "Não gosto, mas não vejo outra alternativa senão impor uma tarifa temporária sobre a China", afirmou Krugman.

O ambiente econômico mundial hoje é bem diferente do que existia na década de 1980. Em tese, a China tem mais instrumentos disponíveis para reagir, como reclamar na Organização Mundial do Comércio (OMC). Bergsten ponderou, porém, que a solução da controvérsia pela OMC seria demorada, e a tendência seria os chineses sentarem para negociar.
(Com agências internacionais)

342) Powerful China defies Western nations

Newly powerful China defies Western nations with remarks, policies
By John Pomfret
Washington Post Staff Writer
Monday, March 15, 2010; A01

BEIJING -- China's government has embraced an increasingly anti-Western tone in recent months and is adopting policies across a wide spectrum that reflect a heightened fear of foreign influence.

The shift has accelerated as China has emerged stronger from the global financial meltdown, with a world-beating economic expansion rate and a growing nationalist movement. China has long felt bullied by the West, and its stronger stance is challenging the long-held assumption shared among Western and Chinese businessmen, academics and government officials that a more powerful and prosperous China would be more positively inclined toward Western values and systems.

China's shift is occurring throughout society, and is reflected in government policy and in a new attitude toward the West. Over the past year, the government of President Hu Jintao has rolled back market-oriented reforms by encouraging China's state-owned enterprises to forcibly buy private firms. In the past weeks, China announced plans to force Western companies to turn over their most sensitive technology and patents to Chinese competitors in exchange for access to the country's markets.

Internally, it has carried out more arrests and indictments for endangering state security over the past two years than in the five-year period from 2003 to 2007, according to a report released Friday by the Dui Hua Foundation, a San Francisco-based human rights organization.

China has also reined in the news media and attempted to control the Internet more vigorously than in the past. This month, it announced regulations designed to make it harder for China's fledgling community of nongovernmental organizations to get financial support from overseas. In foreign affairs, after years of playing down differences, it has reverted to a tone not heard in more than a decade, condemning recent U.S. decisions to sell weapons to Taiwan and to have President Obama meet the exiled Tibetan leader, the Dalai Lama.

"This is a fundamental shift, and I've been here a long time," said James L. McGregor, a senior counselor with the public affairs firm Apco China. "It's a change in national attitude."

For their part, senior Chinese leaders bristle at the notion that China is turning away from reforms or is reluctant to cooperate with Western nations. In a news conference on Sunday, Premier Wen Jiabao said he was aware of "theories about China's arrogance, toughness and triumphalism," but rejected them. Asked about widespread criticism of China's hard-line position at the U.N. Climate Change Conference in Copenhagen, for example, Wen replied: "It still baffles me why some people continue to try to make an issue about China."

Nonetheless, China's legislature, whose annual session ended this weekend, also showed the trend toward toughness. With a reported 700,000 security personnel posted throughout the city for the 10-day session, Beijing was in a virtual lockdown. Inside the Great Hall of the People, the proposals -- albeit spurious -- put forward by the delegates to the National People's Congress included calls for all Internet cafes to be taken over by the government and a declaration that all cellphones should be equipped with surveillance cameras.

The shift does not bode well for U.S.-China relations. The Obama administration entered office with an ambitious China agenda comprising plans to cooperate on climate change, curbing the nuclear ambitions of Iran and North Korea, and stabilizing the global financial system. In China, those plans are generally viewed by the party leadership as a trap to overextend and weaken the country, according to a Chinese official who spoke on the condition of anonymity because he would lose his job if his name were published.

In his news conference, Wen also seemed disinclined to bend to another American demand -- that China allow its currency, the yuan, to appreciate against the dollar, which (theoretically) would boost U.S. exports. Wen countered that he didn't think the yuan is undervalued and that the U.S. method of seeking to enlarge exports through tweaking currency exchange rates is "protectionist."

The change comes during what a leading Chinese economist, Hu Angang, in an interview called "the longest golden era in China since the opium wars" of the 1840s, when British warships forced China to open to trade. From its position as an impoverished, developing country, it has jumped into the ranks of the powerful.

But the closer China gets to a variety of firsts -- No. 1 exporting nation and even No. 1 economy in the world -- the more its government seems to exhibit a nagging insecurity and opposition to the West.

"The Chinese people are no longer embarrassed about being Chinese," said Wang Xiaodong, a leading nationalist writer who has co-authored a series of popular books with titles such as "China Is Unhappy," which capitalized on the growing anti-Western trend. "The time when China worshipped the West is over. We have a rightful sense of superiority."

"People are now looking down on the West, from leadership circles to academia to everyday folk," said Kang Xiaoguang, a professor at Renmin University who studies NGOs and Confucius.

The turn away from the West is evidenced within China's leadership. China's previous president, Jiang Zemin, is widely thought to have been pro-American. He was fond of reciting the Gettysburg Address and crooning American songs. During a trip to the United States in 1997, he took the politically risky move of announcing that China welcomed continued U.S. engagement in Asia -- including the stationing of American troops. On the other hand, Hu, who took power in 2002, is the first Communist leader with no experience outside the current system.

Other factors are at play. It is campaign season in Beijing. In two years, the leadership of the Communist Party will undergo a huge transition, with as many as seven of the nine seats of the Standing Committee of the Politburo -- the center of power -- up for grabs. Nothing looks better in China than being tough on the West.

Secondly, despite its apparent successes, China's leadership continues to be alarmed by international developments -- such as the "color revolutions" inside the former Soviet Union -- and domestic ones as well, such as the anti-Chinese riots in Tibet in 2008 and the northwest province of Xinjiang last year.

A recent example is how the party reacted to the threat by the Internet search company Google, which said it would leave the country if China continued to censor the Internet. Concerned about an outpouring of support in China for the American company, the Ministry of Propaganda framed the issue not as an argument over freedom but as part of a U.S. strategy to contain and isolate China.

On Friday, Li Yizhong, China's minister of industry and information technology, issued China's toughest statement on the dispute yet. "If you want to do something that disobeys Chinese law and regulations, you are unfriendly, you are irresponsible, and you will have to pay the consequences," he warned.

China's policy changes have met with opposition. Not all of its efforts to nationalize private companies have succeeded. And China's plans to compel Western businesses to share their technology have prompted a backlash from a community that does not like to criticize China openly. On that front, Wen on Sunday seemed to give in a little.

"I must say I am still not in very close touch with foreign businessmen doing work in China," he acknowledged. "In the next three years I will create more opportunities . . . to listen to your views."

341) China's trade and exchange policies - New York Times

China Uses Rules on Global Trade to Its Advantage
By KEITH BRADSHER
The New York Times, March 14, 2010

HONG KONG — With China’s exports soaring, even as other major economies struggle to recover from the recession, evidence is mounting that Beijing is skillfully using inconsistencies in international trade rules to spur its own economy at the expense of others, including the United States.

Seeking to maintain its export dominance, China is engaged in a two-pronged effort: fighting protectionism among its trade partners and holding down the value of its currency.

China vigorously defends its economic policies. On Sunday, Premier Wen Jiabao criticized international pressure on China to let the currency appreciate, calling it “finger pointing.” He said that the renminbi, China’s currency, would be kept “basically stable.”

To maximize its advantage, Beijing is exploiting a fundamental difference between two major international bodies: the World Trade Organization, which wields strict, enforceable penalties for countries that impede trade, and the International Monetary Fund, which acts as a kind of watchdog for global economic policy but has no power over countries like China that do not borrow money from it.

China had a $198 billion trade surplus with the rest of the world last year, with its exports to the United States outpacing imports by more than four to one. Despite that, in the last 12 months, Beijing has filed more cases with the W.T.O.’s powerful trade tribunals in Geneva than any other country complaining about another’s trade practices.

In addition, Beijing has worked to suppress a series of I.M.F. reports since 2007 documenting how the country has substantially undervalued its currency, the renminbi, said three people with detailed knowledge of China’s actions.

China buys dollars and other foreign currencies — worth several hundred billion dollars a year — by selling more of its own currency, which then depresses its value. That intervention helped Chinese exports to surge 46 percent in February compared with a year earlier.

Many prominent academic economists see a basic contradiction in the global system of oversight on trade and currency.

“Many of us would like to see the W.T.O.-style commitments — with people’s feet being held to the fire — at other international agencies, like the I.M.F.,” said Jagdish Bhagwati, a Columbia University economist.

Western countries hoped last year to bring international pressure to bear on China, after years of complaining that Beijing keeps the renminbi artificially low.

An undervalued currency keeps a country’s exports inexpensive in foreign markets while making imports expensive. That makes a trade surplus more likely, reducing unemployment for that country while increasing unemployment in its trading partners.

Last September, President Obama, President Hu Jintao of China and other leaders of the Group of 20 industrialized and developing countries agreed in Pittsburgh that all the G-20 countries would begin sharing their economic plans by November. The goal was to coordinate their exits from stimulus programs and prevent the world from lurching from recession straight into inflation.

The G-20 leaders agreed that the I.M.F. would act as intermediary.

But two people familiar with China’s response said that the Chinese government missed the November deadline and then submitted a vague document containing mostly historical data. These people said that China feared giving ammunition to critics of its currency policies at the monetary fund and beyond. Both people asked for anonymity because of China’s attitudes about its economic policies.

If China is found to be manipulating its currency, it could be a political and economic challenge for the Obama administration. President Obama called on Thursday for China to introduce “a more market-oriented exchange rate.” China’s defiant response keeps the administration in a difficult position.

China is the biggest buyer of Treasury bonds at a time when the United States has record budget deficits and needs China to keep buying those bonds to finance American debt. But the Treasury also faces an April 15 deadline for whether or not to list China as a country that manipulates the value of its currency.

If China is listed, that could embolden members of Congress who are already discussing whether to seek restrictions on Chinese exports to the United States. China would certainly criticize such retaliation as protectionism, leading to a broader deterioration in already strained bilateral relations.

China is starting to describe its currency interventions as stimulus. But unlike extra government spending in the United States and other countries, currency intervention does not expand global demand, but shifts it from other countries to China.

Two closely related scourges played a central role in the collapse of world trade in the 1930s: protectionism and beggar-thy-neighbor currency devaluations. World leaders set up two institutions after World War II, now known as the W.T.O. and the I.M.F., to reduce the risk of another Great Depression.

Unlike its predecessor, which had weak arbitration panels whose rulings could be easily blocked by the losing country, the trade organization has had powerful tribunals since 1995. These tribunals can clear the way for the imposition of sanctions running into the billions of dollars.

Filing a case against another country is the heaviest artillery available to countries in trade disputes. But it also is expensive. Preparing a case and pushing it through a tribunal can easily require millions of dollars in legal expenses, and low-income countries seldom file them.

China joined the W.T.O. in 2001 and in its first seven years filed only three cases. But it has stepped up its pace recently, and has filed four of the 15 cases in the last year: two against the United States, on poultry and tires, and two against the European Union, on steel fasteners and poultry.

The monetary fund has not acquired similar powers to the trade organization.

I.M.F. policies call for it to disclose documents and information on a timely basis, with the deletion only of market-moving information. But under the rules a member country may decide to withhold a report, an organization official said.

China allowed the release of its reports until the monetary fund’s executive board decided in June 2007 that reports should pay more attention to currency policies. China has quietly blocked release of reports on its policies ever since, without providing its specific reasons to the I.M.F.

A person who has seen copies of the most recent report last summer said that the monetary fund staff concluded the renminbi was “substantially undervalued.”

The monetary fund regards a currency as substantially undervalued if it is more than 20 percent below its fair market value.

More than four-fifths of the I.M.F.’s members allow publication of the agency’s annual staff reports on their economies. Countries blocking release are mostly tightly controlled places like Myanmar, Sudan, Turkmenistan and Saudi Arabia, although Brazil has also not released its reports.

China’s central bank did not respond to calls and messages seeking comment.

The main indicator of a country’s intervention in currency markets is its level of foreign reserves. China halted the gradual appreciation of the renminbi against the dollar in July 2008; from June 30, 2008, through Dec. 31 of last year, China’s foreign exchange reserves rose by $590 billion. A small part of the increase reflected interest on bonds, the appreciation of stocks and currency fluctuations.

Friday, March 12, 2010

340) Last bunch of maoists (but not in China)


Indian minister: Maoists are a greater threat than Islamic terrorists
Foreign Policy, March 12, 2010

The Indian government is preparing to deploy thousands of soldiers to defeat the country's growing Naxalite Maoist insurgency. Home minister P Chidambaram's description of the threat posed by the Naxalites was striking:

The Home Minister told a media conclave in Delhi that the Maoists and Islamic militants represented the two biggest threats to India’s national security, but the former was the more serious.

“Jihadi terrorism can be countered, usually successfully, if you are able to share information and act in real time,” he said. “But Maoism is an even graver threat.”

The numbers back up Chidambaram's claim:

India has suffered only one attack by suspected Islamist militants - a bombing in the western city of Poona which killed 12 people last month - since the devastating one on Mumbai in November 2008.

By comparison, Maoist violence claimed 908 lives in India in 2009, the highest since 1971, according to the Home Ministry.

Chidambaram pledged that the Maoist threat would be eliminated in two to three years, which seems ambitious given that they're operating in 200 of India’s 626 districts. As a internal rather than transnational threat, the Naxalites don't get much attention in the West. But it stikes me that their potential to damage the credibility of India's democratic government or provoke it into overreaction is probably a serious cause for concern.