Expo Mundial faz Shanghai mais bonita, limpa e organizada
Entrevista com chefe do grupo de voluntários estrangeiros da Expo de Shanghai, Noyan Rona
China Radio Internacional, Portugues, 11/02/2010
Caro ouvinte, a Expo Mundial de Shanghai 2010 começa no dia 1º de maio. Muitos voluntários chineses e estrangeiros ainda trabalham incansavelmente para que tudo esteja pronto no dia da inauguração do evento. No programa "Panorama da Expo de Shanghai" de hoje quero contar a história de um desses voluntários: o turco Noyan Rona.
Noyan Rona é coordenador geral do escritório de um banco turco em Shanghai e também chefe do grupo de voluntários estrangeiros da Expo. Ele vive em Shanghai há 20 anos. O nome dele pode ser desconhecido para você ouvinte, mas em Shanghai Noyan Rona é muito famoso por seu entusiasmo e envolvimento em atividades assistenciais. O turco soube da Expo de Shanghai antes mesmo do grande público, quando há 10 anos teve a primeira ligação com o evento.
"Ainda em 2000, quando Shanghai candidatou-se à sede da Expo Mundial, assumi alguns trabalhos. Uma parte do filme institucional do comitê de Shanghai foi gravada em minha casa. Por isso, posso dizer que sou uma das pessoas que participam da Expo de Shanghai desde seu início. Além disso, tenho acompanhado os preparativos para a solenidade. Quando soube que a candidatura de Shanghai tinha sido a vencedora fiquei muito contente e orgulhoso."
Noyan Rona é detentor de muitas títulos especiais: Cidadão Estrangeiro Honorário de Shanghai, membro do Grupo de Procura pela Civilidade de Shanghai, professor catedrático honorário da Universidade do Noroeste, entre outros. Como se não bastassem tantos compromissos, recentemente ele aceitou ser chefe do grupo de voluntários estrangeiros da Expo Mundial de Shanghai. Noyan entende que essa é uma missão muito importante, pois vai refletir ao mundo a imagem de Shanghai e de toda a China. Nos Jogos Olímpicos de Beijing, o sorriso dos voluntários deixaram uma bela e eterna impressão nas pessoas. Para Noyan, o serviço voluntário da Expo de Shanghai será ainda mais difícil do que o das Olimpíadas. Daí a necessidade de uma formação mais sistemática aos voluntários. Ele disse:
"Os dois eventos têm sistemas diferentes. As Olimpíadas duram apenas 15 dias, mas a Expo Mundial, 6 meses. Por isso é fundamental mais empenho dos voluntários. Vamos concentrar esforços em muitas áreas. Creio que o serviço voluntário da Expo de Shanghai vai superar o dos Jogos Olímpicos de Beijing."
Sendo Noyan especialista na área financeira e econômica, sob seu ponto de vista a Expo de Shanghai pode exercer um importante papel de estímulo à economia mundial e combate à crise financeira. Ele explicou:
"É importante que a Expo seja realizada na China, que na visão de especialistas será o primeiro país a superar a crise econômica. Se fosse realizada em outro lugar, talvez não exercesse a mesma influência no aumento da confiança na luta contra a crise. Mas, quase todo o mundo acredita que a China vai vencer esse momento primeiro. Assim, o evento econômico sediado pela China trará, sem dúvidas, esperança e confiança a todo o povo."
De acordo com Noyan, a Expo de Shanghai não servirá apenas às atividades comerciais, mas como plataforma ao intercâmbio turístico e cultural. Durante o evento, os olhos do mundo estarão sobre Shanghai. Algumas mudanças, segundo ele já podem ser sentidas no cotidiano da cidade:
"A cidade está acelerando a construção de infra-estrutura, que inclui estradas, pontes, manutenção de cruzamentos, passarelas de pedestres, passagens subterrâneas, etc. Todas as obras estão em bom andamento. Espero que Shanghai fique mais bonita, mais limpa e organizada após a Expo Mundial."
Paralelamente às transformações na construção civil, Noyan notou também o aumento do nível de cidadania da população. O governo municipal já distribuiu o Guia da Expo Mundial de Shanghai a 100 mil famílias da cidade. Nele, é possível encontrar detalhes sobre as seguintes questões: o que é a Expo Mundial; o que cada pessoa deve fazer individualmente para acolher o evento; como Shanghai deve se mostrar aos visitantes; como manter a cidade limpa; como criar relações harmoniosas entre pessoas. O objetivo é estimular os cidadãos a contribuir ativamente com a construção de uma vida urbana mais bonita, aperfeiçoando seus gestos, palavras e condutas.
"Agora, devemos fortalecer os aspectos humanos que envolvem a cultura e a vida social. É relativamente fácil o governo municipal aperfeiçoar a infra-estrutura da cidade, mas para uma vida urbana agradável é fundamental a participação de todos os habitantes. Somente assim, as pessoas podem viver num ambiente limpo, cheio de respeito, amor e ajuda mútua."
Monday, February 15, 2010
273) Hu Jintao conversa com Lula por telefone
Hu Jintao conversa com presidente brasileiro Lula por telefone
Renato Lu
China Radio Internacional, 11/02/2010
O presidente chinês, Hu Jintao, manteve hoje (11) uma conversa telefônica com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Eles trocaram opiniões sobre as relações bilaterais e questões de interesse comum.
Durante o telefonema, Hu afirmou que as relações sino-brasileiras vêm se aprofundando nos últimos anos. Disse também que a cooperação bilateral no cenário mundial e a parceria estratégica entre a China e o Brasil correspondem aos interesses e à vontade da população.
O presidente chinês apontou que os membros do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) possuem semelhantes pontos de vista nas questões globais, com imensos potenciais para a cooperação.
Hu ressaltou que a China tem a mesma postura que o Brasil sobre vários temas, como mudança climática. Ele afirmou ainda que deseja reforçar as relações com o Brasil para proteger os interesses dos países em desenvolvimento.
Durante a conversa, Lula parabenizou o povo chinês pelo Festival da Primavera. Ele assinalou que o Brasil prioriza as relações com a China e almeja intensificar as cooperações com o país asiático nos setores de energia e infraestrutura aeronáutica. Lula manifestou a disposição de promover, junto com a China, as cooperações entre os membros do Bric, especialmente no combate ao aquecimento global.
Fonte: Departamento de Língua Portuguesa da Radio Internacional da China
Renato Lu
China Radio Internacional, 11/02/2010
O presidente chinês, Hu Jintao, manteve hoje (11) uma conversa telefônica com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Eles trocaram opiniões sobre as relações bilaterais e questões de interesse comum.
Durante o telefonema, Hu afirmou que as relações sino-brasileiras vêm se aprofundando nos últimos anos. Disse também que a cooperação bilateral no cenário mundial e a parceria estratégica entre a China e o Brasil correspondem aos interesses e à vontade da população.
O presidente chinês apontou que os membros do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) possuem semelhantes pontos de vista nas questões globais, com imensos potenciais para a cooperação.
Hu ressaltou que a China tem a mesma postura que o Brasil sobre vários temas, como mudança climática. Ele afirmou ainda que deseja reforçar as relações com o Brasil para proteger os interesses dos países em desenvolvimento.
Durante a conversa, Lula parabenizou o povo chinês pelo Festival da Primavera. Ele assinalou que o Brasil prioriza as relações com a China e almeja intensificar as cooperações com o país asiático nos setores de energia e infraestrutura aeronáutica. Lula manifestou a disposição de promover, junto com a China, as cooperações entre os membros do Bric, especialmente no combate ao aquecimento global.
Fonte: Departamento de Língua Portuguesa da Radio Internacional da China
Saturday, February 13, 2010
272) Brics summit preparation in Brazil
Brazil Deputy FM kicks off China trip for BRIC summit
By Qin Jize (chinadaily.com.cn)
China Daily, 11.02.2010
Brazilian Deputy Foreign Minister Antonio Patriota will kick off his first official trip to China today, making the last preparations for President Hu Jintao's attendance to the upcoming BRIC summit in Brazil.
Patriota is scheduled to call on Foreign Minister Yang Jiechi and Minister of Commerce Chen Deming tomorrow to exchange views on bilateral and multilateral issues.
"As two large emerging economies, Brazil and China share common interests and face similar challenges in the international agenda," said Patriota, adding the two nations have developed a high level of coordination and convergence at key international conferences.
Brazil Deputy FM kicks off China trip for BRIC summit Hu winds up three-nation trip
"Our cooperation has reached the multilateral sphere and that is, in my opinion, one of the most important latest developments in the bilateral relationship," he said in a written interview with China Daily. The deputy foreign ministr is very confident of China and Brazil's role in addressing some of the world's current challenges.
He said he is expecting President Hu to participate in the BRIC summit in April and pay an official visit to his country to further examine the perspectives of the Sino-Brazilian relationship.
"As Brazil and China are strategic partners, both sides agree that we should have a long-term view of our relationship. Therefore, we also plan to launch a Joint Plan of Action to establish the priorities of cooperation for the next five years," he said.
The US investment bank Goldman Sachs came up with the BRIC concept in 2001, referring to Brazil, Russia, India and China, the four major emerging economies in the world. President Hu Jintao, and the three other leaders held their first formal meeting last year in the central Russian city of Yekaterinburg.
According to Patriota, one of the major themes of discussion of the upcoming summit will be how to deal with the world in a post-crisis environment and how the four countries could coordinate their efforts to better face the new challenges ahead.
The Brazilian senior diplomat used to be posted to the Brazilian Embassy in Beijing in the 1980s.
By Qin Jize (chinadaily.com.cn)
China Daily, 11.02.2010
Brazilian Deputy Foreign Minister Antonio Patriota will kick off his first official trip to China today, making the last preparations for President Hu Jintao's attendance to the upcoming BRIC summit in Brazil.
Patriota is scheduled to call on Foreign Minister Yang Jiechi and Minister of Commerce Chen Deming tomorrow to exchange views on bilateral and multilateral issues.
"As two large emerging economies, Brazil and China share common interests and face similar challenges in the international agenda," said Patriota, adding the two nations have developed a high level of coordination and convergence at key international conferences.
Brazil Deputy FM kicks off China trip for BRIC summit Hu winds up three-nation trip
"Our cooperation has reached the multilateral sphere and that is, in my opinion, one of the most important latest developments in the bilateral relationship," he said in a written interview with China Daily. The deputy foreign ministr is very confident of China and Brazil's role in addressing some of the world's current challenges.
He said he is expecting President Hu to participate in the BRIC summit in April and pay an official visit to his country to further examine the perspectives of the Sino-Brazilian relationship.
"As Brazil and China are strategic partners, both sides agree that we should have a long-term view of our relationship. Therefore, we also plan to launch a Joint Plan of Action to establish the priorities of cooperation for the next five years," he said.
The US investment bank Goldman Sachs came up with the BRIC concept in 2001, referring to Brazil, Russia, India and China, the four major emerging economies in the world. President Hu Jintao, and the three other leaders held their first formal meeting last year in the central Russian city of Yekaterinburg.
According to Patriota, one of the major themes of discussion of the upcoming summit will be how to deal with the world in a post-crisis environment and how the four countries could coordinate their efforts to better face the new challenges ahead.
The Brazilian senior diplomat used to be posted to the Brazilian Embassy in Beijing in the 1980s.
271) Brasil e China sobre programa nuclear iraniano
Brasil e China reafirmam posição contrária a novas sanções ao Irã
Cláudia Trevisan
O Estado de S. Paulo, 13.02.2010
Brasil e China reafirmaram ontem a posição contrária à aplicação de sanções adicionais ao Irã e concluíram que ainda há espaço para a continuidade de negociações diplomáticas sobre o programa nuclear de Teerã.
O assunto foi discutido em Pequim durante reunião entre o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, e o ministro de Relações Exteriores da China, Yang Jiechi. O brasileiro esteve na capital chinesa nos últimos dois dias para discutir o relacionamento bilateral e a agenda da visita que o presidente Hu Jintao fará a Brasília, nos dias 15 e 16 de abril.
Houve concordância no sentido de que a aplicação de novas sanções pode ser contraproducente, disse Patriota, em entrevista na Embaixada do Brasil em Pequim. Ainda existe a possibilidade de o Irã aceitar o enriquecimento de urânio a 20% (no exterior), como estava sendo discutido, apesar das recentes manifestações contraditórias do país.
Na quinta-feira, o presidente Mahmoud Ahmadinejad afirmou que o Irã é um Estado nuclear, com capacidade para enriquecer urânio a 80%, suficiente para uso em armas atômicas. O anúncio foi recebido com preocupação pelo chanceler Celso Amorim. Segundo ele, o enriquecimento de urânio a 80% é uma violação do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).
Patriota ressaltou a posição comum de Brasília e Pequim em defesa dos princípios do TNP, pelo qual o Irã pode desenvolver seu programa para fins pacíficos. A China é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU que têm poder de veto nas decisões - os demais são EUA, Rússia, França e Grã-Bretanha. Desde janeiro, o Brasil é um dos membros rotativos do órgão.
A concordância em relação à situação iraniana ocorre em um momento de aproximação entre os dois países, fruto, em parte, do que Patriota chamou de reconfiguração da ordem global em consequência da crise financeira que eclodiu em 2008.
Na avaliação do secretário-geral, os países em desenvolvimento emergiram como interlocutores incontornáveis após o abalo sofrido pelo mundo desenvolvido. Para ele, 2009 foi o ponto de inflexão nas relações internacionais, com a emergência do G-20, em substituição ao G-8 como principal organismo de discussão global, e a realização da Conferência do Clima, em Copenhague, na qual os países em desenvolvimento tiveram participação decisiva.
A aproximação coincide também com o aumento da tensão nas relações entre China e EUA, da qual faz parte a resistência de Pequim em impor sanções adicionais ao Irã. Outros pontos de atrito são a venda americana de US$ 6,4 bilhões em armas a Taiwan e a decisão do presidente Barack Obama de receber o dalai-lama na próxima semana.
Patriota ainda identificou um entusiasmo maior em relação aos Brics, bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia e China. A próxima reunião do grupo ocorrerá em Brasília, no dia 16. Patriota ouviu de Yang Jiechi, chanceler chinês, a avaliação de que o bloco amadureceu.
Hu Jintao aproveitará a viagem para fazer uma visita oficial ao Brasil, quando deve assinar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o Plano de Ação Conjunto, que prevê as diretrizes do relacionamento bilateral para o período 2010-2015.
Na quinta-feira, Hu e Lula conversaram por telefone sobre o encontro. Segundo Patriota, eles falaram do interesse chinês em participar da licitação para construção do trem de alta velocidade entre Rio e São Paulo e das negociações sobre mudança climática. O Irã não entrou na conversa.
TEMPO AO IRÃ
Antonio Patriota - Secretário-geral do Itamaraty
Houve concordância no sentido de que a aplicação de novas sanções pode ser contraproducente
Ainda existe a possibilidade de o Irã aceitar o enriquecimento de urânio a 20% (no exterior), como estava sendo discutido, apesar das recentes manifestações contraditórias do país
Cláudia Trevisan
O Estado de S. Paulo, 13.02.2010
Brasil e China reafirmaram ontem a posição contrária à aplicação de sanções adicionais ao Irã e concluíram que ainda há espaço para a continuidade de negociações diplomáticas sobre o programa nuclear de Teerã.
O assunto foi discutido em Pequim durante reunião entre o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, e o ministro de Relações Exteriores da China, Yang Jiechi. O brasileiro esteve na capital chinesa nos últimos dois dias para discutir o relacionamento bilateral e a agenda da visita que o presidente Hu Jintao fará a Brasília, nos dias 15 e 16 de abril.
Houve concordância no sentido de que a aplicação de novas sanções pode ser contraproducente, disse Patriota, em entrevista na Embaixada do Brasil em Pequim. Ainda existe a possibilidade de o Irã aceitar o enriquecimento de urânio a 20% (no exterior), como estava sendo discutido, apesar das recentes manifestações contraditórias do país.
Na quinta-feira, o presidente Mahmoud Ahmadinejad afirmou que o Irã é um Estado nuclear, com capacidade para enriquecer urânio a 80%, suficiente para uso em armas atômicas. O anúncio foi recebido com preocupação pelo chanceler Celso Amorim. Segundo ele, o enriquecimento de urânio a 80% é uma violação do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).
Patriota ressaltou a posição comum de Brasília e Pequim em defesa dos princípios do TNP, pelo qual o Irã pode desenvolver seu programa para fins pacíficos. A China é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU que têm poder de veto nas decisões - os demais são EUA, Rússia, França e Grã-Bretanha. Desde janeiro, o Brasil é um dos membros rotativos do órgão.
A concordância em relação à situação iraniana ocorre em um momento de aproximação entre os dois países, fruto, em parte, do que Patriota chamou de reconfiguração da ordem global em consequência da crise financeira que eclodiu em 2008.
Na avaliação do secretário-geral, os países em desenvolvimento emergiram como interlocutores incontornáveis após o abalo sofrido pelo mundo desenvolvido. Para ele, 2009 foi o ponto de inflexão nas relações internacionais, com a emergência do G-20, em substituição ao G-8 como principal organismo de discussão global, e a realização da Conferência do Clima, em Copenhague, na qual os países em desenvolvimento tiveram participação decisiva.
A aproximação coincide também com o aumento da tensão nas relações entre China e EUA, da qual faz parte a resistência de Pequim em impor sanções adicionais ao Irã. Outros pontos de atrito são a venda americana de US$ 6,4 bilhões em armas a Taiwan e a decisão do presidente Barack Obama de receber o dalai-lama na próxima semana.
Patriota ainda identificou um entusiasmo maior em relação aos Brics, bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia e China. A próxima reunião do grupo ocorrerá em Brasília, no dia 16. Patriota ouviu de Yang Jiechi, chanceler chinês, a avaliação de que o bloco amadureceu.
Hu Jintao aproveitará a viagem para fazer uma visita oficial ao Brasil, quando deve assinar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o Plano de Ação Conjunto, que prevê as diretrizes do relacionamento bilateral para o período 2010-2015.
Na quinta-feira, Hu e Lula conversaram por telefone sobre o encontro. Segundo Patriota, eles falaram do interesse chinês em participar da licitação para construção do trem de alta velocidade entre Rio e São Paulo e das negociações sobre mudança climática. O Irã não entrou na conversa.
TEMPO AO IRÃ
Antonio Patriota - Secretário-geral do Itamaraty
Houve concordância no sentido de que a aplicação de novas sanções pode ser contraproducente
Ainda existe a possibilidade de o Irã aceitar o enriquecimento de urânio a 20% (no exterior), como estava sendo discutido, apesar das recentes manifestações contraditórias do país
Friday, February 12, 2010
270) Google vs China - Daniel Oppermann
A nova abordagem do Google na China: Um furo no grande firewall?
Daniel Oppermann
Mundorama, 10 fevereiro 2010
Na discussão sobre a liberdade de expressão na Internet, a China é sempre mencionada como o exemplo mais grave em relação às próprias regulamentações de acesso às informações online. A reputação do maior país asiático de manter um regime rígido de censura online não existe sem razão. Nos últimos anos, a China construiu um dos sistemas mais sofisticados do mundo para controlar o que a população do país pode acessar na Internet. Uma das medidas mais usadas é o sistema de filtro conhecido como “The Great Firewall of China”. Por meio desses filtros instalados em servidores escolhidos, o governo chinês consegue achar, bloquear e até deletar conteúdo em fóruns e blogs, por exemplo, que incluem expressões como Tibet, Falun Gong, Tiananmen e outras. Em alguns casos, cidadãos que criticaram o governo chinês pela internet estão presos. O exemplo mais famoso é o do ativista pelos direitos humanos Liu Xiaobo, que foi condenado a onze anos de prisão em dezembro 2009 por causa de “subversão“. Liu foi preso em dezembro 2008 depois de publicar um chamado na Internet por reformas políticas na China.
Além dos exemplos mencionados, também sites de busca são alvos das restrições. Companhias internacionais que atuam no mercado chinês precisam se adaptar ao sistema de filtro na China. Especialmente para companhias de países democráticos ocidentais isso pode significar um desafio como mostra o exemplo do global player Google Inc. da Califórnia, EUA. Um dos princípios centrais do Google, também chamado de “missão” da companhia: “Google’s mission is to organize the world’s information and make it universally accessible and useful”. A sinceridade da companhia foi questionada pela primeira vez por um grande público em 2006, quando ela decidiu entrar no maior mercado nacional do futuro: o da China.
A China atualmente tem 300 milhões de usuários de Internet e já é o maior mercado de Internet no mundo. Com uma população de 1,3 bilhões de pessoas, tem também um potencial de crescimento que não existe em nenhum outro país do mundo. A entrada no mercado chinês é uma obrigação para todas as companhias de tecnologia de informação (além de outros setores também) que querem se expandir no continente asiático. Além do Google, a Microsoft, o Yahoo, a Cisco e outros global players do setor de tecnologia de informação (TI) investiram na China nos últimos anos. E, como o Google, muitos deles foram confrontados com a alegação de apoiar o regime de censura do governo chinês. E eles de fato o fizeram, ativamente ou passivamente. Passivamente podem ser consideradas as companhias oferecendo produtos para filtrar a Internet ou bloquear certas páginas. Um produto capaz de bloquear a página de uma rede social nos computadores de uma escola em Recífe também pode ser usado para bloquear a página de Amnesty International na China. Diferente no caso do Google foi o fato que a companhia aceitou as regulamentações do governo para filtrar todas as buscas feito pelos usuários da China, procurando informações sobre direitos humanos e outros aspetos mencionados antes. Desta forma, a companhia participou ativamente no regime da censura. Esta decisão foi explicada pela companhia como necessária para atuar no mercado chinês. Mesmo assim resultou em uma onda de protestos especialmente por atores da sociedade civil. A fundação da Global Network Initiative (GNI), uma associação de companhias e organizações (quase somente dos EUA) representa uma tentativa de restabelecer a reputação das companhias criticadas. Mas desde sua fundação em 2008, a GNI chamou pouca atenção e os resultados produzidos nos últimos dois anos também foram pobres.
Diferente foi a declaração feita pelo Google em janeiro de 2010 (“A new approach to China“), na qual a companhia explicou que vai mudar sua política e reabrir seu sistema de busca para expressões consideradas indesejáveis pelo governo chinês. Segundo a declaração, o Google tomou essa decisão depois que sofreu fortes ataques virtuais (segundo o Google, vindos do governo chinês), que resultaram em roubo de propriedade intelectual da companhia. Além disso, foram detectados vários casos de invasões de contas de emails pertencentes a ativistas de direitos humanos na China. Referindo-se a esses incidentes e às tentativas do governo chinês para limitar as atividades do Google durante o ano 2009, a companhia lançou sua declaração e explicou que vai entrar em negociações com Pequim, sobre como (ou se) seria possível oferecer um sistema de busca não filtrado.
Interessante é que, segundo o analista de segurança de TI Bruce Schneier, nos ataques foi usado um mecanismo do próprio software do Google, que a companhia instalou por causa das regulamentações articuladas pelo governo dos EUA, para controlar as atividades online dos cidadãos americanos.
Logo depois que a decisão do Google foi publicada, começaram as especulações sobre os motivos da companhia para arriscar seu acesso ao maior mercado de Internet no mundo. Um fato importante nesse contexto é que o Google não tem o mesmo papel na China como na maioria dos outros mercados do mundo. De fato, a companhia tem um papel relativamente pequeno. A sua quota de mercado na China é 35% (no mercado global são quase 70%), enquanto a maioria do mercado pertence à companhia chinesa Baidu (58%). Por que então a companhia americana vai arriscar sua quota ignorando as regulamentações do governo?
A teoria de que o Google busca um jeito de sair do mercado chinês por causa da concorrência forte é pouco provável. Mesmo que sua quota fique em 35%, isso seria um mercado gigante considerando o crescimento econômico do país e do número dos clientes que vão entrar no mercado nos próximos anos. Mesmo assim a companhia deve ter percebido que não vai ganhar contra a Baidu e terá um papel menor na China. Esta foi também uma das razões porque o presidente do Google China, Kai-Fu Lee, saiu da companhia em setembro de 2009, depois de apenas quatro anos.
Um cenário mais provável então é que os responsáveis pelo Google nos EUA decidam mudar a função no mercado chinês para a estratégia global da companhia. Com poucas chances de aumentar sua fatia no mercado chinês, a crítica à prática de censura pelo governo chinês serve para restabelecer a reputação da companhia, que sofreu bastante durante os últimos anos depois que aceitou as restrições de Pequim. Com a crítica ao governo chinês, a companhia reforçou sua reputação de garantir acesso livre a todas as informações existentes na Internet e, ainda, sua missão mencionada em cima, e seu famoso slogan: “Don’t be evil”.
As primeiras reações internacionais confirmam essa teoria. A sociedade civil global apoiou a decisão do Google. Ativistas e organizações de defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão elogiaram a declaração da companhia. Além de um curto comentário de apoio do presidente americano, Barack Obama, também a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, fez uma palestra sobre a liberdade da Internet, poucos dias depois a declaração do Google. Nessa palestra, Clinton criticou não somente a China, mas também outros países, entre eles Vietnã, Egito e Arábia Saudita, por suas políticas em relação à Internet e à liberdade de expressão. Comentaristas veem essa palestra como uma nova abordagem da política dos EUA, enfatizando a liberdade na Internet como parte da liberdade de expressão.
O que significa esse apoio de alto nível para as relações entre o Google e Pequim? Nos seus primeiros comentários, o governo chinês respondeu como sempre o faz quando é confrontado com acusações por ser responsável por ataques virtuais: ele negou qualquer forma de responsabilidade. O próprio Google agora pode se apresentar como defensor da liberdade de expressão e, assim, dos direitos humanos globais. Dessa forma, a companhia conseguiu dar um passo estrategicamente importante para manter sua posição global de líder no mercado de Internet. Ela também tem uma forte posição nas negociações com o governo chinês, que vão começar agora para esclarecer a situação da companhia americana no país.
Quem achou que o Google terá que sair da China pode estar facilmente enganado. A China precisa do capital intelectual e das inovações que o global player trouxe para o país. Com isto, e também devido às acusações de que Pequim seria responsável pelos ataques, pode até ser que o Google venha a ter uma posição mais forte nas negociações e consiga manter sua posição na China e ao mesmo tempo ser reconhecido por aqueles atores (especialmente no mundo ocidental) que valorizam a liberdade de expressão. No final, Pequim pode controlar e censurar as informações na China, mas o Google está controlando-as no resto do mundo.
Daniel Oppermann é Doutorando em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília – UnB (dan.oppermann@gmail.com).
Daniel Oppermann
Mundorama, 10 fevereiro 2010
Na discussão sobre a liberdade de expressão na Internet, a China é sempre mencionada como o exemplo mais grave em relação às próprias regulamentações de acesso às informações online. A reputação do maior país asiático de manter um regime rígido de censura online não existe sem razão. Nos últimos anos, a China construiu um dos sistemas mais sofisticados do mundo para controlar o que a população do país pode acessar na Internet. Uma das medidas mais usadas é o sistema de filtro conhecido como “The Great Firewall of China”. Por meio desses filtros instalados em servidores escolhidos, o governo chinês consegue achar, bloquear e até deletar conteúdo em fóruns e blogs, por exemplo, que incluem expressões como Tibet, Falun Gong, Tiananmen e outras. Em alguns casos, cidadãos que criticaram o governo chinês pela internet estão presos. O exemplo mais famoso é o do ativista pelos direitos humanos Liu Xiaobo, que foi condenado a onze anos de prisão em dezembro 2009 por causa de “subversão“. Liu foi preso em dezembro 2008 depois de publicar um chamado na Internet por reformas políticas na China.
Além dos exemplos mencionados, também sites de busca são alvos das restrições. Companhias internacionais que atuam no mercado chinês precisam se adaptar ao sistema de filtro na China. Especialmente para companhias de países democráticos ocidentais isso pode significar um desafio como mostra o exemplo do global player Google Inc. da Califórnia, EUA. Um dos princípios centrais do Google, também chamado de “missão” da companhia: “Google’s mission is to organize the world’s information and make it universally accessible and useful”. A sinceridade da companhia foi questionada pela primeira vez por um grande público em 2006, quando ela decidiu entrar no maior mercado nacional do futuro: o da China.
A China atualmente tem 300 milhões de usuários de Internet e já é o maior mercado de Internet no mundo. Com uma população de 1,3 bilhões de pessoas, tem também um potencial de crescimento que não existe em nenhum outro país do mundo. A entrada no mercado chinês é uma obrigação para todas as companhias de tecnologia de informação (além de outros setores também) que querem se expandir no continente asiático. Além do Google, a Microsoft, o Yahoo, a Cisco e outros global players do setor de tecnologia de informação (TI) investiram na China nos últimos anos. E, como o Google, muitos deles foram confrontados com a alegação de apoiar o regime de censura do governo chinês. E eles de fato o fizeram, ativamente ou passivamente. Passivamente podem ser consideradas as companhias oferecendo produtos para filtrar a Internet ou bloquear certas páginas. Um produto capaz de bloquear a página de uma rede social nos computadores de uma escola em Recífe também pode ser usado para bloquear a página de Amnesty International na China. Diferente no caso do Google foi o fato que a companhia aceitou as regulamentações do governo para filtrar todas as buscas feito pelos usuários da China, procurando informações sobre direitos humanos e outros aspetos mencionados antes. Desta forma, a companhia participou ativamente no regime da censura. Esta decisão foi explicada pela companhia como necessária para atuar no mercado chinês. Mesmo assim resultou em uma onda de protestos especialmente por atores da sociedade civil. A fundação da Global Network Initiative (GNI), uma associação de companhias e organizações (quase somente dos EUA) representa uma tentativa de restabelecer a reputação das companhias criticadas. Mas desde sua fundação em 2008, a GNI chamou pouca atenção e os resultados produzidos nos últimos dois anos também foram pobres.
Diferente foi a declaração feita pelo Google em janeiro de 2010 (“A new approach to China“), na qual a companhia explicou que vai mudar sua política e reabrir seu sistema de busca para expressões consideradas indesejáveis pelo governo chinês. Segundo a declaração, o Google tomou essa decisão depois que sofreu fortes ataques virtuais (segundo o Google, vindos do governo chinês), que resultaram em roubo de propriedade intelectual da companhia. Além disso, foram detectados vários casos de invasões de contas de emails pertencentes a ativistas de direitos humanos na China. Referindo-se a esses incidentes e às tentativas do governo chinês para limitar as atividades do Google durante o ano 2009, a companhia lançou sua declaração e explicou que vai entrar em negociações com Pequim, sobre como (ou se) seria possível oferecer um sistema de busca não filtrado.
Interessante é que, segundo o analista de segurança de TI Bruce Schneier, nos ataques foi usado um mecanismo do próprio software do Google, que a companhia instalou por causa das regulamentações articuladas pelo governo dos EUA, para controlar as atividades online dos cidadãos americanos.
Logo depois que a decisão do Google foi publicada, começaram as especulações sobre os motivos da companhia para arriscar seu acesso ao maior mercado de Internet no mundo. Um fato importante nesse contexto é que o Google não tem o mesmo papel na China como na maioria dos outros mercados do mundo. De fato, a companhia tem um papel relativamente pequeno. A sua quota de mercado na China é 35% (no mercado global são quase 70%), enquanto a maioria do mercado pertence à companhia chinesa Baidu (58%). Por que então a companhia americana vai arriscar sua quota ignorando as regulamentações do governo?
A teoria de que o Google busca um jeito de sair do mercado chinês por causa da concorrência forte é pouco provável. Mesmo que sua quota fique em 35%, isso seria um mercado gigante considerando o crescimento econômico do país e do número dos clientes que vão entrar no mercado nos próximos anos. Mesmo assim a companhia deve ter percebido que não vai ganhar contra a Baidu e terá um papel menor na China. Esta foi também uma das razões porque o presidente do Google China, Kai-Fu Lee, saiu da companhia em setembro de 2009, depois de apenas quatro anos.
Um cenário mais provável então é que os responsáveis pelo Google nos EUA decidam mudar a função no mercado chinês para a estratégia global da companhia. Com poucas chances de aumentar sua fatia no mercado chinês, a crítica à prática de censura pelo governo chinês serve para restabelecer a reputação da companhia, que sofreu bastante durante os últimos anos depois que aceitou as restrições de Pequim. Com a crítica ao governo chinês, a companhia reforçou sua reputação de garantir acesso livre a todas as informações existentes na Internet e, ainda, sua missão mencionada em cima, e seu famoso slogan: “Don’t be evil”.
As primeiras reações internacionais confirmam essa teoria. A sociedade civil global apoiou a decisão do Google. Ativistas e organizações de defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão elogiaram a declaração da companhia. Além de um curto comentário de apoio do presidente americano, Barack Obama, também a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, fez uma palestra sobre a liberdade da Internet, poucos dias depois a declaração do Google. Nessa palestra, Clinton criticou não somente a China, mas também outros países, entre eles Vietnã, Egito e Arábia Saudita, por suas políticas em relação à Internet e à liberdade de expressão. Comentaristas veem essa palestra como uma nova abordagem da política dos EUA, enfatizando a liberdade na Internet como parte da liberdade de expressão.
O que significa esse apoio de alto nível para as relações entre o Google e Pequim? Nos seus primeiros comentários, o governo chinês respondeu como sempre o faz quando é confrontado com acusações por ser responsável por ataques virtuais: ele negou qualquer forma de responsabilidade. O próprio Google agora pode se apresentar como defensor da liberdade de expressão e, assim, dos direitos humanos globais. Dessa forma, a companhia conseguiu dar um passo estrategicamente importante para manter sua posição global de líder no mercado de Internet. Ela também tem uma forte posição nas negociações com o governo chinês, que vão começar agora para esclarecer a situação da companhia americana no país.
Quem achou que o Google terá que sair da China pode estar facilmente enganado. A China precisa do capital intelectual e das inovações que o global player trouxe para o país. Com isto, e também devido às acusações de que Pequim seria responsável pelos ataques, pode até ser que o Google venha a ter uma posição mais forte nas negociações e consiga manter sua posição na China e ao mesmo tempo ser reconhecido por aqueles atores (especialmente no mundo ocidental) que valorizam a liberdade de expressão. No final, Pequim pode controlar e censurar as informações na China, mas o Google está controlando-as no resto do mundo.
Daniel Oppermann é Doutorando em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília – UnB (dan.oppermann@gmail.com).
269) China como principal exportador
China já é o maior país exportador
Jamil Chade
O Estado de S. Paulo, 10.02.2010
NAS ALTURAS - Pilhas de contêineres no Porto de Xangai: exportações chinesas somaram US$ 1,2 trilhão no ano passado
Agora é oficial: a China é a maior exportadora do mundo, superando Alemanha e Estados Unidos. Em 20 anos, Pequim multiplicou por 20 suas exportações e sobrepujou tradicionais potências europeias e os americanos. A China também caminha para ultrapassar os japoneses e ocupar a posição de segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA.
Os dados sobre o comércio mundial foram confirmados ontem diante da constatação das autoridades alemãs de que as exportações do país sofreram em 2009 a maior queda desde os anos 50. Segundo o departamento de estatísticas da Alemanha, as vendas chinesas atingiram US$ 1,201 trilhão em 2009. Já as exportações alemãs foram de US$ 1,121 trilhão no ano passado.
Parte da posição de número um da China é resultado da recessão que atingiu o mundo entre 2008 e 2009. Nos últimos anos, a expansão das exportações alemães tem sido o pilar da economia do país. Mas a recessão gerou uma reviravolta no modelo de crescimento defendido pela chanceler Angela Merkel. En 2009, os alemães - que lideravam o ranking mundial de vendas externas desde o início da década - registraram uma queda de 18,4% em suas exportações. Já as importações recuaram 17,2%.
O ano passado ainda marcou a recessão mais intensa na economia alemã desde a 2ª Guerra, com uma contração de 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Em 2009, 62% das vendas dos alemães foram para outros países europeus. Isso ainda garantiu um superávit de 136,1 bilhão para as contas do país. Mas o saldo positivo é 40 bilhões abaixo dos níveis de 2008. A maior economia da Europa ainda teve uma alta de 3,4% nas exportações em dezembro de 2009, o primeiro sinal positivo desde outubro de 2008.
Já a China era apenas o sétimo maior exportador do mundo há dez anos, com US$ 250 bilhões em vendas e 4% do mercado mundial. Em 1990, a China exportou apenas US$ 62 bilhões, 20 vezes menos que os níveis de 2009.
A China é a principal parceira comercial do Brasil e já substituiu os americanos como o principal fornecedor de mercadorias para a Europa. A distância entre Brasil e China também se ampliou. Em 1990, o Brasil exportava um terço do valor vendido pela China. Em 2009, Pequim exportou oito vezes mais que as empresas brasileiras.
A expansão dos chineses no mercado internacional preocupa muitos. A China vem sendo atacada pela desvalorização de sua moeda, que estaria ajudando suas exportações, e por criar um desequilíbrio ainda maior na economia mundial.
A China é também o país que mais sofre barreiras comerciais. Nos últimos anos, dezenas de medidas foram adotadas contra produtos chineses. Uma delas foi adotada pelo Brasil no início de 2009, para barrar a entrada de siderúrgicos chineses.
Jamil Chade
O Estado de S. Paulo, 10.02.2010
NAS ALTURAS - Pilhas de contêineres no Porto de Xangai: exportações chinesas somaram US$ 1,2 trilhão no ano passado
Agora é oficial: a China é a maior exportadora do mundo, superando Alemanha e Estados Unidos. Em 20 anos, Pequim multiplicou por 20 suas exportações e sobrepujou tradicionais potências europeias e os americanos. A China também caminha para ultrapassar os japoneses e ocupar a posição de segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA.
Os dados sobre o comércio mundial foram confirmados ontem diante da constatação das autoridades alemãs de que as exportações do país sofreram em 2009 a maior queda desde os anos 50. Segundo o departamento de estatísticas da Alemanha, as vendas chinesas atingiram US$ 1,201 trilhão em 2009. Já as exportações alemãs foram de US$ 1,121 trilhão no ano passado.
Parte da posição de número um da China é resultado da recessão que atingiu o mundo entre 2008 e 2009. Nos últimos anos, a expansão das exportações alemães tem sido o pilar da economia do país. Mas a recessão gerou uma reviravolta no modelo de crescimento defendido pela chanceler Angela Merkel. En 2009, os alemães - que lideravam o ranking mundial de vendas externas desde o início da década - registraram uma queda de 18,4% em suas exportações. Já as importações recuaram 17,2%.
O ano passado ainda marcou a recessão mais intensa na economia alemã desde a 2ª Guerra, com uma contração de 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Em 2009, 62% das vendas dos alemães foram para outros países europeus. Isso ainda garantiu um superávit de 136,1 bilhão para as contas do país. Mas o saldo positivo é 40 bilhões abaixo dos níveis de 2008. A maior economia da Europa ainda teve uma alta de 3,4% nas exportações em dezembro de 2009, o primeiro sinal positivo desde outubro de 2008.
Já a China era apenas o sétimo maior exportador do mundo há dez anos, com US$ 250 bilhões em vendas e 4% do mercado mundial. Em 1990, a China exportou apenas US$ 62 bilhões, 20 vezes menos que os níveis de 2009.
A China é a principal parceira comercial do Brasil e já substituiu os americanos como o principal fornecedor de mercadorias para a Europa. A distância entre Brasil e China também se ampliou. Em 1990, o Brasil exportava um terço do valor vendido pela China. Em 2009, Pequim exportou oito vezes mais que as empresas brasileiras.
A expansão dos chineses no mercado internacional preocupa muitos. A China vem sendo atacada pela desvalorização de sua moeda, que estaria ajudando suas exportações, e por criar um desequilíbrio ainda maior na economia mundial.
A China é também o país que mais sofre barreiras comerciais. Nos últimos anos, dezenas de medidas foram adotadas contra produtos chineses. Uma delas foi adotada pelo Brasil no início de 2009, para barrar a entrada de siderúrgicos chineses.
268) China: De Mao a Deng, e mais
De Mao a Deng, e mais
Por Marco Damiani, de São Paulo
Valor Econômico, 12/02/2010
Internacional: À frente de uma equipe de 18 pesquisadores e analistas que produzem informações sobre a economia e a política da China para 85 empresas globais, Jonathan Fenby diz que o governo do país receia excesso de liquidez, risco de inflação e aparecimento do capital especulativo. Por isso, decidiu pisar no freio do mercado interno, sem abrir mão de avançar nas exportações.
Jonathan Fenby: "O povo está orgulhoso de seu país e do crescimento econômico. De zero a dez, a chance de ocorrer uma nova Praça Tiananmen (manifestações estudantis no centro de Pequim, em 1989) é um, porque zero não dá para arriscar"
A explosão de um satélite meteorológico chinês a cerca de 100 quilômetros da superfície da Terra, meses atrás, passou despercebida por muita gente, mas tem tudo para ser lembrada como um dos gestos mais inusitados - e eficazes, ao que tudo indica - que explicam a atual escalada de controvérsias entre o país mais populoso do planeta e a maior potência econômica. A pulverização do aparelho espacial por um míssil desenvolvido e operado pelo exército chinês foi a maneira encontrada pela cúpula dirigente da China para mandar um recado ao governo americano, alguma coisa como "sim, nós também podemos".
"Todo o sistema de comunicação militar dos americanos está centrado em satélites", assinala o jornalista, escritor e pesquisador inglês Jonathan Fenby, autor do best-seller "The Penguin History of Modern China - The Fall and Rise of a Great Power, 1850-2009" (ainda sem tradução para o português), muito elogiado pela crítica, incluídas as avaliações da revista "The Economist" e pelo jornal "Financial Times". Fenby não tem dúvida de que, "com o sucesso do disparo, os chineses mostraram aos Estados Unidos que deram um bom passo à frente em termos de tecnologia militar, um dos pontos fracos de seu exército, e que estão preparados para um enfrentamento a qualquer tempo". Registre-se: os Estados Unidos responderam imediatamente, explodindo um dos seus próprios satélites no ano passado.
Fenby não aposta uma ficha na possibilidade de uma guerra entre as duas potências. Nas quase três horas em que conversou com o Valor, durante passagem por São Paulo, a lembrança do tiro ao alvo foi apenas uma entre muitas menções a fatos que acontecem na China e nem sempre podem ser observados e compreendidos a olho nu deste lado da muralha. "Os Bric como um todo não são fáceis de entender, mas a China é ainda mais opaca." É pela observação de aspectos cotidianos do país, acompanhamento de movimentos estratégicos do governo e uma rigorosa apuração dos números macroeconômicos que Fenby, por meio da sua Trusted Sources, presta serviços de pesquisas e análises sobre a China para grandes empresas globais. No Brasil, um dos seus clientes é a Vale, maior exportadora de minério de ferro para o país de 1,4 bilhão de habitantes, US$ 4,9 trilhões de PIB e estimados US$ 2,39 trilhões em reservas monetárias. "A simples leitura dos relatórios oficiais não é capaz de revelar para onde a China vai, e com ela o mundo."
Percorrendo o interior da China, Fenby constatou que "fazer filhos" é opção que casais nem sempre escondem, apesar da lei que impõe restrições à natalidade
Repórter que cobriu a guerra do Vietnã, fez carreira nos jornais "Observer" e "Guardian" e na agência Reuters, Fenby montou uma ampla rede de fontes, contatos e amizades em território chinês. De funcionários de governo a chefes de aldeias, passando por professores universitários e profissionais liberais, sua trama informativa começou a ser tecida em 1995, quando assumiu o cargo de editor-chefe do "South China Morning Post", de Hong Kong - jornal de língua inglesa, com 100 mil exemplares diários e extremamente lucrativo, em razão de atrair forte publicidade empresarial. "Nosso público era a elite local, os 5% da população que conseguiam ler em inglês." Quando a China assumiu a possessão da ilha, em 2000, Fenby passou a receber mensagens do dono da empresa para suavizar a cobertura de assuntos internos do país. Nesse momento, entregou o cargo e decidiu avançar na garimpagem de informações sociais e econômicas que, imaginou, teriam valia para empresários interessados em fazer negócios com a China. Hoje, lidera uma equipe de 18 pesquisadores e analistas divididos entre a Inglaterra e os Estados Unidos. Sua empresa fornece relatórios com diferentes periodicidades para 85 clientes empresariais globais de 12 países.
Fenby vai à China de três a quatro vezes por ano, para verificar in loco se os números levantados à distância pelos pesquisadores dialogam com a realidade do país. Na contramão de diferentes analistas, ele não acredita que a China vá crescer outros 10% em 2010, a exemplo do que fez no ano passado. Suas previsões estabelecem que o PIB chinês será de 6% a 7% maior do que o verificado em 2009. "Até mesmo a China tem um limite para crescer de maneira sustentável."
Para Fenby, as atitudes dos Estados Unidos em relação a problemas internos chineses são compreensíveis, mas também refletem uma certa ignorância a respeito do que seria mais adequado fazer (na foto, os presidentes Hu Jintao e Barack Obama, em Pequim)
Para justificar a projeção, Fenby lança mão do cruzamento de dados. "No ano passado, houve um investimento estatal de 40% do PIB em obras de infraestrutura, mas isso não irá se repetir em 2010." Fenby trabalha com a informação de que a meta de investimentos no setor estabelece um recuo de 20% sobre o realizado no ano passado. Outro dado, segundo ele ainda mais importante, demonstra a decisão oficial de refrear as taxas de crescimento. "As concessões oficiais de crédito às empresas e ao consumidor somaram 1,3 trilhão de dólares em 2009, o dobro do que fora emprestado em 2008, mas já existe a determinação de tornar esse volume 25% menor este ano." Fenby acrescenta que obteve essa indicação no início deste mês, por meio da detalhada leitura da imprensa local. "Muita informação vem em linguagem cifrada, em notas de rodapés nos jornais ou por meio de poucas palavras de porta-vozes. Os líderes sabem que até seria possível, mas simplesmente não querem crescer a uma taxa de 14% este ano, porque temem problemas como liquidez excessiva no sistema financeiro e bolhas de inflação."
É certo, de acordo com Fenby, que a política de incentivo às exportações, em grande parte favorecidas pela administração do câmbio, vai prosseguir. Não há indícios de que Pequim pretenda valorizar o yuan, como pretendem os Estados Unidos. Washington argumenta que a gestão cambial, como é feita hoje, garante aos produtos chineses um grau de competitividade imbatível, que termina por determinar a perda de empregos nos Estados Unidos. "Isso [a valorização da moeda], entre outras consequências, poderia atrair o investimento especulativo para o país, e os chineses também não querem correr esse risco", explica Fenby.
Fenby enxerga na continuada aceleração das exportações chinesas um fator que pode mudar a atual configuração do comércio mundial, com aumento do protecionismo. Já agora, até mesmo países como o Brasil, que defendem a queda de barreiras de acesso a mercados, impõem restrições à entrada de produtos chineses. O movimento protecionista ainda é limitado, porém, porque no outro prato da balança há o fato de as importações chinesas de commodities, especialmente, continuarem a crescer. A demanda de aço, por exemplo, prossegue em alta, e está prevista a abertura de novas siderúrgicas no país, com o que também será possível responder às pressões por criação de empregos dos governos provinciais. Mas a mesma China que comprou cerca de 11 milhões de toneladas de aço do mundo em janeiro de 2004 - com perto de 2,5 milhões de toneladas exportados pelo Brasil -, consumiu mais de 60 milhões em janeiro deste ano, dos quais quase 14 milhões de origem brasileira.
A tese de que a China tornou-se, ou está se transformando num país de economia de mercado não tem respaldo na realidade, diz Fenby. "As tarifas de água, luz e energia são fixadas pelo governo central, assim como a taxa de câmbio. Os investimentos são dirigidos pelo Estado e toda a economia está centralizada em quatro grandes bancos estatais, o da China (central), o da Agricultura, o da Construção Civil e o IBCB, de investimentos."
Esse sistema satisfaz a grande maioria da população do país, acredita Fenby, possivelmente o jornalista estrangeiro com maior número de fontes em território chinês. "O povo está orgulhoso de seu país e do crescimento econômico. De zero a dez, a chance de ocorrer uma nova Praça Tiananmen (manifestações estudantis no centro de Pequim que repercutiram em todo o mundo, feitas em 1989) é um, porque zero não dá para arriscar."
Fenby conta que nem tudo transcorre na China com estrita observância do que o governo determina. A lei que estabelece restrições à natalidade, por exemplo, impondo o limite de um filho por casal, nem sempre é levada ao pé da letra, ao que parece. "No interior da província de Zhe Jiang, perguntei a um líder de uma aldeia pobre porque havia tantas crianças pequenas pelas ruas, e ele me disse que se houvesse luz elétrica e televisão as pessoas teriam um alternativa ao sexo, mas como o progresso não havia chegado, faziam filhos." E há quem se sinta à vontade para afrontar de público a sisudez do regime. Numa casa noturna em Xangai, o repórter encontrou um humorista que satirizava a presença dos líderes chineses em ocorrências como terremotos. "´Desculpe, estou atrasado´, dizia ele, apertando a mão das pessoas em sofrimento como se via na tevê", recorda Fenby.
Entre os líderes do regime, Fenby aposta na ascensão, em 2012, de Li Kejiang para o cargo de primeiro-ministro, e de Xi Jinping para a chefia do Partido Comunista. "Isso já está certo." Ambos fazem parte da atual cúpula do Estado chefiado por Hu Jintao, que acumula as funções de secretário-geral do Partido Comunista, presidente do país e chefe das forças armadas, e Wen Jiabao, primeiro-ministro e chefe de governo. "Não há grandes divergências políticas ali", acredita o jornalista, que fez esse mesmo relato, pessoalmente, a empresários reunidos este ano no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça.
Questões como a censura ao Google, a manutenção do Tibete como região autônoma pertencente à China e a perseguição a muçulmanos não sensibilizam a estrutura de governo. "Quando batem nessas teclas, acreditando que poderão fazer a China mudar suas posições, Barack Obama e Hillary Clinton apenas mostram que não sabem como lidar com o país, seus dirigentes e seu povo", diz Fenby. "É claro que os Estados Unidos têm de manifestar suas posições liberais, mas esses temas não sensibilizam a população, que em sua maioria considera os monges do Tibete no máximo como velhinhos extemporâneos, vê os muçulmanos na categoria de invasores e mal sabe o que se pode fazer por meio do Google."
No livro que o tornou um escritor de sucesso, Fenby defende a tese de que a China foi o país que mais sofreu, em todo o planeta, nos últimos 200 anos. Mas observa que também é o de maior capacidade de superação e crescimento dos últimos 30 anos. Um salto que, para ele, deve ser creditado a dois dirigentes políticos: Mao Tsé-tung e Deng Xiaoping. "Mao mudou a China, mas Deng mudou o mundo", sentencia Fenby, agora empenhado na construção de uma biografia de Charles de Gaulle.
Por Marco Damiani, de São Paulo
Valor Econômico, 12/02/2010
Internacional: À frente de uma equipe de 18 pesquisadores e analistas que produzem informações sobre a economia e a política da China para 85 empresas globais, Jonathan Fenby diz que o governo do país receia excesso de liquidez, risco de inflação e aparecimento do capital especulativo. Por isso, decidiu pisar no freio do mercado interno, sem abrir mão de avançar nas exportações.
Jonathan Fenby: "O povo está orgulhoso de seu país e do crescimento econômico. De zero a dez, a chance de ocorrer uma nova Praça Tiananmen (manifestações estudantis no centro de Pequim, em 1989) é um, porque zero não dá para arriscar"
A explosão de um satélite meteorológico chinês a cerca de 100 quilômetros da superfície da Terra, meses atrás, passou despercebida por muita gente, mas tem tudo para ser lembrada como um dos gestos mais inusitados - e eficazes, ao que tudo indica - que explicam a atual escalada de controvérsias entre o país mais populoso do planeta e a maior potência econômica. A pulverização do aparelho espacial por um míssil desenvolvido e operado pelo exército chinês foi a maneira encontrada pela cúpula dirigente da China para mandar um recado ao governo americano, alguma coisa como "sim, nós também podemos".
"Todo o sistema de comunicação militar dos americanos está centrado em satélites", assinala o jornalista, escritor e pesquisador inglês Jonathan Fenby, autor do best-seller "The Penguin History of Modern China - The Fall and Rise of a Great Power, 1850-2009" (ainda sem tradução para o português), muito elogiado pela crítica, incluídas as avaliações da revista "The Economist" e pelo jornal "Financial Times". Fenby não tem dúvida de que, "com o sucesso do disparo, os chineses mostraram aos Estados Unidos que deram um bom passo à frente em termos de tecnologia militar, um dos pontos fracos de seu exército, e que estão preparados para um enfrentamento a qualquer tempo". Registre-se: os Estados Unidos responderam imediatamente, explodindo um dos seus próprios satélites no ano passado.
Fenby não aposta uma ficha na possibilidade de uma guerra entre as duas potências. Nas quase três horas em que conversou com o Valor, durante passagem por São Paulo, a lembrança do tiro ao alvo foi apenas uma entre muitas menções a fatos que acontecem na China e nem sempre podem ser observados e compreendidos a olho nu deste lado da muralha. "Os Bric como um todo não são fáceis de entender, mas a China é ainda mais opaca." É pela observação de aspectos cotidianos do país, acompanhamento de movimentos estratégicos do governo e uma rigorosa apuração dos números macroeconômicos que Fenby, por meio da sua Trusted Sources, presta serviços de pesquisas e análises sobre a China para grandes empresas globais. No Brasil, um dos seus clientes é a Vale, maior exportadora de minério de ferro para o país de 1,4 bilhão de habitantes, US$ 4,9 trilhões de PIB e estimados US$ 2,39 trilhões em reservas monetárias. "A simples leitura dos relatórios oficiais não é capaz de revelar para onde a China vai, e com ela o mundo."
Percorrendo o interior da China, Fenby constatou que "fazer filhos" é opção que casais nem sempre escondem, apesar da lei que impõe restrições à natalidade
Repórter que cobriu a guerra do Vietnã, fez carreira nos jornais "Observer" e "Guardian" e na agência Reuters, Fenby montou uma ampla rede de fontes, contatos e amizades em território chinês. De funcionários de governo a chefes de aldeias, passando por professores universitários e profissionais liberais, sua trama informativa começou a ser tecida em 1995, quando assumiu o cargo de editor-chefe do "South China Morning Post", de Hong Kong - jornal de língua inglesa, com 100 mil exemplares diários e extremamente lucrativo, em razão de atrair forte publicidade empresarial. "Nosso público era a elite local, os 5% da população que conseguiam ler em inglês." Quando a China assumiu a possessão da ilha, em 2000, Fenby passou a receber mensagens do dono da empresa para suavizar a cobertura de assuntos internos do país. Nesse momento, entregou o cargo e decidiu avançar na garimpagem de informações sociais e econômicas que, imaginou, teriam valia para empresários interessados em fazer negócios com a China. Hoje, lidera uma equipe de 18 pesquisadores e analistas divididos entre a Inglaterra e os Estados Unidos. Sua empresa fornece relatórios com diferentes periodicidades para 85 clientes empresariais globais de 12 países.
Fenby vai à China de três a quatro vezes por ano, para verificar in loco se os números levantados à distância pelos pesquisadores dialogam com a realidade do país. Na contramão de diferentes analistas, ele não acredita que a China vá crescer outros 10% em 2010, a exemplo do que fez no ano passado. Suas previsões estabelecem que o PIB chinês será de 6% a 7% maior do que o verificado em 2009. "Até mesmo a China tem um limite para crescer de maneira sustentável."
Para Fenby, as atitudes dos Estados Unidos em relação a problemas internos chineses são compreensíveis, mas também refletem uma certa ignorância a respeito do que seria mais adequado fazer (na foto, os presidentes Hu Jintao e Barack Obama, em Pequim)
Para justificar a projeção, Fenby lança mão do cruzamento de dados. "No ano passado, houve um investimento estatal de 40% do PIB em obras de infraestrutura, mas isso não irá se repetir em 2010." Fenby trabalha com a informação de que a meta de investimentos no setor estabelece um recuo de 20% sobre o realizado no ano passado. Outro dado, segundo ele ainda mais importante, demonstra a decisão oficial de refrear as taxas de crescimento. "As concessões oficiais de crédito às empresas e ao consumidor somaram 1,3 trilhão de dólares em 2009, o dobro do que fora emprestado em 2008, mas já existe a determinação de tornar esse volume 25% menor este ano." Fenby acrescenta que obteve essa indicação no início deste mês, por meio da detalhada leitura da imprensa local. "Muita informação vem em linguagem cifrada, em notas de rodapés nos jornais ou por meio de poucas palavras de porta-vozes. Os líderes sabem que até seria possível, mas simplesmente não querem crescer a uma taxa de 14% este ano, porque temem problemas como liquidez excessiva no sistema financeiro e bolhas de inflação."
É certo, de acordo com Fenby, que a política de incentivo às exportações, em grande parte favorecidas pela administração do câmbio, vai prosseguir. Não há indícios de que Pequim pretenda valorizar o yuan, como pretendem os Estados Unidos. Washington argumenta que a gestão cambial, como é feita hoje, garante aos produtos chineses um grau de competitividade imbatível, que termina por determinar a perda de empregos nos Estados Unidos. "Isso [a valorização da moeda], entre outras consequências, poderia atrair o investimento especulativo para o país, e os chineses também não querem correr esse risco", explica Fenby.
Fenby enxerga na continuada aceleração das exportações chinesas um fator que pode mudar a atual configuração do comércio mundial, com aumento do protecionismo. Já agora, até mesmo países como o Brasil, que defendem a queda de barreiras de acesso a mercados, impõem restrições à entrada de produtos chineses. O movimento protecionista ainda é limitado, porém, porque no outro prato da balança há o fato de as importações chinesas de commodities, especialmente, continuarem a crescer. A demanda de aço, por exemplo, prossegue em alta, e está prevista a abertura de novas siderúrgicas no país, com o que também será possível responder às pressões por criação de empregos dos governos provinciais. Mas a mesma China que comprou cerca de 11 milhões de toneladas de aço do mundo em janeiro de 2004 - com perto de 2,5 milhões de toneladas exportados pelo Brasil -, consumiu mais de 60 milhões em janeiro deste ano, dos quais quase 14 milhões de origem brasileira.
A tese de que a China tornou-se, ou está se transformando num país de economia de mercado não tem respaldo na realidade, diz Fenby. "As tarifas de água, luz e energia são fixadas pelo governo central, assim como a taxa de câmbio. Os investimentos são dirigidos pelo Estado e toda a economia está centralizada em quatro grandes bancos estatais, o da China (central), o da Agricultura, o da Construção Civil e o IBCB, de investimentos."
Esse sistema satisfaz a grande maioria da população do país, acredita Fenby, possivelmente o jornalista estrangeiro com maior número de fontes em território chinês. "O povo está orgulhoso de seu país e do crescimento econômico. De zero a dez, a chance de ocorrer uma nova Praça Tiananmen (manifestações estudantis no centro de Pequim que repercutiram em todo o mundo, feitas em 1989) é um, porque zero não dá para arriscar."
Fenby conta que nem tudo transcorre na China com estrita observância do que o governo determina. A lei que estabelece restrições à natalidade, por exemplo, impondo o limite de um filho por casal, nem sempre é levada ao pé da letra, ao que parece. "No interior da província de Zhe Jiang, perguntei a um líder de uma aldeia pobre porque havia tantas crianças pequenas pelas ruas, e ele me disse que se houvesse luz elétrica e televisão as pessoas teriam um alternativa ao sexo, mas como o progresso não havia chegado, faziam filhos." E há quem se sinta à vontade para afrontar de público a sisudez do regime. Numa casa noturna em Xangai, o repórter encontrou um humorista que satirizava a presença dos líderes chineses em ocorrências como terremotos. "´Desculpe, estou atrasado´, dizia ele, apertando a mão das pessoas em sofrimento como se via na tevê", recorda Fenby.
Entre os líderes do regime, Fenby aposta na ascensão, em 2012, de Li Kejiang para o cargo de primeiro-ministro, e de Xi Jinping para a chefia do Partido Comunista. "Isso já está certo." Ambos fazem parte da atual cúpula do Estado chefiado por Hu Jintao, que acumula as funções de secretário-geral do Partido Comunista, presidente do país e chefe das forças armadas, e Wen Jiabao, primeiro-ministro e chefe de governo. "Não há grandes divergências políticas ali", acredita o jornalista, que fez esse mesmo relato, pessoalmente, a empresários reunidos este ano no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça.
Questões como a censura ao Google, a manutenção do Tibete como região autônoma pertencente à China e a perseguição a muçulmanos não sensibilizam a estrutura de governo. "Quando batem nessas teclas, acreditando que poderão fazer a China mudar suas posições, Barack Obama e Hillary Clinton apenas mostram que não sabem como lidar com o país, seus dirigentes e seu povo", diz Fenby. "É claro que os Estados Unidos têm de manifestar suas posições liberais, mas esses temas não sensibilizam a população, que em sua maioria considera os monges do Tibete no máximo como velhinhos extemporâneos, vê os muçulmanos na categoria de invasores e mal sabe o que se pode fazer por meio do Google."
No livro que o tornou um escritor de sucesso, Fenby defende a tese de que a China foi o país que mais sofreu, em todo o planeta, nos últimos 200 anos. Mas observa que também é o de maior capacidade de superação e crescimento dos últimos 30 anos. Um salto que, para ele, deve ser creditado a dois dirigentes políticos: Mao Tsé-tung e Deng Xiaoping. "Mao mudou a China, mas Deng mudou o mundo", sentencia Fenby, agora empenhado na construção de uma biografia de Charles de Gaulle.
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Thursday, February 11, 2010
267) Shanghai Expo - Pabellon de Venezuela
Venezuela termina la estructura de su pabellón para la Expo 2010 de Shanghái
Por Agencia EFE – 5 Febrero 2010
Shanghái (China), 5 feb (EFE), (Imagen: Jael Herrera).- Venezuela ha completado la estructura principal de su pabellón para la Exposición Universal de 2010 en Shanghái, que tendrá forma de ocho y en el que se mostrará la transformación del país latinoamericano en los últimos años.
El cónsul general de Venezuela en Shanghái, Jean Carlos Ravel, explicó hoy a Efe que el recorrido por el edificio será "libre para el visitante", sin principio ni fin, intentando que la visita sea "relajante, para que la gente disfrute".
En la ceremonia de cierre del techo del pabellón celebrada hoy, a la que también asistió Wu Yunfei, subdirector de la Oficina de Coordinación de la Expo de Shanghái, Ravel explicó que la forma del pabellón viene dada por la importancia del número ocho para las sociedades venezolana y china.
De esta forma, simboliza las ocho estrellas de la bandera de Venezuela y el número de la suerte en China.
El pabellón, de 3.000 metros cuadrados, lleva por lema "Mejor vida, mejor ciudad", invirtiendo el lema de la Expo, "Una ciudad mejor, una vida mejor", y fue uno de los últimos en iniciar su construcción, a finales del pasado septiembre.
A pesar de que se ha solicitado de manera oficial que los pabellones nacionales completen su decoración, como muy tarde, para finales de marzo, Ravel afirmó a Efe que esperan "terminar el pabellón completamente para el 15 de abril", incluida su decoración final, dos semanas antes del comienzo de la Expo de Shanghái.
El edificio tendrá seis niveles en los que se mostrarán arquitecturas típicas de Venezuela como el "shapono" (vivienda comunitaria originaria de los pueblos indígenas del sur del país) o la Plaza Bolívar (lugar donde se llevaban a cabo debates y reuniones).
En el interior del pabellón se mostrarán fotografías y vídeos en los que se podrán ver escenas de la vida cotidiana de los venezolanos.
Los responsables del pabellón esperan también poder celebrar en la Expo de Shanghái un concierto de la Orquesta Nacional Juvenil Simón Bolívar, dirigida por Gustavo Dudamel, que se celebraría el 5 de julio del 2010, día de la independencia venezolana, de la que se cumplirán entonces 200 años.
El presupuesto del proyecto rondará los 15 millones de dólares (10 millones de euros), de los cuales 9 millones de dólares (6 millones de euros) se han dedicado a la construcción del edificio.
© EFE 2010. Está expresamente prohibida la redistribución y la redifusión de todo o parte de los contenidos de los servicios de Efe, sin previo y expreso consentimiento de la Agencia EFE S.A.
Filme: http://www.youtube.com/watch?v=2N7BJ7i6ipc
Por Agencia EFE – 5 Febrero 2010
Shanghái (China), 5 feb (EFE), (Imagen: Jael Herrera).- Venezuela ha completado la estructura principal de su pabellón para la Exposición Universal de 2010 en Shanghái, que tendrá forma de ocho y en el que se mostrará la transformación del país latinoamericano en los últimos años.
El cónsul general de Venezuela en Shanghái, Jean Carlos Ravel, explicó hoy a Efe que el recorrido por el edificio será "libre para el visitante", sin principio ni fin, intentando que la visita sea "relajante, para que la gente disfrute".
En la ceremonia de cierre del techo del pabellón celebrada hoy, a la que también asistió Wu Yunfei, subdirector de la Oficina de Coordinación de la Expo de Shanghái, Ravel explicó que la forma del pabellón viene dada por la importancia del número ocho para las sociedades venezolana y china.
De esta forma, simboliza las ocho estrellas de la bandera de Venezuela y el número de la suerte en China.
El pabellón, de 3.000 metros cuadrados, lleva por lema "Mejor vida, mejor ciudad", invirtiendo el lema de la Expo, "Una ciudad mejor, una vida mejor", y fue uno de los últimos en iniciar su construcción, a finales del pasado septiembre.
A pesar de que se ha solicitado de manera oficial que los pabellones nacionales completen su decoración, como muy tarde, para finales de marzo, Ravel afirmó a Efe que esperan "terminar el pabellón completamente para el 15 de abril", incluida su decoración final, dos semanas antes del comienzo de la Expo de Shanghái.
El edificio tendrá seis niveles en los que se mostrarán arquitecturas típicas de Venezuela como el "shapono" (vivienda comunitaria originaria de los pueblos indígenas del sur del país) o la Plaza Bolívar (lugar donde se llevaban a cabo debates y reuniones).
En el interior del pabellón se mostrarán fotografías y vídeos en los que se podrán ver escenas de la vida cotidiana de los venezolanos.
Los responsables del pabellón esperan también poder celebrar en la Expo de Shanghái un concierto de la Orquesta Nacional Juvenil Simón Bolívar, dirigida por Gustavo Dudamel, que se celebraría el 5 de julio del 2010, día de la independencia venezolana, de la que se cumplirán entonces 200 años.
El presupuesto del proyecto rondará los 15 millones de dólares (10 millones de euros), de los cuales 9 millones de dólares (6 millones de euros) se han dedicado a la construcción del edificio.
© EFE 2010. Está expresamente prohibida la redistribución y la redifusión de todo o parte de los contenidos de los servicios de Efe, sin previo y expreso consentimiento de la Agencia EFE S.A.
Filme: http://www.youtube.com/watch?v=2N7BJ7i6ipc
266) A próxima escalada da China - Michael Spence
A próxima escalada da China
Por Michael Spence
Valor Econômico, 11/02/2010 - pág. A11
País precisa equilibrar ações externas e internas. Mas não tem experiência nisso.
Com uma disponibilidade mais ampla de seguridade social, seguros e serviços, as poupanças preventivas chinesas deverão cair
A China começa a entrar em uma série de transições complexas, que assentarão as fundações para chegar à posição de país avançado, o que espera alcançar nos próximos 25 anos. Após 30 anos de crescimento sustentado e uma resposta notavelmente bem-sucedida à crise mundial, a autoconfiança chinesa está em alta. As lições que o governo poderia tirar da crise, no entanto, talvez não sejam os melhores guias no longo prazo.
A China depara-se com vários desafios paralelos e relacionados, que são cruciais para seu desenvolvimento interno, assim como para suas relações econômicas internacionais. Entre os desafios estão:
1) uma grande reestruturação microeconômica da economia para proteger a posição da classe média emergente;
2) uma mudança macroeconômica para elevar o consumo e renda das famílias e expandir a classe média;
3) a reversão da desigualdade de renda, agora em alta, por meio da redução do alto nível de poupança em relação aos investimentos e, portanto, da redução do superávit em conta corrente;
4) reduzir o crescimento futuro da intensidade de carbono e energia;
5) assumir maiores responsabilidades internacionais.
A China, de fato, chegou ao ponto em que seu impacto na economia mundial é importante de forma sistêmica. Chegou a esse ponto, contudo, com uma renda per capita muito menor do que qualquer predecessor sistemicamente importante. O motivo é que a China é, de longe, o país mais populoso do mundo a ter mantido uma forte taxa de expansão por 30 anos. Portanto, passar a lidar com sua própria influência internacional agora se soma a uma agenda política já complexa, em um momento em que a maioria dos países tem o luxo de manter um foco, em sua maior parte, doméstico.
A China precisa equilibrar essas prioridades internacionais e domésticas, mas possui pouca experiência histórica para guiá-la. (A Índia enfrentará esse problema em cerca de dez anos, enquanto continua com seu caminho de rápida expansão.)
Com renda per capita em torno a US$ 4 mil (mais pelo critério de paridade do poder de compra), partes importantes da economia chinesa já possuem, ou começam a ter, o status de classe média. É uma transição complicada, durante a qual muitos países perderam a força enquanto as transformações estruturais se atrasavam.
Por exemplo, setores chineses exportadores de uso intenso de mão de obra vêm perdendo sua vantagem competitiva. É preciso deixar que decaiam ou que se mudem para o interior (e acabem decaindo posteriormente). Serão substituídos por setores que dependam de mais de tecnologia e capital humano.
A renda disponível das famílias chinesas é de cerca de 60% da renda nacional na China e o índice de poupança desses grupos familiares é próximo a 30% da renda disponível. Esses números são, respectivamente, mais baixos e mais altos em comparação a outros países. Para a China, isso coloca o consumo dentro de uma faixa entre 40% e 45% do Produto Interno Bruto (PIB). Para capacitar o mercado doméstico a guiar o crescimento da renda e acelerar o crescimento da classe média, esses números precisam mudar.
A renda das famílias precisa subir e, com uma disponibilidade mais ampla de seguridade social, seguros e serviços, as poupanças preventivas deverão cair. Essas duas coisas sustentarão a transição da classe média ao expandir a função do mercado doméstico como motor do crescimento. Também ajudarão a reforçar a expansão diante da probabilidade de enfraquecimento da demanda mundial.
Ainda mais importante, no entanto, é que o forte crescimento do mercado doméstico, especialmente do setor de serviços, precisa substituir em grande parte o setor exportador como motor do emprego, colocando a população rural na economia moderna. À medida que o setor exportador entrar em setores de maior valor agregado, não exercerá mais essa função, como no passado.
O governo detém mais de 50% das estatais restantes, mas não precisa nem usar a renda. Uma grande parte dessas fontes de renda (empresas e governo) precisa ser redirecionada para o setor doméstico.
Alto crescimento e urbanização levaram a fortes aumentos de renda nas áreas urbanas e a elevações menores nas áreas rurais. Um grande grupo de trabalhadores e famílias migrantes (na ordem de 150 milhões a 200 milhões de pessoas) formalmente ainda é contabilizado em áreas rurais, mas na verdade são residentes urbanos marginais, com direitos e acesso a serviços limitados. O aumento nas tensões sociais resultante disso está sendo resolvido com a expansão dos serviços rurais, investimentos em infraestrutura urbana e regularização do status dos migrantes.
A China enfrentou desafios assombrosos no passado - e, em geral, superou as previsões dos céticos. Agora, no entanto, se depara com pressões e responsabilidades internacionais. O país, no entanto, também enfrenta um cenário externo que, ocasionalmente, é hostil à forma de governo do país; que algumas vezes minimiza ou deprecia a rápida ascensão de milhões de chineses para longe da pobreza; que tende a ver a economia mundial como um jogo em que se alguém ganha é porque alguém perdeu; e que, equivocadamente, atribui o sucesso econômico da China a políticas não cooperativas em áreas como a administração das taxas de câmbio.
A China precisa confrontar o desafio de promover uma reestruturação doméstica para sustentar o crescimento, enquanto defende o direito de se desenvolver sem ser penalizada por seu tamanho. Também precisa, contudo, assumir maior responsabilidade pelos desequilíbrios internacionais, pela estabilidade econômica e financeira e pela governança, além de representar os países em desenvolvimento menos poderosos. O resto do mundo tem muito em jogo dependendo do resultado dessa complexa tentativa de equilíbrio.
Michael Spence, premiado pelo Nobel de Economia em 2001, é professor emérito da Universidade Stanford e presidente da Comissão de Crescimento e Desenvolvimento.
Copyright: Project Syndicate, 2010.
Podcast neste link.
Por Michael Spence
Valor Econômico, 11/02/2010 - pág. A11
País precisa equilibrar ações externas e internas. Mas não tem experiência nisso.
Com uma disponibilidade mais ampla de seguridade social, seguros e serviços, as poupanças preventivas chinesas deverão cair
A China começa a entrar em uma série de transições complexas, que assentarão as fundações para chegar à posição de país avançado, o que espera alcançar nos próximos 25 anos. Após 30 anos de crescimento sustentado e uma resposta notavelmente bem-sucedida à crise mundial, a autoconfiança chinesa está em alta. As lições que o governo poderia tirar da crise, no entanto, talvez não sejam os melhores guias no longo prazo.
A China depara-se com vários desafios paralelos e relacionados, que são cruciais para seu desenvolvimento interno, assim como para suas relações econômicas internacionais. Entre os desafios estão:
1) uma grande reestruturação microeconômica da economia para proteger a posição da classe média emergente;
2) uma mudança macroeconômica para elevar o consumo e renda das famílias e expandir a classe média;
3) a reversão da desigualdade de renda, agora em alta, por meio da redução do alto nível de poupança em relação aos investimentos e, portanto, da redução do superávit em conta corrente;
4) reduzir o crescimento futuro da intensidade de carbono e energia;
5) assumir maiores responsabilidades internacionais.
A China, de fato, chegou ao ponto em que seu impacto na economia mundial é importante de forma sistêmica. Chegou a esse ponto, contudo, com uma renda per capita muito menor do que qualquer predecessor sistemicamente importante. O motivo é que a China é, de longe, o país mais populoso do mundo a ter mantido uma forte taxa de expansão por 30 anos. Portanto, passar a lidar com sua própria influência internacional agora se soma a uma agenda política já complexa, em um momento em que a maioria dos países tem o luxo de manter um foco, em sua maior parte, doméstico.
A China precisa equilibrar essas prioridades internacionais e domésticas, mas possui pouca experiência histórica para guiá-la. (A Índia enfrentará esse problema em cerca de dez anos, enquanto continua com seu caminho de rápida expansão.)
Com renda per capita em torno a US$ 4 mil (mais pelo critério de paridade do poder de compra), partes importantes da economia chinesa já possuem, ou começam a ter, o status de classe média. É uma transição complicada, durante a qual muitos países perderam a força enquanto as transformações estruturais se atrasavam.
Por exemplo, setores chineses exportadores de uso intenso de mão de obra vêm perdendo sua vantagem competitiva. É preciso deixar que decaiam ou que se mudem para o interior (e acabem decaindo posteriormente). Serão substituídos por setores que dependam de mais de tecnologia e capital humano.
A renda disponível das famílias chinesas é de cerca de 60% da renda nacional na China e o índice de poupança desses grupos familiares é próximo a 30% da renda disponível. Esses números são, respectivamente, mais baixos e mais altos em comparação a outros países. Para a China, isso coloca o consumo dentro de uma faixa entre 40% e 45% do Produto Interno Bruto (PIB). Para capacitar o mercado doméstico a guiar o crescimento da renda e acelerar o crescimento da classe média, esses números precisam mudar.
A renda das famílias precisa subir e, com uma disponibilidade mais ampla de seguridade social, seguros e serviços, as poupanças preventivas deverão cair. Essas duas coisas sustentarão a transição da classe média ao expandir a função do mercado doméstico como motor do crescimento. Também ajudarão a reforçar a expansão diante da probabilidade de enfraquecimento da demanda mundial.
Ainda mais importante, no entanto, é que o forte crescimento do mercado doméstico, especialmente do setor de serviços, precisa substituir em grande parte o setor exportador como motor do emprego, colocando a população rural na economia moderna. À medida que o setor exportador entrar em setores de maior valor agregado, não exercerá mais essa função, como no passado.
O governo detém mais de 50% das estatais restantes, mas não precisa nem usar a renda. Uma grande parte dessas fontes de renda (empresas e governo) precisa ser redirecionada para o setor doméstico.
Alto crescimento e urbanização levaram a fortes aumentos de renda nas áreas urbanas e a elevações menores nas áreas rurais. Um grande grupo de trabalhadores e famílias migrantes (na ordem de 150 milhões a 200 milhões de pessoas) formalmente ainda é contabilizado em áreas rurais, mas na verdade são residentes urbanos marginais, com direitos e acesso a serviços limitados. O aumento nas tensões sociais resultante disso está sendo resolvido com a expansão dos serviços rurais, investimentos em infraestrutura urbana e regularização do status dos migrantes.
A China enfrentou desafios assombrosos no passado - e, em geral, superou as previsões dos céticos. Agora, no entanto, se depara com pressões e responsabilidades internacionais. O país, no entanto, também enfrenta um cenário externo que, ocasionalmente, é hostil à forma de governo do país; que algumas vezes minimiza ou deprecia a rápida ascensão de milhões de chineses para longe da pobreza; que tende a ver a economia mundial como um jogo em que se alguém ganha é porque alguém perdeu; e que, equivocadamente, atribui o sucesso econômico da China a políticas não cooperativas em áreas como a administração das taxas de câmbio.
A China precisa confrontar o desafio de promover uma reestruturação doméstica para sustentar o crescimento, enquanto defende o direito de se desenvolver sem ser penalizada por seu tamanho. Também precisa, contudo, assumir maior responsabilidade pelos desequilíbrios internacionais, pela estabilidade econômica e financeira e pela governança, além de representar os países em desenvolvimento menos poderosos. O resto do mundo tem muito em jogo dependendo do resultado dessa complexa tentativa de equilíbrio.
Michael Spence, premiado pelo Nobel de Economia em 2001, é professor emérito da Universidade Stanford e presidente da Comissão de Crescimento e Desenvolvimento.
Copyright: Project Syndicate, 2010.
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260) USA and China - Editorial New York Times
The Challenge of China
Editorial Tne New York Times, February 11, 2010
Relations between the United States and China have turned chilly in recent months as the two countries wrangle over Taiwan, Tibet, Iran and China’s continued manipulation of its currency.
President Obama is right to press Beijing to behave more responsibly — toward its own people and internationally. China is certainly pushing its sense of grievance too far and underestimating the fear and resentment its growing power is provoking in Asia and the West.
There is little hope of progress — on the global economy, global warming or Iran’s nuclear ambitions — unless Washington and Beijing work harder to manage their differences.
President Obama’s decision last month to sell Taiwan $6.4 billion in helicopters, Patriot missiles and other defensive items elicited a particularly harsh reaction: Beijing has publicly threatened to punish American arms companies that sell to Taiwan, presumably by cutting off access to China’s huge market.
The sales could not have been a surprise to China’s leadership. Mr. Obama told President Hu Jintao of his intentions at their summit in November in Beijing. The arms were part of a package approved by former President George W. Bush, and Mr. Obama left out the most controversial items: F-16 jets and diesel submarines.
Rather than encouraging Taiwan’s independence, as Beijing claims, the arms sales will give Taiwan’s president, Ma Ying-jeou, the confidence to continue his efforts to improve relations with the mainland. It is absurd for China to think that any Taiwanese leader would not want to bolster his country’s defenses when Beijing is modernizing its arsenal and stationing more than 1,000 missiles across the Taiwan Strait.
Beijing’s threat to punish American companies is a dangerous game, especially at a time when criticism is rampant — around the world and on Capitol Hill — about China’s unfair trade practices.
Beijing is also complaining bitterly about President Obama’s planned meeting this month with the Dalai Lama, warning it would “damage trust and cooperation” between the two countries. American presidents have regularly met with the respected Tibetan religious leader. And China’s leaders would have more chance of calming tensions in Tibet if they sought serious compromise with the Dalai Lama, who has advocated greater autonomy for the region, not independence, as Beijing speciously claims.
China is alienating not only the United States but also France, Britain and Germany by resisting tougher United Nations Security Council sanctions on Iran. Beijing’s view is frustratingly shortsighted. Any conflict over Iran’s nuclear program would drive up oil prices and disrupt China’s purchases.
The Obama administration is smart to try to line up backup suppliers for China — talking to Saudi Arabia and others — as part of its bid to get Beijing to support tougher sanctions.
The administration also was smart not to overreact when Beijing declared that the Taiwan arms sales will “cause seriously negative effects” on contacts and cooperation between the two countries. Administration officials expect the Chinese to cancel some high-level meetings. But they say they are working to ensure that midlevel military exchanges continue and that this year’s summit in Washington with President Hu goes forward.
American officials say they see signs that Beijing doesn’t want to push things too hard. Outside experts worry that China may overplay its hand. That would not be in anyone’s interest.
Editorial Tne New York Times, February 11, 2010
Relations between the United States and China have turned chilly in recent months as the two countries wrangle over Taiwan, Tibet, Iran and China’s continued manipulation of its currency.
President Obama is right to press Beijing to behave more responsibly — toward its own people and internationally. China is certainly pushing its sense of grievance too far and underestimating the fear and resentment its growing power is provoking in Asia and the West.
There is little hope of progress — on the global economy, global warming or Iran’s nuclear ambitions — unless Washington and Beijing work harder to manage their differences.
President Obama’s decision last month to sell Taiwan $6.4 billion in helicopters, Patriot missiles and other defensive items elicited a particularly harsh reaction: Beijing has publicly threatened to punish American arms companies that sell to Taiwan, presumably by cutting off access to China’s huge market.
The sales could not have been a surprise to China’s leadership. Mr. Obama told President Hu Jintao of his intentions at their summit in November in Beijing. The arms were part of a package approved by former President George W. Bush, and Mr. Obama left out the most controversial items: F-16 jets and diesel submarines.
Rather than encouraging Taiwan’s independence, as Beijing claims, the arms sales will give Taiwan’s president, Ma Ying-jeou, the confidence to continue his efforts to improve relations with the mainland. It is absurd for China to think that any Taiwanese leader would not want to bolster his country’s defenses when Beijing is modernizing its arsenal and stationing more than 1,000 missiles across the Taiwan Strait.
Beijing’s threat to punish American companies is a dangerous game, especially at a time when criticism is rampant — around the world and on Capitol Hill — about China’s unfair trade practices.
Beijing is also complaining bitterly about President Obama’s planned meeting this month with the Dalai Lama, warning it would “damage trust and cooperation” between the two countries. American presidents have regularly met with the respected Tibetan religious leader. And China’s leaders would have more chance of calming tensions in Tibet if they sought serious compromise with the Dalai Lama, who has advocated greater autonomy for the region, not independence, as Beijing speciously claims.
China is alienating not only the United States but also France, Britain and Germany by resisting tougher United Nations Security Council sanctions on Iran. Beijing’s view is frustratingly shortsighted. Any conflict over Iran’s nuclear program would drive up oil prices and disrupt China’s purchases.
The Obama administration is smart to try to line up backup suppliers for China — talking to Saudi Arabia and others — as part of its bid to get Beijing to support tougher sanctions.
The administration also was smart not to overreact when Beijing declared that the Taiwan arms sales will “cause seriously negative effects” on contacts and cooperation between the two countries. Administration officials expect the Chinese to cancel some high-level meetings. But they say they are working to ensure that midlevel military exchanges continue and that this year’s summit in Washington with President Hu goes forward.
American officials say they see signs that Beijing doesn’t want to push things too hard. Outside experts worry that China may overplay its hand. That would not be in anyone’s interest.
Wednesday, February 10, 2010
264) China vs USA: exchange rates and trade frictions
China hits back at US over trade and currency
BBC News, Thursday, 4 February 2010
Chinese foreign ministry spokesman Ma Zhaoxu: "Accusations and pressure do not help"
China has hit back at the US a day after President Barack Obama promised to take a tougher line with Beijing over currency and trade.
Chinese foreign ministry spokesman Ma Zhaoxu insisted the value of the Chinese yuan was not the main reason for China's trade surplus with the US.
Mr Obama vowed to ensure that countries were not giving their currencies an unfair advantage over the dollar.
Ties between the US and China have been strained over an arms deal with Taiwan.
Tensions have also risen over reports of Chinese cyber attacks on US-run websites and a planned visit to the US by the Dalai Lama.
US companies have long complained that China keeps its currency artificially undervalued, allowing a steady flow of cheap exports around the world.
Graph showing US-China trade deficit
At a meeting with Senate Democrats, Mr Obama was asked whether the US would cut ties with Beijing over continuing trade disputes.
He said he would continue to make sure that China and other countries abided by trade agreements, but warned it would be a mistake for the US to become protectionist.
"The approach that we're taking is to try to get much tougher about the enforcement of existing rules, putting constant pressure on China and other countries to open up their markets in reciprocal ways," he said.
"But what I don't want to do is for us as a country or as a party, to shy away from the prospects of international competition."
Mr Obama also said foreign exchange rates would be monitored.
"One of the challenges that we've got to address internationally is currency rates and how they match up to make sure that our goods are not artificially inflated in price and their goods are artificially deflated in price," he explained.
But Mr Ma said on Thursday that the value of the Chinese yuan was at a reasonable level and that China was not pursuing a trade surplus with the US.
"At the moment... the level of the yuan is close to reasonable and balanced," he said.
Mr Ma said he hoped any problems with the China-US trade relationship could be solved through dialogue.
"Trade co-operation between the US and China is mutually beneficial," he said.
"We hope the American side sees the problems within the China-US trade co-operation objectively and reasonably and continues to negotiate on an equal basis. Accusations and pressure do not help to solve the problem."
Chinese trade figures released in December showed China likely to overtake Germany as the world's largest exporter.
China said it had exported goods worth $1.2tn (£757bn) in 2009, while Germany is expected to register a figure of $1.18tn (£744bn).
The figures led to renewed complaints from China's trading competitors that its currency is undervalued.
On Wednesday, Mr Ma told President Obama meeting the Tibetan spiritual leader would further erode ties between Beijing and Washington.
"We urge the US to fully grasp the high sensitivity of the Tibetan issues, to prudently and appropriately deal with related matters, and avoid bringing further damage to China-US relations," he said.
China, which took over Tibet in 1950-51, considers the Dalai Lama a separatist.
US-CHINA TENSIONS
Google - China denies being behind an alleged cyber attack on the US search engine
Taiwan - a US sale of $6.4bn (£4bn) of defensive arms to Taiwan has angered Beijing
Tibet - China says a US meeting with the Dalai Lama would "undermine relations"
Trade - rows over imports and exports of meat, media, car tyres and raw materials
Iran - the US fears China will not back tougher sanctions against Tehran over its nuclear programme
Climate - the US is disappointed at China's tough position at the Copenhagen Summit
Relations hit a bad patch
The US-China power balance
BBC News, Thursday, 4 February 2010
Chinese foreign ministry spokesman Ma Zhaoxu: "Accusations and pressure do not help"
China has hit back at the US a day after President Barack Obama promised to take a tougher line with Beijing over currency and trade.
Chinese foreign ministry spokesman Ma Zhaoxu insisted the value of the Chinese yuan was not the main reason for China's trade surplus with the US.
Mr Obama vowed to ensure that countries were not giving their currencies an unfair advantage over the dollar.
Ties between the US and China have been strained over an arms deal with Taiwan.
Tensions have also risen over reports of Chinese cyber attacks on US-run websites and a planned visit to the US by the Dalai Lama.
US companies have long complained that China keeps its currency artificially undervalued, allowing a steady flow of cheap exports around the world.
Graph showing US-China trade deficit
At a meeting with Senate Democrats, Mr Obama was asked whether the US would cut ties with Beijing over continuing trade disputes.
He said he would continue to make sure that China and other countries abided by trade agreements, but warned it would be a mistake for the US to become protectionist.
"The approach that we're taking is to try to get much tougher about the enforcement of existing rules, putting constant pressure on China and other countries to open up their markets in reciprocal ways," he said.
"But what I don't want to do is for us as a country or as a party, to shy away from the prospects of international competition."
Mr Obama also said foreign exchange rates would be monitored.
"One of the challenges that we've got to address internationally is currency rates and how they match up to make sure that our goods are not artificially inflated in price and their goods are artificially deflated in price," he explained.
But Mr Ma said on Thursday that the value of the Chinese yuan was at a reasonable level and that China was not pursuing a trade surplus with the US.
"At the moment... the level of the yuan is close to reasonable and balanced," he said.
Mr Ma said he hoped any problems with the China-US trade relationship could be solved through dialogue.
"Trade co-operation between the US and China is mutually beneficial," he said.
"We hope the American side sees the problems within the China-US trade co-operation objectively and reasonably and continues to negotiate on an equal basis. Accusations and pressure do not help to solve the problem."
Chinese trade figures released in December showed China likely to overtake Germany as the world's largest exporter.
China said it had exported goods worth $1.2tn (£757bn) in 2009, while Germany is expected to register a figure of $1.18tn (£744bn).
The figures led to renewed complaints from China's trading competitors that its currency is undervalued.
On Wednesday, Mr Ma told President Obama meeting the Tibetan spiritual leader would further erode ties between Beijing and Washington.
"We urge the US to fully grasp the high sensitivity of the Tibetan issues, to prudently and appropriately deal with related matters, and avoid bringing further damage to China-US relations," he said.
China, which took over Tibet in 1950-51, considers the Dalai Lama a separatist.
US-CHINA TENSIONS
Google - China denies being behind an alleged cyber attack on the US search engine
Taiwan - a US sale of $6.4bn (£4bn) of defensive arms to Taiwan has angered Beijing
Tibet - China says a US meeting with the Dalai Lama would "undermine relations"
Trade - rows over imports and exports of meat, media, car tyres and raw materials
Iran - the US fears China will not back tougher sanctions against Tehran over its nuclear programme
Climate - the US is disappointed at China's tough position at the Copenhagen Summit
Relations hit a bad patch
The US-China power balance
263) China e Tibete: dialogo com Dalai Lama
Tibete: Dalai Lama tenta retomar diálogo com China
Opinião e Notícia, 27/01/2010
Após 15 meses de silêncio, o governo chinês deve retomar diálogo com representantes do líder tibetano, o Dalai Lama. Não foi esclarecida a razão para a China ter decidido receber representantes, mas analistas acreditam que provavelmente se trata de uma reação ao primeiro encontro do presidente Barack Obama com o Dalai Lama, que acontecerá em breve.
Autoridades chinesas acreditam que, retomando o diálogo, podem diminuir a importância da reunião do Dalai Lama com Obama. Em janeiro foram realizadas duas reuniões para discutir o Tibete. O presidente chinês pediu que a renda dos tibetanos seja elevada à média nacional até 2020.
As conversas foram paralisadas em 2008 porque o governo chinês se recusou a discutir a proposta do líder do Tibete para unificar a administração das regiões chinesas habitadas por tibetanos. A China viu a proposta do Dalai Lama como uma tentativa disfarçada de conseguir independência para o Tibete. O líder negou a acusação e afirma que só deseja conseguir mais liberdade cultural e religiosa para seu povo.
Em nossa opinião…
A milenar cultura do Tibete é única na sua riqueza e tradição. A China, desde o exílio do Dalai Lama há 50 anos, vem sistematicamente destruindo essa cultura fechando templos, perseguindo religiosos, forçando a migração em massa para o Tibete de chineses e abrindo o país até então isolado do mundo com aeroportos e ferrovias moderníssimos. O Dalai Lama luta tenazmente há cinco décadas para tentar obter alguma espécie de autonomia para seu país, como demonstra mais uma vez tentando negociar com a China, mas é muito pouco provável que consiga alguma coisa. E quando ele morrer é provável que a China simplesmente extinga o seu cargo ou imponha um títere escolhido por ela. Será o final de uma história de quase 2 mil anos.
Opinião e Notícia, 27/01/2010
Após 15 meses de silêncio, o governo chinês deve retomar diálogo com representantes do líder tibetano, o Dalai Lama. Não foi esclarecida a razão para a China ter decidido receber representantes, mas analistas acreditam que provavelmente se trata de uma reação ao primeiro encontro do presidente Barack Obama com o Dalai Lama, que acontecerá em breve.
Autoridades chinesas acreditam que, retomando o diálogo, podem diminuir a importância da reunião do Dalai Lama com Obama. Em janeiro foram realizadas duas reuniões para discutir o Tibete. O presidente chinês pediu que a renda dos tibetanos seja elevada à média nacional até 2020.
As conversas foram paralisadas em 2008 porque o governo chinês se recusou a discutir a proposta do líder do Tibete para unificar a administração das regiões chinesas habitadas por tibetanos. A China viu a proposta do Dalai Lama como uma tentativa disfarçada de conseguir independência para o Tibete. O líder negou a acusação e afirma que só deseja conseguir mais liberdade cultural e religiosa para seu povo.
Em nossa opinião…
A milenar cultura do Tibete é única na sua riqueza e tradição. A China, desde o exílio do Dalai Lama há 50 anos, vem sistematicamente destruindo essa cultura fechando templos, perseguindo religiosos, forçando a migração em massa para o Tibete de chineses e abrindo o país até então isolado do mundo com aeroportos e ferrovias moderníssimos. O Dalai Lama luta tenazmente há cinco décadas para tentar obter alguma espécie de autonomia para seu país, como demonstra mais uma vez tentando negociar com a China, mas é muito pouco provável que consiga alguma coisa. E quando ele morrer é provável que a China simplesmente extinga o seu cargo ou imponha um títere escolhido por ela. Será o final de uma história de quase 2 mil anos.
262) China's Financial Evolution - Michael Pettis
China's Financial Evolution Will Take the Slow Road
Michael Pettis
Financial Times, January 22, 2010
Given the speed of its economic transformation, its sky-high bank-stock valuations, the unprecedented size of its accumulated reserves, and its much-advertised desire to change the global monetary system; it is tempting to assume that China will radically transform the world’s capital markets and financial systems with the same ruthless speed with which it has transformed export markets.
But this won’t happen. Beijing is skeptical of arguments supporting rapid financial and monetary deregulation, and policymakers continue to measure the usefulness of the financial system mainly to the extent that it serves the needs of rapid growth in manufacturing and infrastructure. This means continued heavy-handed control of the capital allocation process and the level of interest rates, the relinquishing of which are the two key measures of real financial sector liberalisation.
China’s main impact on the global financial system will continue, for the foreseeable future, to be limited to its massive accumulation of reserves. And because the US is still the only economy large and flexible enough to accommodate the high trade surpluses that the Chinese economy relies on, it will continue to accumulate dollars.
This will affect global markets significantly, to be sure. With nearly $3,000bn stuffed away in the central bank, the sovereign wealth fund, and required bank reserves denominated in dollars, Chinese investment decisions cannot fail to have an important impact on asset markets, risk premiums and currency values. For the most part however we can expect little change from existing investment strategies except to see, perhaps, a pick-up in the currently-low level of foreign acquisitions by Chinese companies.
There is, however, likely to be one major change, and that is that the pace of reserve accumulation will slow sharply over the next few years, mainly because the US trade deficit will contract, bringing with it a lower Chinese trade surplus. In addition less speculative money will pour into China as a result of slower growth and rising risks to the financial system. With less money recycled abroad by China’s central bank, part of the liquidity that underpinned the asset bubbles of the past decade will dissipate.
As for the impact of Chinese banks abroad, China’s financial system is still heavily controlled and highly regulated, leaving Chinese banks little prepared for the ferocious competition typical of international markets. Despite important efforts by the likes of CICC, Shenyin Wanguo, CCB and BoCI, there is still a long ways to go before they are truly international players.
In addition, Chinese regulators seem eager to avoid the mistakes made by Japanese banks in the 1980s when, stuffed like Chinese banks today with low-cost deposits and limited investment opportunities at home, they extended financing at low spreads to risky foreign borrowers. There will of course be some foolish international lending. Banks stuffed with cash have always had a hard time turning away lending opportunities, but Chinese regulators worry about too-rapid international growth and will probably try to resist overexcited expansion plans.
More importantly, China’s response to the global crisis involved an unprecedented expansion in credit, which is likely to have exacerbated the country’s underlying imbalances. This means that within two or three years Chinese banks are going to be faced simultaneously with the double whammy of slowing economic growth and rising non-performing loans. This will put a damper on international risk-taking.
The area that probably has generated the most excitement from financial-market players has been reform and liberalisation in the domestic financial markets, with many foreign banks hoping that a rapid opening of the domestic markets will lead to a huge new arena for global investment banks, but here too it pays to be cautious. A number of commentators have pointed excitedly to the rapid pace of change and reform in the past five years – the permitting of foreign institutions to invest in China via the QFII program, of Chinese institutions to invest abroad via the QDII program, the gradual opening up of the corporate bond markets, the moves towards derivatives, short selling, and margin trading, etc.
But here too we should be cautious. Serious reform to the domestic financial system would require a liberalisation of interest rates and a significant reorientation in the governance structure of banks. On these two counts it is hard to argue that any meaningful change has taken place in the past few years, and until there is real change, the domestic markets will not have meaningfully advanced.
The China story has generated so much excitement and dread abroad that it has become too easy to fantasise massive change in every field, but observers would do well to be skeptical. China’s financial system is not like its manufacture of tradeable goods. It is much more difficult to fit radical liberalization and opening up of the financial markets into the social and political needs of China’s policymakers.
Source: www.carnegieendowment.org/publications/index.cfm?fa=view&id=24776
Featured Event
Mr. Obama Goes to Asia: Defining a Regional Policy
Douglas Paal Much has been made about President Obama's upcoming trip to Asia as recent events on the continent—continuing uncertainty in North Korea, the violence in Urumqi, and the ongoing fallout in the wake of global recession—indicate that this could be one of the most important trips of his first year in office.
* Event Transcript
* Event Video
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Related Publications
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China: What Risks Lie Ahead?
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Sharing the Pain: The Global Struggle Over Savings
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Competitive Devaluations Threaten a Trade War
Michael Pettis
Financial Times, January 22, 2010
Given the speed of its economic transformation, its sky-high bank-stock valuations, the unprecedented size of its accumulated reserves, and its much-advertised desire to change the global monetary system; it is tempting to assume that China will radically transform the world’s capital markets and financial systems with the same ruthless speed with which it has transformed export markets.
But this won’t happen. Beijing is skeptical of arguments supporting rapid financial and monetary deregulation, and policymakers continue to measure the usefulness of the financial system mainly to the extent that it serves the needs of rapid growth in manufacturing and infrastructure. This means continued heavy-handed control of the capital allocation process and the level of interest rates, the relinquishing of which are the two key measures of real financial sector liberalisation.
China’s main impact on the global financial system will continue, for the foreseeable future, to be limited to its massive accumulation of reserves. And because the US is still the only economy large and flexible enough to accommodate the high trade surpluses that the Chinese economy relies on, it will continue to accumulate dollars.
This will affect global markets significantly, to be sure. With nearly $3,000bn stuffed away in the central bank, the sovereign wealth fund, and required bank reserves denominated in dollars, Chinese investment decisions cannot fail to have an important impact on asset markets, risk premiums and currency values. For the most part however we can expect little change from existing investment strategies except to see, perhaps, a pick-up in the currently-low level of foreign acquisitions by Chinese companies.
There is, however, likely to be one major change, and that is that the pace of reserve accumulation will slow sharply over the next few years, mainly because the US trade deficit will contract, bringing with it a lower Chinese trade surplus. In addition less speculative money will pour into China as a result of slower growth and rising risks to the financial system. With less money recycled abroad by China’s central bank, part of the liquidity that underpinned the asset bubbles of the past decade will dissipate.
As for the impact of Chinese banks abroad, China’s financial system is still heavily controlled and highly regulated, leaving Chinese banks little prepared for the ferocious competition typical of international markets. Despite important efforts by the likes of CICC, Shenyin Wanguo, CCB and BoCI, there is still a long ways to go before they are truly international players.
In addition, Chinese regulators seem eager to avoid the mistakes made by Japanese banks in the 1980s when, stuffed like Chinese banks today with low-cost deposits and limited investment opportunities at home, they extended financing at low spreads to risky foreign borrowers. There will of course be some foolish international lending. Banks stuffed with cash have always had a hard time turning away lending opportunities, but Chinese regulators worry about too-rapid international growth and will probably try to resist overexcited expansion plans.
More importantly, China’s response to the global crisis involved an unprecedented expansion in credit, which is likely to have exacerbated the country’s underlying imbalances. This means that within two or three years Chinese banks are going to be faced simultaneously with the double whammy of slowing economic growth and rising non-performing loans. This will put a damper on international risk-taking.
The area that probably has generated the most excitement from financial-market players has been reform and liberalisation in the domestic financial markets, with many foreign banks hoping that a rapid opening of the domestic markets will lead to a huge new arena for global investment banks, but here too it pays to be cautious. A number of commentators have pointed excitedly to the rapid pace of change and reform in the past five years – the permitting of foreign institutions to invest in China via the QFII program, of Chinese institutions to invest abroad via the QDII program, the gradual opening up of the corporate bond markets, the moves towards derivatives, short selling, and margin trading, etc.
But here too we should be cautious. Serious reform to the domestic financial system would require a liberalisation of interest rates and a significant reorientation in the governance structure of banks. On these two counts it is hard to argue that any meaningful change has taken place in the past few years, and until there is real change, the domestic markets will not have meaningfully advanced.
The China story has generated so much excitement and dread abroad that it has become too easy to fantasise massive change in every field, but observers would do well to be skeptical. China’s financial system is not like its manufacture of tradeable goods. It is much more difficult to fit radical liberalization and opening up of the financial markets into the social and political needs of China’s policymakers.
Source: www.carnegieendowment.org/publications/index.cfm?fa=view&id=24776
Featured Event
Mr. Obama Goes to Asia: Defining a Regional Policy
Douglas Paal Much has been made about President Obama's upcoming trip to Asia as recent events on the continent—continuing uncertainty in North Korea, the violence in Urumqi, and the ongoing fallout in the wake of global recession—indicate that this could be one of the most important trips of his first year in office.
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261) China vs Google - Carnegie Endownment
China-U.S.: Google Is Just the Beginning
Douglas H. Paal
Carnegie Endownment, Commentary, January 21, 2010
Google’s executives deserve praise for finally standing up to Chinese hacking of its customers and demand for self-censorship. Moreover, Google’s share of the world’s largest internet market was stagnating. So if it leaves China, Google will repair its tarnished reputation for censorship while losing relatively little. Conceivably, China might compromise eventually and Google would be a double winner, remaining in the market on better terms and fixing its brand name. But don’t count on it.
This is going to be a hard year for U.S. relations with China. Just last week, China openly announced a successful shot by its anti-missile system, something that starkly contradicts China’s “principled position” of opposing anti-missile systems and weapons in space. Now, Google has pointed unambiguously to China as the source of a massive hacking operation against many corporations, individuals, and human rights activists in particular.
Over the next two months, President Obama can be expected to meet with His Holiness the Dalai Lama in the White House and to announce a sizeable if not terribly controversial package of arms sales to Taiwan. And Beijing’s diplomats are openly warning that there will be a strong Chinese reaction to these events. Most likely, China’s President Hu Jintao will at the very least refuse to attend next April’s Nuclear Security Summit to be hosted by Obama.
And the downbeat news won’t stop there. The U.S. is preparing a resolution toughening sanctions on Iran for a vote by the UN Security Council. The U.S. wants China’s vote, but the Chinese UN envoy says it is premature. Increasingly, Beijing rather than Moscow is the principal impediment to squeezing the Iranian nuclear weapons program. China has prepared to invest heavily in Iran’s energy sector, and one suspects that foreign ministry worries are heavily outweighed by domestic economic interests at Chinese leadership councils.
On top of this, despite China’s sizeable increase in imports from the U.S., as its exports have declined, bilateral trade disputes appear likely to proliferate as we approach the November mid-term elections.
President Obama used his first year to build a positive relationship with Beijing seeking cooperation on the financial crisis, climate change and non-proliferation. So far, Beijing has done more good than harm on the global economy. The climate change outcome is a muddle, but somewhat more than nothing. And reining in the nukes in North Korea and Iran remains a work in progress, or at least lots of work.
Too much has been made of the “G-2” concept, where the U.S. and China can be imagined to make the major decisions in the world together. Neither capital is ready for that. But on almost every major issue, from arms control to humanitarian assistance to peace keeping, there will not be progress if the U.S. and China cannot cooperate.
The challenge in the year ahead is for the two countries’ political elites to strengthen their capacity to handle both disputes and cooperation at the same time, and not have the former cancel out the latter. China’s millennia of complex governance and America’s dynamism suggest this is possible, but it will require looking beyond this year’s mounting troubles and demands.
Given the hardening of China’s internal controls over the past two years, the prospects for an enlightened compromise with Google and the other items on the agenda seem problematic. But if China stays hunkered down in grumpy resistance to the free flow of information, this will damage its ambitions to expand high value information technology industries. Secretary of State Hillary Clinton’s call today for adding internet freedom to the diplomatic agenda will accentuate this reality. The competing risks of turning a cold shoulder to the world’s concerns or relaxing its stance and freeing the flow of information into China should promote a lively debate in Beijing.
Douglas H. Paal
Carnegie Endownment, Commentary, January 21, 2010
Google’s executives deserve praise for finally standing up to Chinese hacking of its customers and demand for self-censorship. Moreover, Google’s share of the world’s largest internet market was stagnating. So if it leaves China, Google will repair its tarnished reputation for censorship while losing relatively little. Conceivably, China might compromise eventually and Google would be a double winner, remaining in the market on better terms and fixing its brand name. But don’t count on it.
This is going to be a hard year for U.S. relations with China. Just last week, China openly announced a successful shot by its anti-missile system, something that starkly contradicts China’s “principled position” of opposing anti-missile systems and weapons in space. Now, Google has pointed unambiguously to China as the source of a massive hacking operation against many corporations, individuals, and human rights activists in particular.
Over the next two months, President Obama can be expected to meet with His Holiness the Dalai Lama in the White House and to announce a sizeable if not terribly controversial package of arms sales to Taiwan. And Beijing’s diplomats are openly warning that there will be a strong Chinese reaction to these events. Most likely, China’s President Hu Jintao will at the very least refuse to attend next April’s Nuclear Security Summit to be hosted by Obama.
And the downbeat news won’t stop there. The U.S. is preparing a resolution toughening sanctions on Iran for a vote by the UN Security Council. The U.S. wants China’s vote, but the Chinese UN envoy says it is premature. Increasingly, Beijing rather than Moscow is the principal impediment to squeezing the Iranian nuclear weapons program. China has prepared to invest heavily in Iran’s energy sector, and one suspects that foreign ministry worries are heavily outweighed by domestic economic interests at Chinese leadership councils.
On top of this, despite China’s sizeable increase in imports from the U.S., as its exports have declined, bilateral trade disputes appear likely to proliferate as we approach the November mid-term elections.
President Obama used his first year to build a positive relationship with Beijing seeking cooperation on the financial crisis, climate change and non-proliferation. So far, Beijing has done more good than harm on the global economy. The climate change outcome is a muddle, but somewhat more than nothing. And reining in the nukes in North Korea and Iran remains a work in progress, or at least lots of work.
Too much has been made of the “G-2” concept, where the U.S. and China can be imagined to make the major decisions in the world together. Neither capital is ready for that. But on almost every major issue, from arms control to humanitarian assistance to peace keeping, there will not be progress if the U.S. and China cannot cooperate.
The challenge in the year ahead is for the two countries’ political elites to strengthen their capacity to handle both disputes and cooperation at the same time, and not have the former cancel out the latter. China’s millennia of complex governance and America’s dynamism suggest this is possible, but it will require looking beyond this year’s mounting troubles and demands.
Given the hardening of China’s internal controls over the past two years, the prospects for an enlightened compromise with Google and the other items on the agenda seem problematic. But if China stays hunkered down in grumpy resistance to the free flow of information, this will damage its ambitions to expand high value information technology industries. Secretary of State Hillary Clinton’s call today for adding internet freedom to the diplomatic agenda will accentuate this reality. The competing risks of turning a cold shoulder to the world’s concerns or relaxing its stance and freeing the flow of information into China should promote a lively debate in Beijing.
260) China's consumer paradigm - McKinsey Global Institute
A consumer paradigm for China
A more consumer-centric economy would allocate capital and resources more efficiently, generate more jobs, and spread the benefits of growth more equitably. It would also even grow more rapidly.
Janamitra Devan, Micah Rowland, and Jonathan Woetzel
Source: McKinsey Global Institute
AUGUST 2009 •
* Exhibit 1: Aggressive moves will be needed to raise China’s rate of consumption.
* Exhibit 2: China’s rate of consumption relative to GDP is low compared with those of other nations.
* Exhibit 3: Households account for a relatively low and falling share of total income in China.
* Sidebar: China’s fast-evolving consumer finance market
The development paradigm that brought China two decades of rapid growth and lifted millions of people out of poverty is reaching the limits of its utility. Well before the US credit bubble imploded, China’s leaders recognized that this old economic model, with its heavy reliance on exports and government-led investments, was straining at the seams.1 The global recession that followed Lehman Brothers’ collapse put the model’s drawbacks into sharp relief. When exports plunged, factories closed, and millions of Chinese migrants lost their jobs, Beijing responded with a $600 billion stimulus package and a torrent of new lending by state-owned banks.
But those remedies, while highly successful in restoring short-term growth, risk aggravating structural distortions that made China’s economy vulnerable to external-demand shocks in the first place. As the global crisis ebbs, China’s leaders realize more clearly than ever that they must unleash consumer spending to achieve sustainable growth. Stoking Chinese consumption has vaulted to the top of national—indeed global—policy agendas. But how, and how much, can it be raised?
To answer that question, the McKinsey Global Institute (MGI) considered three scenarios for Chinese consumption rates over the next 15 years: a base case (no new action to raise consumption), a policy case (full implementation of proconsumption measures already announced), and a stretch case (a push beyond the current agenda to implement broad changes in the economy’s structure).
MGI estimates that in the base case, China’s consumption will rise to 39 percent of GDP, a gain of just three percentage points above the current level, leaving the country heavily dependent on exports and government-led spending for continued growth. In the policy scenario, consumption could account for as much as 45 percent of GDP, still well below levels in other major economies. If China’s leaders committed themselves to the more aggressive program of comprehensive reform envisioned in the stretch scenario, however, they could raise private consumption above 50 percent of GDP by 2025 (Exhibit 1). Clearing that threshold would bring the consumption rate in line with those in the developed nations of Europe and Asia, vaulting China’s economy into a new phase. McKinsey estimates that comprehensive reform would also enrich the global economy with $1.9 trillion a year in net new consumption, boosting China’s share of the worldwide total to 13 percent—four percentage points higher than its share without further effort.
Reaching the stretch target wouldn’t be easy. China’s leaders will have to wage a sustained policy struggle on many fronts, combining relatively straightforward measures to encourage private spending with fundamental reform of the nation’s health and pension systems and sweeping changes in the economy’s basic structure. Over the next 15 years, China can realistically hope to increase private consumption’s share of total GDP significantly—but only if policy makers depart from the current development paradigm and embrace new policies, structures, and institutions better suited to the country’s status as a large, maturing market economy. That transformation, though daunting, would have a worthy prize: a more stable and fair economy that uses resources more efficiently, creates more jobs, insulates its citizens from foreign-trade shocks, and contributes more substantially to global growth.
China’s constrained consumers
In seeking to bolster private consumption, China’s policy makers face a unique challenge. Although there is no generally accepted standard for “healthy” private consumption in developing economies, in China it is anemic by almost any measure. Private consumption there totaled $890 billion in 2007, making the country the world’s fifth-largest consumer market, behind the United States, Japan, the United Kingdom, and Germany (which China recently surpassed as the world’s third-largest economy). But relative to China’s population and level of economic development, its consumers punch far below their weight. The country’s consumption-to-GDP ratio—36 percent—is only half that of the United States and about two-thirds those of Europe and Japan. Indeed, China has the lowest consumption-to-GDP ratio of any major world economy except Saudi Arabia, where oil exports contribute the bulk of economic output (Exhibit 2).
In fact, China’s consumption-to-GDP ratio has dropped by nearly 15 percentage points since 1990 and continues to deteriorate in the aftermath of the financial crisis. While falling consumption rates are common in developing economies, the speed and magnitude of this decline have no precedent in modern history. In the United States, private consumption remained above 50 percent of GDP even during the full-scale industrialization drive of World War II. In Japan and South Korea, consumption remained above 50 percent during periods of rapid industrial development.
The sources of China’s low consumption rate are both behavioral and structural (see “China’s consumption challenge”). The country’s households have an extraordinarily high ability to save: the average Chinese family squirrels away an astonishing 25 percent of its discretionary income, about six times the savings rate for US households and three times the rate for Japan’s. Indeed, China’s savings rate is 15 percentage points above the GDP-weighted average for Asia as a region.
Frugality’s impact is compounded—and in many ways produced—by structural features that restrict consumption’s share of the national income. For one thing, Chinese households command only some 56 percent of it (Exhibit 3), compared with more than 60 percent in Europe and more than 70 percent in the United States. No effort to raise Chinese consumption rates significantly can hope to succeed without addressing the structural factors that both channel income away from consumers and discourage them from spending even their modest share.
Mending the social safety net
Perhaps the most common explanation for the Chinese consumer’s reluctance to spend more freely is the frayed social safety net. Many argue that the country’s consumers oversave and underspend because they lack adequate health insurance and can’t count on government- or employer-sponsored programs to provide for them in retirement (see “Unlocking the power of Chinese consumers: An interview with Stephen Roach”). The relationship between social-welfare programs and private consumption is complex, but the moral imperative to extend health and retirement protections to the millions of Chinese who lack them is clear. Over the long run, mending the social safety net would ease anxieties about the future and bolster consumer confidence.
But MGI believes that better health and pension guarantees wouldn’t raise private consumption significantly before 2025. In assessing their impact on consumer spending, the key question to consider is who pays for them. If enhanced health and retirement benefits were financed through increased or expanded payroll taxes—a virtual certainty—households would feel less pressure to save, but after withholding they would have less money to spend. Thus the primary impact of expanding health and pension programs would be distributive, shifting to middle- and upper-income households the cost of benefits for poor ones. Moreover, any effort to broaden health insurance coverage would probably require a substantial increase in public outlays for medical care and thus raise the government’s share of total consumption.
MGI’s effort to model the reciprocal effects of such changes suggests that, in the aggregate, even a fully fledged program to expand China’s health and retirement benefits wouldn’t raise private consumption’s share of GDP significantly. We estimate that, at best, such improvements would boost it by only a percentage point above the 2025 base-case projection.
Putting products within reach
Measures to make goods and services better and more easily available could encourage consumption much more than would fixing the social safety net. China’s consumer infrastructure is incomplete. Too few products are tailored to the needs of those who would use them. Prices remain high compared with income levels: a Chinese worker toils more than seven hours to buy the same amount of goods and services a US worker earns through only one hour of work. In rural China—home to more than half of the country’s 1.3 billion consumers—organized retail establishments mediate only 18 percent of consumption, compared with 50 percent in urban areas.
China’s fast-evolving consumer finance market
China’s consumer finance industry lags far behind the economy as a whole. In 2007, consumer finance balances still came to less than 13 percent of GDP, below India and far below Singapore and South Korea. Should recent growth rates persist, consumer lending promises to exceed 8 trillion renminbi ($1.2 trillion) by 2014, up from today’s 3.7 trillion renminbi.1 But that calculation understates the market’s latent potential. If consumer lending on the mainland rose to Taiwan’s level, for instance, the shift could unleash as much as 10 trillion renminbi in net new consumption over the next five years—an enormous opportunity for banks and retailers.
China’s people now have limited credit options. Mortgages account for 90 percent of lending to consumers, who have few choices in key product areas, such as auto loans, credit cards, and personal loans. But the market has grown rapidly in recent years. Credit card issuance is skyrocketing, from 3 million cards in 2003 to 128 million by the end of 2008. Indeed, card issuance could surpass 300 million by 2013. Similarly, unsecured personal loans and installment loans, long the domain of underground lenders, have grown at an annual rate of 33 percent since 2006, to 744 billion renminbi, as leading domestic banks and consumer finance specialists strengthened their risk-management capabilities.
For foreign and local lenders jockeying for position in China’s fast-evolving consumer finance market, we see several keys to success.
1. Recognize the market’s diversity. China is a collection of local markets, each at a different stage of development, with distinct risk profiles and unique consumer preferences. These markets generally evolve through three stages of development: nascent (such as Sichuan), emerging (Jiangsu), and maturing (Shanghai). Lenders should take a portfolio view, focusing on the most promising markets, but with enough diversity to capture the next wave of growth.
2. Find a product portfolio that matches consumer preferences. In a sense, consumer-lending products are fungible. Many consumers balance their savings and borrowing in the aggregate, not by individual products. Some countries (such as South Korea) have high levels of credit card usage; others rely more on cash and personal loans. In the present early stage, the ultimate product balance in China remains to be determined. Finding the right mix may prove crucial to success in China’s fast-growing market.
3. Know the rules and their evolution. New regulations issued by Chinese banking regulators in the spring of 2009 give local and foreign banks and consumer finance specialists greater access to the market, in the form of consumer finance companies. While initially restricted to offering installment loans to retail customers with previous track records in borrowing, such companies will probably enable attackers to participate in the unsecured consumer-lending sector more quickly and at greater scale. In addition, the further deregulation of credit cards has allowed overseas banks to issue renminbi-based ones. These banks should target clear segments and develop the ability to serve the broader market.
Would-be players in such a new market must tread carefully. To assure responsible lending and borrowing, the government must strengthen credit bureaus, improve financial education, support “new to credit” products (for instance, low-limit or collateralized credit cards), and allow consumer finance balances to be securitized. Regulators and lenders must work together to improve risk management, especially the ability to identify and address organized fraud. The government must become better at spotting national and local credit bubbles. China can manage the risks and has ample room to expand consumer credit—safely.
About the Authors
Jan Bellens is a principal in McKinsey’s Shanghai office, where Stephan Bosshart is an associate principal; Dan Ewing is a consultant in the San Francisco office.
Notes
1 This assumes a 2008–14 compound annual growth rate (CAGR) of 14 percent for all consumer lending. Taiwan’s ratio of consumer loans to GDP is 29 percent.
Even when high-quality products are readily available, China’s consumers hesitate to buy them on credit. At 3 percent of GDP, outstanding consumer debt in China falls well below that of other large developing countries, such as Brazil, at 12 percent, or Russia, at 7 percent (see sidebar, “China’s fast-evolving consumer finance market”). What’s more, the privatization of China’s housing stock created a powerful new imperative to save: only the most affluent urban families can obtain mortgages, which thus account for just 23 percent of the value of new homes in China, compared with 65 percent in the United States.
Similarly, concerns about financing the cost of a university education drive much of China’s saving: an April 2009 survey of urban Chinese households commissioned by MGI found that this was the number-one reason for it, eclipsing concerns about medical expenses and retirement. In China, local governments provide for primary and secondary education. But surveys suggest that nearly nine in ten Chinese households hope to send their children to colleges, where costs are high relative to incomes—on average, the cost of a university education is nearly half the disposable income of a typical Chinese family. China has two national student loan programs, but only 10 percent of its college students now participate in them.
MGI estimates that, in the aggregate, measures to facilitate consumer spending—through better and more easily available products and expanded access to consumer credit and to financing for a university education—could raise consumption’s 2025 share of GDP by 2.8 to 4.7 percentage points.
Restructuring an investment-centric economy
Over time, a stronger social safety net and improved access to better goods and services will encourage China’s households to save less and spend more. But the country can’t hope to increase its consumption rate meaningfully unless it reverses a major current trend: households have a small and shrinking share of the national income. Any significant rise in household incomes will in turn require far-reaching policy changes that would transform some of the economy’s most basic structures. The fundamental causes of depressed consumption rates are systemic—hardwired into a development model that values investment over household income—rather than unique consumer preferences rooted in culture.
China’s current growth model tilts overwhelmingly in favor of large industrial companies, which typically are state owned or led, benefit from preferential financing from state-controlled banks, and enjoy considerable monopoly power. These features collectively place consumers at a disadvantage and limit employment growth. In any economy, large companies in heavy industry tend to be capital intensive, requiring fewer workers per unit of output than smaller firms in light industries or the service sector. In China, state ownership of heavy industry magnifies this tendency. Such companies, which can count on ready access to capital from China’s big banks and don’t have to pay dividends on state-owned shares, have ample funds to plow back into capital investment. Large, state-led manufacturers tend to have monopoly power in their industries, making it easier to resist pressure from workers for higher wages.
The result is an economy dominated by giant, capital-intensive manufacturers with strong incentives to pile profits back into ever more plants and equipment rather than disburse them to households as dividends or wages. Labor-intensive producers—small and medium-sized enterprises—and the services sector get short shrift. Over the past two decades, the corporate share of China’s national income has risen to 22 percent, up from 14 percent, even as the share of households has fallen to 56 percent, down from 72 percent. Media images of the country’s factories teaming with workers belie the reality: the economy generates too few jobs given its size and rapid expansion. In recent years, employment growth has inched forward at a rate of 1 percent per year even as GDP advanced by double digits.
Ultimately, China can’t hope to unleash the power of its consumers unless the economy creates more jobs and pays higher wages, so regulatory policies must change. Banks should be encouraged to support the services sector as well as small and medium-sized enterprises. Dividend policies for state-owned enterprises should be changed and the development of equity markets encouraged. By 2025, a comprehensive effort to restructure the economy along these lines could add 3.5 to 6.0 percentage points to consumption’s share of GDP.
A fundamental shift
China has already embarked on measures that will shift the focus of its economy away from heavy industry and exports and toward services and consumer products. But two wide gaps remain: between what’s been proposed and achieved and between what’s been achieved and the country’s long-term potential. The government’s stimulus package, by offsetting collapsed overseas demand for Chinese goods with a huge jolt of new domestic public and business investment, has helped the country shake off the global recession’s immediate impact. But the stimulus package does little to tilt the balance in favor of private consumption. In the short term, it will do just the reverse: 89 percent of it is devoted to infrastructure investment, only 8 percent to measures supporting consumption.
A genuine shift away from the old paradigm will require difficult economic and political choices and is sure to meet with opposition. Yet such a shift is undoubtedly in the long-term interest of the nation as a whole. A more consumer-centric economy would allocate capital and resources more efficiently, generate more jobs, spread the benefits of growth more equitably—and grow more rapidly—than China will if it remains on its present course. The narrowing of the trade surplus and the Chinese consumer’s larger contribution to global growth would make foreign ties more harmonious. In years past, China has demonstrated a remarkable ability to make major economic changes rapidly in pursuit of broad national objectives. It can do so again by shifting to a new economic paradigm that unleashes the spending power of its consumers.
About the Authors
Janamitra Devan is an alumnus of the McKinsey Global Institute; Micah Rowland is a consultant in McKinsey’s Seattle office, and Jonathan Woetzel is a director in the Shanghai office.
The authors wish to acknowledge the contributions of Adam Eichner, Wenkan Liao, and Stefano Negri to the research underlying this article.
Notes
1 In March 2007, Premier Wen Jiabao used the occasion of his annual nationally televised press conference after the National People’s Congress to issue a rare public warning that China’s economy had become “unbalanced, uncoordinated, unstable, and unsustainable.” See Joseph Kahn, “Despite Buildup, China Insists Its Goals Are Domestic,” New York Times, March 17, 2007.
A more consumer-centric economy would allocate capital and resources more efficiently, generate more jobs, and spread the benefits of growth more equitably. It would also even grow more rapidly.
Janamitra Devan, Micah Rowland, and Jonathan Woetzel
Source: McKinsey Global Institute
AUGUST 2009 •
* Exhibit 1: Aggressive moves will be needed to raise China’s rate of consumption.
* Exhibit 2: China’s rate of consumption relative to GDP is low compared with those of other nations.
* Exhibit 3: Households account for a relatively low and falling share of total income in China.
* Sidebar: China’s fast-evolving consumer finance market
The development paradigm that brought China two decades of rapid growth and lifted millions of people out of poverty is reaching the limits of its utility. Well before the US credit bubble imploded, China’s leaders recognized that this old economic model, with its heavy reliance on exports and government-led investments, was straining at the seams.1 The global recession that followed Lehman Brothers’ collapse put the model’s drawbacks into sharp relief. When exports plunged, factories closed, and millions of Chinese migrants lost their jobs, Beijing responded with a $600 billion stimulus package and a torrent of new lending by state-owned banks.
But those remedies, while highly successful in restoring short-term growth, risk aggravating structural distortions that made China’s economy vulnerable to external-demand shocks in the first place. As the global crisis ebbs, China’s leaders realize more clearly than ever that they must unleash consumer spending to achieve sustainable growth. Stoking Chinese consumption has vaulted to the top of national—indeed global—policy agendas. But how, and how much, can it be raised?
To answer that question, the McKinsey Global Institute (MGI) considered three scenarios for Chinese consumption rates over the next 15 years: a base case (no new action to raise consumption), a policy case (full implementation of proconsumption measures already announced), and a stretch case (a push beyond the current agenda to implement broad changes in the economy’s structure).
MGI estimates that in the base case, China’s consumption will rise to 39 percent of GDP, a gain of just three percentage points above the current level, leaving the country heavily dependent on exports and government-led spending for continued growth. In the policy scenario, consumption could account for as much as 45 percent of GDP, still well below levels in other major economies. If China’s leaders committed themselves to the more aggressive program of comprehensive reform envisioned in the stretch scenario, however, they could raise private consumption above 50 percent of GDP by 2025 (Exhibit 1). Clearing that threshold would bring the consumption rate in line with those in the developed nations of Europe and Asia, vaulting China’s economy into a new phase. McKinsey estimates that comprehensive reform would also enrich the global economy with $1.9 trillion a year in net new consumption, boosting China’s share of the worldwide total to 13 percent—four percentage points higher than its share without further effort.
Reaching the stretch target wouldn’t be easy. China’s leaders will have to wage a sustained policy struggle on many fronts, combining relatively straightforward measures to encourage private spending with fundamental reform of the nation’s health and pension systems and sweeping changes in the economy’s basic structure. Over the next 15 years, China can realistically hope to increase private consumption’s share of total GDP significantly—but only if policy makers depart from the current development paradigm and embrace new policies, structures, and institutions better suited to the country’s status as a large, maturing market economy. That transformation, though daunting, would have a worthy prize: a more stable and fair economy that uses resources more efficiently, creates more jobs, insulates its citizens from foreign-trade shocks, and contributes more substantially to global growth.
China’s constrained consumers
In seeking to bolster private consumption, China’s policy makers face a unique challenge. Although there is no generally accepted standard for “healthy” private consumption in developing economies, in China it is anemic by almost any measure. Private consumption there totaled $890 billion in 2007, making the country the world’s fifth-largest consumer market, behind the United States, Japan, the United Kingdom, and Germany (which China recently surpassed as the world’s third-largest economy). But relative to China’s population and level of economic development, its consumers punch far below their weight. The country’s consumption-to-GDP ratio—36 percent—is only half that of the United States and about two-thirds those of Europe and Japan. Indeed, China has the lowest consumption-to-GDP ratio of any major world economy except Saudi Arabia, where oil exports contribute the bulk of economic output (Exhibit 2).
In fact, China’s consumption-to-GDP ratio has dropped by nearly 15 percentage points since 1990 and continues to deteriorate in the aftermath of the financial crisis. While falling consumption rates are common in developing economies, the speed and magnitude of this decline have no precedent in modern history. In the United States, private consumption remained above 50 percent of GDP even during the full-scale industrialization drive of World War II. In Japan and South Korea, consumption remained above 50 percent during periods of rapid industrial development.
The sources of China’s low consumption rate are both behavioral and structural (see “China’s consumption challenge”). The country’s households have an extraordinarily high ability to save: the average Chinese family squirrels away an astonishing 25 percent of its discretionary income, about six times the savings rate for US households and three times the rate for Japan’s. Indeed, China’s savings rate is 15 percentage points above the GDP-weighted average for Asia as a region.
Frugality’s impact is compounded—and in many ways produced—by structural features that restrict consumption’s share of the national income. For one thing, Chinese households command only some 56 percent of it (Exhibit 3), compared with more than 60 percent in Europe and more than 70 percent in the United States. No effort to raise Chinese consumption rates significantly can hope to succeed without addressing the structural factors that both channel income away from consumers and discourage them from spending even their modest share.
Mending the social safety net
Perhaps the most common explanation for the Chinese consumer’s reluctance to spend more freely is the frayed social safety net. Many argue that the country’s consumers oversave and underspend because they lack adequate health insurance and can’t count on government- or employer-sponsored programs to provide for them in retirement (see “Unlocking the power of Chinese consumers: An interview with Stephen Roach”). The relationship between social-welfare programs and private consumption is complex, but the moral imperative to extend health and retirement protections to the millions of Chinese who lack them is clear. Over the long run, mending the social safety net would ease anxieties about the future and bolster consumer confidence.
But MGI believes that better health and pension guarantees wouldn’t raise private consumption significantly before 2025. In assessing their impact on consumer spending, the key question to consider is who pays for them. If enhanced health and retirement benefits were financed through increased or expanded payroll taxes—a virtual certainty—households would feel less pressure to save, but after withholding they would have less money to spend. Thus the primary impact of expanding health and pension programs would be distributive, shifting to middle- and upper-income households the cost of benefits for poor ones. Moreover, any effort to broaden health insurance coverage would probably require a substantial increase in public outlays for medical care and thus raise the government’s share of total consumption.
MGI’s effort to model the reciprocal effects of such changes suggests that, in the aggregate, even a fully fledged program to expand China’s health and retirement benefits wouldn’t raise private consumption’s share of GDP significantly. We estimate that, at best, such improvements would boost it by only a percentage point above the 2025 base-case projection.
Putting products within reach
Measures to make goods and services better and more easily available could encourage consumption much more than would fixing the social safety net. China’s consumer infrastructure is incomplete. Too few products are tailored to the needs of those who would use them. Prices remain high compared with income levels: a Chinese worker toils more than seven hours to buy the same amount of goods and services a US worker earns through only one hour of work. In rural China—home to more than half of the country’s 1.3 billion consumers—organized retail establishments mediate only 18 percent of consumption, compared with 50 percent in urban areas.
China’s fast-evolving consumer finance market
China’s consumer finance industry lags far behind the economy as a whole. In 2007, consumer finance balances still came to less than 13 percent of GDP, below India and far below Singapore and South Korea. Should recent growth rates persist, consumer lending promises to exceed 8 trillion renminbi ($1.2 trillion) by 2014, up from today’s 3.7 trillion renminbi.1 But that calculation understates the market’s latent potential. If consumer lending on the mainland rose to Taiwan’s level, for instance, the shift could unleash as much as 10 trillion renminbi in net new consumption over the next five years—an enormous opportunity for banks and retailers.
China’s people now have limited credit options. Mortgages account for 90 percent of lending to consumers, who have few choices in key product areas, such as auto loans, credit cards, and personal loans. But the market has grown rapidly in recent years. Credit card issuance is skyrocketing, from 3 million cards in 2003 to 128 million by the end of 2008. Indeed, card issuance could surpass 300 million by 2013. Similarly, unsecured personal loans and installment loans, long the domain of underground lenders, have grown at an annual rate of 33 percent since 2006, to 744 billion renminbi, as leading domestic banks and consumer finance specialists strengthened their risk-management capabilities.
For foreign and local lenders jockeying for position in China’s fast-evolving consumer finance market, we see several keys to success.
1. Recognize the market’s diversity. China is a collection of local markets, each at a different stage of development, with distinct risk profiles and unique consumer preferences. These markets generally evolve through three stages of development: nascent (such as Sichuan), emerging (Jiangsu), and maturing (Shanghai). Lenders should take a portfolio view, focusing on the most promising markets, but with enough diversity to capture the next wave of growth.
2. Find a product portfolio that matches consumer preferences. In a sense, consumer-lending products are fungible. Many consumers balance their savings and borrowing in the aggregate, not by individual products. Some countries (such as South Korea) have high levels of credit card usage; others rely more on cash and personal loans. In the present early stage, the ultimate product balance in China remains to be determined. Finding the right mix may prove crucial to success in China’s fast-growing market.
3. Know the rules and their evolution. New regulations issued by Chinese banking regulators in the spring of 2009 give local and foreign banks and consumer finance specialists greater access to the market, in the form of consumer finance companies. While initially restricted to offering installment loans to retail customers with previous track records in borrowing, such companies will probably enable attackers to participate in the unsecured consumer-lending sector more quickly and at greater scale. In addition, the further deregulation of credit cards has allowed overseas banks to issue renminbi-based ones. These banks should target clear segments and develop the ability to serve the broader market.
Would-be players in such a new market must tread carefully. To assure responsible lending and borrowing, the government must strengthen credit bureaus, improve financial education, support “new to credit” products (for instance, low-limit or collateralized credit cards), and allow consumer finance balances to be securitized. Regulators and lenders must work together to improve risk management, especially the ability to identify and address organized fraud. The government must become better at spotting national and local credit bubbles. China can manage the risks and has ample room to expand consumer credit—safely.
About the Authors
Jan Bellens is a principal in McKinsey’s Shanghai office, where Stephan Bosshart is an associate principal; Dan Ewing is a consultant in the San Francisco office.
Notes
1 This assumes a 2008–14 compound annual growth rate (CAGR) of 14 percent for all consumer lending. Taiwan’s ratio of consumer loans to GDP is 29 percent.
Even when high-quality products are readily available, China’s consumers hesitate to buy them on credit. At 3 percent of GDP, outstanding consumer debt in China falls well below that of other large developing countries, such as Brazil, at 12 percent, or Russia, at 7 percent (see sidebar, “China’s fast-evolving consumer finance market”). What’s more, the privatization of China’s housing stock created a powerful new imperative to save: only the most affluent urban families can obtain mortgages, which thus account for just 23 percent of the value of new homes in China, compared with 65 percent in the United States.
Similarly, concerns about financing the cost of a university education drive much of China’s saving: an April 2009 survey of urban Chinese households commissioned by MGI found that this was the number-one reason for it, eclipsing concerns about medical expenses and retirement. In China, local governments provide for primary and secondary education. But surveys suggest that nearly nine in ten Chinese households hope to send their children to colleges, where costs are high relative to incomes—on average, the cost of a university education is nearly half the disposable income of a typical Chinese family. China has two national student loan programs, but only 10 percent of its college students now participate in them.
MGI estimates that, in the aggregate, measures to facilitate consumer spending—through better and more easily available products and expanded access to consumer credit and to financing for a university education—could raise consumption’s 2025 share of GDP by 2.8 to 4.7 percentage points.
Restructuring an investment-centric economy
Over time, a stronger social safety net and improved access to better goods and services will encourage China’s households to save less and spend more. But the country can’t hope to increase its consumption rate meaningfully unless it reverses a major current trend: households have a small and shrinking share of the national income. Any significant rise in household incomes will in turn require far-reaching policy changes that would transform some of the economy’s most basic structures. The fundamental causes of depressed consumption rates are systemic—hardwired into a development model that values investment over household income—rather than unique consumer preferences rooted in culture.
China’s current growth model tilts overwhelmingly in favor of large industrial companies, which typically are state owned or led, benefit from preferential financing from state-controlled banks, and enjoy considerable monopoly power. These features collectively place consumers at a disadvantage and limit employment growth. In any economy, large companies in heavy industry tend to be capital intensive, requiring fewer workers per unit of output than smaller firms in light industries or the service sector. In China, state ownership of heavy industry magnifies this tendency. Such companies, which can count on ready access to capital from China’s big banks and don’t have to pay dividends on state-owned shares, have ample funds to plow back into capital investment. Large, state-led manufacturers tend to have monopoly power in their industries, making it easier to resist pressure from workers for higher wages.
The result is an economy dominated by giant, capital-intensive manufacturers with strong incentives to pile profits back into ever more plants and equipment rather than disburse them to households as dividends or wages. Labor-intensive producers—small and medium-sized enterprises—and the services sector get short shrift. Over the past two decades, the corporate share of China’s national income has risen to 22 percent, up from 14 percent, even as the share of households has fallen to 56 percent, down from 72 percent. Media images of the country’s factories teaming with workers belie the reality: the economy generates too few jobs given its size and rapid expansion. In recent years, employment growth has inched forward at a rate of 1 percent per year even as GDP advanced by double digits.
Ultimately, China can’t hope to unleash the power of its consumers unless the economy creates more jobs and pays higher wages, so regulatory policies must change. Banks should be encouraged to support the services sector as well as small and medium-sized enterprises. Dividend policies for state-owned enterprises should be changed and the development of equity markets encouraged. By 2025, a comprehensive effort to restructure the economy along these lines could add 3.5 to 6.0 percentage points to consumption’s share of GDP.
A fundamental shift
China has already embarked on measures that will shift the focus of its economy away from heavy industry and exports and toward services and consumer products. But two wide gaps remain: between what’s been proposed and achieved and between what’s been achieved and the country’s long-term potential. The government’s stimulus package, by offsetting collapsed overseas demand for Chinese goods with a huge jolt of new domestic public and business investment, has helped the country shake off the global recession’s immediate impact. But the stimulus package does little to tilt the balance in favor of private consumption. In the short term, it will do just the reverse: 89 percent of it is devoted to infrastructure investment, only 8 percent to measures supporting consumption.
A genuine shift away from the old paradigm will require difficult economic and political choices and is sure to meet with opposition. Yet such a shift is undoubtedly in the long-term interest of the nation as a whole. A more consumer-centric economy would allocate capital and resources more efficiently, generate more jobs, spread the benefits of growth more equitably—and grow more rapidly—than China will if it remains on its present course. The narrowing of the trade surplus and the Chinese consumer’s larger contribution to global growth would make foreign ties more harmonious. In years past, China has demonstrated a remarkable ability to make major economic changes rapidly in pursuit of broad national objectives. It can do so again by shifting to a new economic paradigm that unleashes the spending power of its consumers.
About the Authors
Janamitra Devan is an alumnus of the McKinsey Global Institute; Micah Rowland is a consultant in McKinsey’s Seattle office, and Jonathan Woetzel is a director in the Shanghai office.
The authors wish to acknowledge the contributions of Adam Eichner, Wenkan Liao, and Stefano Negri to the research underlying this article.
Notes
1 In March 2007, Premier Wen Jiabao used the occasion of his annual nationally televised press conference after the National People’s Congress to issue a rare public warning that China’s economy had become “unbalanced, uncoordinated, unstable, and unsustainable.” See Joseph Kahn, “Despite Buildup, China Insists Its Goals Are Domestic,” New York Times, March 17, 2007.
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consumer paradigm China
259) China: poluicao das aguas
Novo estudo dobra o nível de poluição das águas na China
Emma Graham-Harrison, Reuters, de Pequim
Valor Econômico, 10/02/2010
Ambiente: Avaliação reforça dúvida sobre as estatísticas oficiais do país
Um novo levantamento do governo chinês para apurar os problemas ambientais do país mostrou que os níveis de poluição da água em 2007 foram mais do que o dobro da estimativa oficial do próprio governo, em grande parte porque os resíduos do setor agrícola eram antes ignorados.
Os dados, apresentados pelo vice-ministro para a Proteção do Ambiente, Zhang Lijun, reforçam os questionamentos sobre a qualidade das estatísticas oficiais chinesas e sobre a eficácia de uma campanha do governo por crescimento mais limpo, depois de décadas de expansão desenfreada.
O primeiro censo nacional sobre fontes de poluição constatou que a liberação de demanda de oxigênio químico (DQO) - uma medida da poluição da água - em águas residuais (sem tratamento) foi de 30 milhões de toneladas métricas, disse Zhang.
O governo havia declarado num documento oficial elaborado dois anos atrás que 2007 foi o primeiro ano em que conseguiu reduzir a poluição da água, com queda de 3% no DQO, para 13,8 milhões de toneladas métricas.
O censo levou ano para ser concluído, em parte porque foi extremamente abrangente, mas possivelmente também porque o conteúdo inclui revelações dolorosas como esta.
Zhang minimizou a diferença entre os totais. Ele disse que a diferença é explicada pela abrangência expandida do levantamento, a inclusão de fontes agrícolas de águas residuais, que contribuíram com cerca de 13,2 milhões de toneladas métricas, e métodos de cálculo diferentes.
"A abrangência dos dados foi diferente, desta vez ele incluiu um levantamento de fontes agrícolas", afirmou Zhang numa entrevista coletiva.
Um levantamento mais detalhado das emissões das famílias e das indústrias e uma abordagem estatística diferente também contribuíram para o salto. Quando estes fatores foram contabilizados, a DQO foi de apenas cerca de 5% acima do número original de 2007, disse ele.
Os números para outros poluentes não indicaram manipulação generalizada de dados. As emissões de dióxido de enxofre causadoras da chuva ácida, por exemplo, foram fixadas em 23,2 milhões de toneladas métricas pelo censo e têm sido estimadas em 24,7 milhões de toneladas métricas nas nos dados anteriores.
Mas independente de a omissão dos poluentes agrícolas ter sido intencional ou não, o fato de o governo ter conseguido omitir um elemento contribuinte importante para um dos seus indicadores referenciais de poluição deverá gerar apreensão.
Podem também existir outros problemas graves que Pequim hesita em revelar. Militantes que saudaram a iniciativa de compor um quadro mais abrangente do problema da poluição do país também exigiram obter acesso a resultados detalhados.
"Parece que os dados de poluição abrangentes retirados do censo não foram tornados acessíveis ao público", afirmou o diretor de campanhas do Greenpeace, Sze Pang Cheung.
"Exortamos o governo a estabelecer imediatamente uma sólida plataforma, por cujo intermédio o público possa acessar facilmente uma ampla gama de dados sobre poluição."
Zhang argumentou que o levantamento conferiu à China uma melhor indicação sobre seus desafios e que no futuro o país poderá nutrir esperanças de elevar a variedade de poluentes que monitora e controla.
Isso representou um sinal do compromisso da China em alterar seu modelo econômico, ele acrescentou, o que lhe permitirá fixar limites ao crescimento da poluição num estado mais preliminar do desenvolvimento na comparação com os países ocidentais.
"Posto que a China adotou uma rota de desenvolvimento diferente da adotada por outros países avançados, é muito provável que o auge da nossa poluição ocorra mais cedo", ele disse.
Ele acrescentou, porém, que o governo não mudará o parâmetro ou os métodos de levantamento para uma meta de redução da poluição de águas residuais em 10% até 2010 com base nos níveis de 2005.
"A base de redução de emissão foi determinada com base nos dados ambientais de 2005 e, portanto, as metas... devem permanecer as mesmas", disse ele.
Emma Graham-Harrison, Reuters, de Pequim
Valor Econômico, 10/02/2010
Ambiente: Avaliação reforça dúvida sobre as estatísticas oficiais do país
Um novo levantamento do governo chinês para apurar os problemas ambientais do país mostrou que os níveis de poluição da água em 2007 foram mais do que o dobro da estimativa oficial do próprio governo, em grande parte porque os resíduos do setor agrícola eram antes ignorados.
Os dados, apresentados pelo vice-ministro para a Proteção do Ambiente, Zhang Lijun, reforçam os questionamentos sobre a qualidade das estatísticas oficiais chinesas e sobre a eficácia de uma campanha do governo por crescimento mais limpo, depois de décadas de expansão desenfreada.
O primeiro censo nacional sobre fontes de poluição constatou que a liberação de demanda de oxigênio químico (DQO) - uma medida da poluição da água - em águas residuais (sem tratamento) foi de 30 milhões de toneladas métricas, disse Zhang.
O governo havia declarado num documento oficial elaborado dois anos atrás que 2007 foi o primeiro ano em que conseguiu reduzir a poluição da água, com queda de 3% no DQO, para 13,8 milhões de toneladas métricas.
O censo levou ano para ser concluído, em parte porque foi extremamente abrangente, mas possivelmente também porque o conteúdo inclui revelações dolorosas como esta.
Zhang minimizou a diferença entre os totais. Ele disse que a diferença é explicada pela abrangência expandida do levantamento, a inclusão de fontes agrícolas de águas residuais, que contribuíram com cerca de 13,2 milhões de toneladas métricas, e métodos de cálculo diferentes.
"A abrangência dos dados foi diferente, desta vez ele incluiu um levantamento de fontes agrícolas", afirmou Zhang numa entrevista coletiva.
Um levantamento mais detalhado das emissões das famílias e das indústrias e uma abordagem estatística diferente também contribuíram para o salto. Quando estes fatores foram contabilizados, a DQO foi de apenas cerca de 5% acima do número original de 2007, disse ele.
Os números para outros poluentes não indicaram manipulação generalizada de dados. As emissões de dióxido de enxofre causadoras da chuva ácida, por exemplo, foram fixadas em 23,2 milhões de toneladas métricas pelo censo e têm sido estimadas em 24,7 milhões de toneladas métricas nas nos dados anteriores.
Mas independente de a omissão dos poluentes agrícolas ter sido intencional ou não, o fato de o governo ter conseguido omitir um elemento contribuinte importante para um dos seus indicadores referenciais de poluição deverá gerar apreensão.
Podem também existir outros problemas graves que Pequim hesita em revelar. Militantes que saudaram a iniciativa de compor um quadro mais abrangente do problema da poluição do país também exigiram obter acesso a resultados detalhados.
"Parece que os dados de poluição abrangentes retirados do censo não foram tornados acessíveis ao público", afirmou o diretor de campanhas do Greenpeace, Sze Pang Cheung.
"Exortamos o governo a estabelecer imediatamente uma sólida plataforma, por cujo intermédio o público possa acessar facilmente uma ampla gama de dados sobre poluição."
Zhang argumentou que o levantamento conferiu à China uma melhor indicação sobre seus desafios e que no futuro o país poderá nutrir esperanças de elevar a variedade de poluentes que monitora e controla.
Isso representou um sinal do compromisso da China em alterar seu modelo econômico, ele acrescentou, o que lhe permitirá fixar limites ao crescimento da poluição num estado mais preliminar do desenvolvimento na comparação com os países ocidentais.
"Posto que a China adotou uma rota de desenvolvimento diferente da adotada por outros países avançados, é muito provável que o auge da nossa poluição ocorra mais cedo", ele disse.
Ele acrescentou, porém, que o governo não mudará o parâmetro ou os métodos de levantamento para uma meta de redução da poluição de águas residuais em 10% até 2010 com base nos níveis de 2005.
"A base de redução de emissão foi determinada com base nos dados ambientais de 2005 e, portanto, as metas... devem permanecer as mesmas", disse ele.
258) China: cautious investments
China's investment fund sticks with cautious strategy
Steven Mufson
Washington Post Staff Writer
Wednesday, February 10, 2010; A12
When Lou Jiwei was one of China's up-and-coming Finance Ministry officials, he did a two-year stint as vice governor of one of the country's poorest provinces, Guizhou. In a typical week, he attended a soccer game, visited a chemical plant contemplating a public offering and scolded local officials about a road project that was running behind schedule.
"The Chinese Communist Party is facing a lot of pressure," Lou said then. "With the reform and opening up, people know more about the outside world, and if the party doesn't produce economic results, people will rise up against it."
A dozen years later, Lou, a computer scientist-turned-economist, is running the world's fifth-largest sovereign wealth fund, the $300 billion China Investment Corp., and more than ever he is being measured by his results.
CIC, created in 2007 to diversify China's vast foreign exchange holdings, which have been invested largely in low-yielding U.S. Treasury bonds, got off to a rocky start with large, ill-timed investments in Blackstone and Morgan Stanley shortly before the financial crisis. Lou, a career government official with ministerial rank, barely hung on to his alternate status on the Communist Party's large central committee.
Since then, however, CIC has settled into a cautious, low-profile strategy of spreading its investments among a variety of established funds and companies -- including Arlington-based AES. Lou has rejected suggestions that CIC is carrying out a national strategy. "What national strategy? Our strategy is long-term risk-adjusted returns," he said at a forum on Oct. 28 in Beijing.
CIC "is under public scrutiny, and that public scrutiny is good," said Davin Mackenzie, a private equity fund manager and former China representative of the International Finance Corp., in a recent interview in Beijing. "It puts lots of pressure on CIC to produce returns, and that's different from other state-owned enterprises in China, for which financial returns are not the only objective."
When the fund was created, many analysts feared that it would devour foreign firms. Yet CIC has not sought majority stakes or active management roles, an approach confirmed in a Securities and Exchange Commission filing Friday that outlined investments in about 60 U.S.-listed companies or index funds.
CIC has "a lot of capital and is looking for good companies, global in scope, that can help them deploy capital in areas they think are great areas to invest but in which they don't have that expertise," said Paul Hanrahan, chief executive of AES, which late last year agreed to sell a 15 percent stake to CIC for $2.2 billion.
Expensive mistakes
But CIC has made some unpublicized blunders, said sources who spoke on the condition of anonymity to preserve their relationships with the company. One costly mistake: It invested heavily in a Russian firm with sub-Arctic natural gas resources only to discover that the ownership of the resources was under dispute.
The fund is an odd private-public mixture. It receives about 100 business proposals a day, yet because of its early missteps, investments of more than $1 billion generally require the notification of senior Chinese leaders outside the fund. CIC relies heavily on experienced professionals on hiatus from the private sector, yet its in-house professionals are poorly paid by financial industry standards. The general counsel makes about $60,000 a year, according to industry sources.
"CIC operates more like a government agency than a private enterprise," said one source who has done business with the fund.
The fund was established with $200 billion when China was accumulating $1 billion a day in foreign exchange reserves and seeking returns greater than the 4 percent or so it obtained from U.S. Treasury bonds.
In May 2007, four months before the fund was formally launched, it agreed to invest $3 billion in the initial public offering of Blackstone. Shortly afterward, it sank $5 billion into Morgan Stanley. The shares of both firms plummeted. Rather than reassure Chinese leaders, the investments did the opposite.
Domestic politics also set CIC's initial priorities. The Finance Ministry favored setting up a sovereign wealth fund, while the central bank did not. As part of a compromise, CIC was forced to invest $130 billion -- two-thirds of its initial capital -- into Central Huijin Investment Ltd., a government holding company formed in 2003 to bail out China's largest banks and solidify government control of them.
Though contrary to the goal of investing outside China, the stakes in troubled Chinese banks have been among CIC's best investments. Without them, CIC's returns would have looked much weaker.
Expansion ahead
Still, the fund's relative success makes it likely that it will soon receive another $200 billion, according to reports in the official Chinese news media. That would give it greater firepower and speed up the pace of its investments.
In a speech in Hong Kong last month, Lou said CIC would target emerging markets, which he said have weathered the financial crisis relatively well. "It is not a temporary strategy anymore to invest in emerging markets, but it has been an indispensable part of strategy allocation for global investors," he said.
CIC cannot invest directly in China, the emerging market's most dynamic economy. Yet it has purchased shares of foreign companies, such as AES, that hope to expand in China. CIC recently bought 20 percent of Hong Kong-based GCL-Poly, a maker of polysilicon and wafers used in solar panels sold mostly in China.
Its $1.9 billion investment in Indonesia's PT Bumi Resources and its $500 million investment in a Mongolian coal-mining firm also hinge on China's growth.
Michael Maduell, president of the Sovereign Wealth Fund Institute, said CIC has become "opportunistic," looking at "all types of sectors," including "brand-name hedge funds." This month, it announced a $956 million investment in Apax Partners, a British private equity firm.
For firms in search of capital and a low-key partner, CIC is appealing. AES's Hanrahan says, "They're a long-term investor, which is what I like."
Steven Mufson
Washington Post Staff Writer
Wednesday, February 10, 2010; A12
When Lou Jiwei was one of China's up-and-coming Finance Ministry officials, he did a two-year stint as vice governor of one of the country's poorest provinces, Guizhou. In a typical week, he attended a soccer game, visited a chemical plant contemplating a public offering and scolded local officials about a road project that was running behind schedule.
"The Chinese Communist Party is facing a lot of pressure," Lou said then. "With the reform and opening up, people know more about the outside world, and if the party doesn't produce economic results, people will rise up against it."
A dozen years later, Lou, a computer scientist-turned-economist, is running the world's fifth-largest sovereign wealth fund, the $300 billion China Investment Corp., and more than ever he is being measured by his results.
CIC, created in 2007 to diversify China's vast foreign exchange holdings, which have been invested largely in low-yielding U.S. Treasury bonds, got off to a rocky start with large, ill-timed investments in Blackstone and Morgan Stanley shortly before the financial crisis. Lou, a career government official with ministerial rank, barely hung on to his alternate status on the Communist Party's large central committee.
Since then, however, CIC has settled into a cautious, low-profile strategy of spreading its investments among a variety of established funds and companies -- including Arlington-based AES. Lou has rejected suggestions that CIC is carrying out a national strategy. "What national strategy? Our strategy is long-term risk-adjusted returns," he said at a forum on Oct. 28 in Beijing.
CIC "is under public scrutiny, and that public scrutiny is good," said Davin Mackenzie, a private equity fund manager and former China representative of the International Finance Corp., in a recent interview in Beijing. "It puts lots of pressure on CIC to produce returns, and that's different from other state-owned enterprises in China, for which financial returns are not the only objective."
When the fund was created, many analysts feared that it would devour foreign firms. Yet CIC has not sought majority stakes or active management roles, an approach confirmed in a Securities and Exchange Commission filing Friday that outlined investments in about 60 U.S.-listed companies or index funds.
CIC has "a lot of capital and is looking for good companies, global in scope, that can help them deploy capital in areas they think are great areas to invest but in which they don't have that expertise," said Paul Hanrahan, chief executive of AES, which late last year agreed to sell a 15 percent stake to CIC for $2.2 billion.
Expensive mistakes
But CIC has made some unpublicized blunders, said sources who spoke on the condition of anonymity to preserve their relationships with the company. One costly mistake: It invested heavily in a Russian firm with sub-Arctic natural gas resources only to discover that the ownership of the resources was under dispute.
The fund is an odd private-public mixture. It receives about 100 business proposals a day, yet because of its early missteps, investments of more than $1 billion generally require the notification of senior Chinese leaders outside the fund. CIC relies heavily on experienced professionals on hiatus from the private sector, yet its in-house professionals are poorly paid by financial industry standards. The general counsel makes about $60,000 a year, according to industry sources.
"CIC operates more like a government agency than a private enterprise," said one source who has done business with the fund.
The fund was established with $200 billion when China was accumulating $1 billion a day in foreign exchange reserves and seeking returns greater than the 4 percent or so it obtained from U.S. Treasury bonds.
In May 2007, four months before the fund was formally launched, it agreed to invest $3 billion in the initial public offering of Blackstone. Shortly afterward, it sank $5 billion into Morgan Stanley. The shares of both firms plummeted. Rather than reassure Chinese leaders, the investments did the opposite.
Domestic politics also set CIC's initial priorities. The Finance Ministry favored setting up a sovereign wealth fund, while the central bank did not. As part of a compromise, CIC was forced to invest $130 billion -- two-thirds of its initial capital -- into Central Huijin Investment Ltd., a government holding company formed in 2003 to bail out China's largest banks and solidify government control of them.
Though contrary to the goal of investing outside China, the stakes in troubled Chinese banks have been among CIC's best investments. Without them, CIC's returns would have looked much weaker.
Expansion ahead
Still, the fund's relative success makes it likely that it will soon receive another $200 billion, according to reports in the official Chinese news media. That would give it greater firepower and speed up the pace of its investments.
In a speech in Hong Kong last month, Lou said CIC would target emerging markets, which he said have weathered the financial crisis relatively well. "It is not a temporary strategy anymore to invest in emerging markets, but it has been an indispensable part of strategy allocation for global investors," he said.
CIC cannot invest directly in China, the emerging market's most dynamic economy. Yet it has purchased shares of foreign companies, such as AES, that hope to expand in China. CIC recently bought 20 percent of Hong Kong-based GCL-Poly, a maker of polysilicon and wafers used in solar panels sold mostly in China.
Its $1.9 billion investment in Indonesia's PT Bumi Resources and its $500 million investment in a Mongolian coal-mining firm also hinge on China's growth.
Michael Maduell, president of the Sovereign Wealth Fund Institute, said CIC has become "opportunistic," looking at "all types of sectors," including "brand-name hedge funds." This month, it announced a $956 million investment in Apax Partners, a British private equity firm.
For firms in search of capital and a low-key partner, CIC is appealing. AES's Hanrahan says, "They're a long-term investor, which is what I like."
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